Rita Lee está de volta com novo CD. A faixa título, "3001", em parceria com Tom Zé, fala de uma "viajem" da Terra, da Lua e de Júpiter, para fora de nosso sistema solar. A visão apocalíptica de Tom vem arranjada com programação de bateria e sons espaciais - que destoam um pouco do CD como um todo - fazendo contraponto com a música "2001"(Tom Zé/Rita Lee), gravada originalmente com os Mutantes em 69.
"3001" é a continuação da história. E que história maluca! Só depois de algumas audições do CD é que dá pra entender mais do diálogo entre as duas músicas "2001" e "3001", que Rita comenta no CD Rom de apresentação do trabalho, que a gravadora Universal Music disponibilizou para a imprensa.
Aliás, este CD Rom deveria ser vendido ao público pois é muito mais legal ver-ouvir os depoimentos de Tom Zé, Zélia Duncan, Itamar Assunpção e Fernanda Takai, que participaram do CD de Rita, do que apenas ouvi-los na gravação em áudio.
Fica provado aqui que coerência, bom gosto e carinho para com o que se está fazendo produzem um trabalho de extrema beleza. E o Acústico do Capital Inicial é assim. Dá gosto de se ouvir. Vai além.
As parcerias são extremamente bem vindas. Zélia Duncan, inspirando Rita em conversinhas sobre sua cachorra labradora de nome Pagu e sobre todas as mulheres do mundo e do Brasil, musicou a letra que recebeu por e-mail:
"Mexo, remexo na inquisição, só quem já morreu na fogueira, sabe o que é ser carvão"... "sou rainha no meu tanque/sou Pagu indignada no palanque" ... "Não sou atriz, modelo, dançarina, meu buraco é mais em cima"... emendando no refrão: "nem toda feiticeira é corcunda/nem toda brasileira é bunda/meu peito não é de silicone/sou mais macho que muito home".
Itamar Assumpção também trouxe sua contribuição com a letra de "Aviso aos Meliantes", que se transformou no que Rita chama de Rock Marciano na boca do estômago: "Vou destruir o Senado, vou depor o presidente/ eu vou trancar os tarados nas celas dos delinquentes/criar mil planos cruzados e 10 moedas correntes... não vai ter mais feriados, não vai mais ter quem me aguente/depois de tudo acabado, ainda faço o seguinte/misturo funk com fado, junto D2 com da Vinci".
Já Fernanda Takai trouxe o lado suave, mas adolescente, com a composição que fez em parceria com Jonh, homenageando o "Love" de todos esses anos entre Rita e Roberto: "vivemos sob o mesmo teto/um amor pode durar um século/tudo foi um grande engano/nosso amor só durou um ano/vamos nos ver outra vez/e o amor se acabou em um mês".
Mas o que chama mesmo atenção no CD é a antiga versão "Erva Venenosa"(Jerry Leiber/Mike Stoller/versão Rossini Pinto). A música, que já foi sucesso na voz da extinta banda Erva Doce, agora na releitura de Rita, ficou ainda mais irônica e divertida. E ganhou clipe!
Produzido pela Conspiração Filmes, o novo clipe de Rita Lee, que faz o papel da diabólica "coisa venenosa" e Roberto, no papel de "investigador que quer desvendar a qualquer custo os crimes da tal venenosa", é extremamente bem feito e bem humorado. Com certeza vai estourar na telinha, junto com a música nas FMs de todo o Brasil.