Ano 2 - nº 22 
10 a 30 de setembro/00 
  

"Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua": a biografia de Sérgio Sampaio

por Bel Carrilho Martins
borage@uol.com.br

O que um compositor deseja? Colocar suas músicas na boca do povo? Isso era o que Sérgio Sampaio queria: ouvir suas músicas no rádio.

Na década de 70, o país passou por um fase de censura total. A produção musical passava pela aprovação de algumas pessoas, que determinavam o que era bom e o que poderia ser ouvido.

Sérgio Sampaio viveu toda a inquietação desta época. Foi taxado de compositor "maldito", assim como Luís Melodia e Macalé, seus amigos.

Pior que a censura imposta pelo governo era a censura da mídia, como Rodrigo Moreira descreve em seu livro "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua", a biografia de Sérgio Sampaio.

Nem tudo foi desilusão, Sérgio Sampaio provou o sabor do sucesso com a música "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua", vendendo muito e ouvindo da janela do seu apartamento sua música ser cantada no carnaval carioca.

Mas também sentiu o "bloco passar", e a ressaca do dia seguinte, com a incerteza de ter novamente suas músicas nos meios de comunicação.

Toda a trajetória do compositor de Cachoeiro de Itapemirim, tendo como cenário a cultura carioca de 70 e 80, que começou como radialista, foi amigo de Raul Seixas e mais um pouco da história recente da Música Popular Brasileira, está no livro de Rodrigo Moreira.

O livro "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua", traz além da pesquisa de Rodrigo Moreira, depoimentos de pessoas que conviveram com Sérgio Sampaio como: Roberto Menescal, Moacyr Luz, Renato Piau, Rogério Duarte, entre outros.

Sérgio Sampaio botou o bloco na rua, não fugiu da briga e tem toda uma obra para ser visitada e conhecida pelos novos compositores, cantores e escritores.

"Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua"
Rodrigo Moreira
208 páginas
Editora Muiraquitã
Contato: (21) 722-0075

"Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua"
Sérgio Sampaio

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca
Que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
E que eu morri de medo
Quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada
E não peço desculpas
Que eu não tenho culpa
Mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou ...

Eu quero é botar meu bloco na rua!
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender (...)

CAPA BORAGE