Lançado pela Tupirama Music o CD "Rosa Cálida" confirma a trajetória de Lucina que simultaneamente se prepara para lançar seu segundo CD solo. A cantora e compositora que fez parte da dupla "Luli & Lucina" por vinte e cinco anos e que criou sucessos como as músicas "Minha Fé", "Miopia" e "Coração na Boca", feitas em parceria com Zélia Duncan, fala do lançamento de seu trabalho no exterior e da relação com seus parceiros musicais.
Que trabalho é este que está saindo para o mercado internacional?
Esse disco é o mesmo que foi lançado no Brasil com o nome de "Inteira Pra Mim" - que recebeu indicação para o prêmio "Sharp" - só que agora está saindo com o nome de "Rosa Cálida" e com mais quatro faixas.
Porque "Rosa Cálida" e porque acrescentar mais músicas?
"Rosa Cálida" é o nome de uma das canções do CD "Inteira Pra Mim", que foi escolhida para dar nome ao trabalho porque a gravadora achou que "Inteira Pra Mim" seria um nome difícil de ser compreendido no exterior. Quanto a colocar mais músicas foi porque existe um padrão para este mercado, onde os discos tem que ter mais tempo de gravação, tem que ser mais longos, o que curiosamente é o oposto daqui do Brasil onde o CD tende a ser mais curto.
Que músicas você escolheu?
Duas que eu já havia gravado em discos de Luli & Lucina, onde eu fazia voz solo, que são "Sereia do Leblon" (Lucina/João Gomes), "Quando a Viola Bota as Coisas no Lugar"(Lucina/João Borges) e as outras são "Uma Coisa à Toa", que é uma inédita em parceria com Zélia Duncan e uma música instrumental chamada "Lua Crescente" de minha autoria, que eu faço na viola caipira e que foi gravada com o pianista Mário Avelar. Nós gravamos na casa dele de uma maneira completamente despretensiosa e quando ouvi o arranjo estava lindo. Daí resolvi colocar.
Onde o CD vai ser lançado?
A base da gravadora fica em Hamburgo, na Alemanha. Mas eles também tem distribuição na Espanha, França, Suíça, Inglaterra e no Japão. A divulgação vai ser feita através da Internet e a idéia é fazer no ano que vem, uma turnê passando por esses países. Mas a parte principal do lançamento vai ser em Berlim.
Vai sair com a mesma capa?
A capa vai sair diferente, com fotos do Rômulo Correia e pintura da Niura Bellavinha, porque a proposta da gravadora é mostrar a arte brasileira. No encarte vai sair além das letras, um texto de apresentação do trabalho escrito pela Lenita Ribeiro. Isso tudo em três línguas: francês, alemão e português.
E o CD "Rosa Cálida" vai estar disponível também para o Brasil?
Infelizmente não.
Então se os fãs brasileiros quiserem conhecer essas quatros novas faixas vão ter que importar o CD?
Bem, eu vou fazer uma divulgação do trabalho em shows. Agora, através das lojas, eles vão ter que fazer uma manobra para comprar o disco.
Estão surgindo outros parceiros pra você além de Luli e Zélia Duncan?
Com os vinte e cinco anos de Luli & Lucina eu fiquei praticamente restrita ao trabalho com Luli e de uns anos pra cá, com o término da dupla, comecei a compor com Zélia, que ficou sendo minha segunda parceira. Nós já temos um trabalho com mais de cinqüenta músicas. Então eu realmente abri para novas parcerias e agora tenho outros parceiros que são Marcelo Diniz, Sueli Mesquita e Lenita Ribeiro. A idéia é abrir mais ainda porque eu sinto muita falta de letras como na parceria que eu tinha com Luli, inclusive porque ela é ótima. Daí eu tive que diversificar.
Você acha que o fato ter novos parceiros imprimiu mais personalidade ao seu trabalho solo?
Não. Continua a mesma coisa. Ficou com outra cara porque são outros parceiros, mas justamente a parte musical me deu uma definição ainda maior daquilo que é "a minha cara". Quer dizer, a parte musical continua a mesma e o que se modificou foram os pontos de vista poéticos.
Estive presente num show seu, onde Zélia Duncan fez uma participação especial e pude ver a manifestação do público pedindo que fosse cantada a música "Minha Fé" (Lucina/Zélia Duncan). Você acha as pessoas confundem quem está cantando com quem fez a música e no caso de Zélia, que tem um destaque maior na mídia, fica parecendo que a música é só dela? Que "porcentagem" composicional, se é que isso pode ser medido, existe numa parceria musical?
No caso do meu trabalho com a Zélia especialmente, são poesias que ela me deu e que musiquei. Então quem está dando todo o ritmo da composição sou eu. Eu estou inclusive criando refrões, porque às vezes lido com um texto enorme que não tem refrão. Eu paro, divido, troco partes, então de uma certa maneira, num caso como este onde você pega a letra pra musicar, acho que quem faz a música tem mais trabalho pra compor.
Existe aí uma "transpiração" muito maior para o compositor da música, mas no final, para o público acaba ficando como um "meio-a-meio". Pra quem está ouvindo, a letra e a música aparecem como se o trabalho fosse proporcionalmente igual. Agora, quando você tem uma música já pronta e o poeta senta do seu lado e faz uma letra por cima da sua melodia, aí você pode dizer que o trabalho - a "transpiração" - é exatamente a mesma de quem vai musicar uma letra bruta.
E a porcentagem, como seria?
Quando você trabalha sobre uma letra, o trabalho é muito maior. Se fosse verdadeira a história do percentual, seria mais ou menos 70% de participação para o compositor que fez a música e 30% para o compositor que fez o poema que foi utilizado. Porque é um processo muito passivo para quem fez a letra. Mas isso não existe. Assim como não existe crédito autoral para um arranjador. Já houve uma proposta para colocar um percentual para o arranjador, como se ele fosse também um compositor da música. Porque existem certas músicas que são simples demais, que só tem uma estrutura. Daí o arranjador chega e cria frases, faz de uma tal maneira a valorização daquela canção que ele realmente mereceria um percentual, como se fosse um parceiro daquela música.
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