Homenagens à três grandes compositores
por Bel Carrilho Martins
borage@uol.com.br
"Ninguém Pode Calar" Alzira Espíndola
Finalmente chega um em CD um trabalho desenvolvido há vários anos pela cantora e compositora Alzira Espíndola. O CD "Ninguém pode Calar" faz uma homenagem à compositora Maysa. Este disco é um resgate de Maysa compositora, que deixou 24 músicas, algumas verdadeiros clássicos da Música Popular Brasileira, como: "Meu Mundo Caiu", "Ouça" e " Adeus".
No trabalho, além das composições da Maysa, estão as músicas: "Bom Dia Tristeza", de Adoniran Barbosa e Vinícius de Morais e "Quem Quiser Encontrar o Amor", de Carlos Lyra e Geraldo Vandré, que foram sucesso na voz de Maysa.
Em "Ninguém Pode Calar" Alzira conseguiu o colorido ideal. Sua voz límpida caiu como luva junto a musicalidade de Luiz Waack, que além de assinar a produção musical ao seu lado tocou violões e guitarras. Um bom exemplo desse diálogo entre os dois está na música "Meu Mundo Caiu", onde as guitarras de Luiz criam o clima certo para a voz de Alzira. Luiz Waack também inovou na vinheta "Chão de Estrelas" (Silvio Caldas/Orestes Barbosa), tocando apenas viola caipira.
Músicos convidados foram: Maurício Pereira, Paulo Lepetit, Gigante Brazil, Simone Soul, Mintcho Garrambone, Ricardo Garcia e Mário Manga, que toca violoncelo em "Tarde Triste". Já na música "Quem Quiser Encontrar o Amor" Alzira conta com a musicalidade de família Espíndola: vocais dos irmãosTetê e Sérgio Espíndola e da filha Iara Rennó.
"Ninguém Pode Calar" foi feito arranjos enxutos e comprova que Alzira Espíndola, além de ser uma grande compositora da atualidade, também é uma ótima interprete.
Fale com Alzira Espíndola:
alziraespindola@ig.com.br
"Ninguém Pode Calar"
Alzira Espíndola
Dabliú Discos
R$ 25,00 em média
"Noel por Ione"
A cantora Ione Papas selecionou músicas pouco conhecidas de Noel Rosa para compor o repertório de seu primeiro CD "Noel Por Ione". A cantora baiana presta uma homenagem ao compositor carioca que se estivesse vivo, em dezembro passado estaria completando 90 anos.
O compositor Noel Rosa sempre esteve presente no trabalho de Ione. Em 1987 ela estreou seu primeiro show "Seu Garçom Faça o Favor...". Em 1989 ganhou o concurso de novos talentos, promovido pela gravadora Dabliú, rádio Musical FM e Moinho Santo Antônio, interpretando um samba de Noel. Além de participar e vencer todas as etapas do programa "Sem Limite" da Rede Manchete, no Rio de Janeiro, respondendo a perguntas sobre a vida e obra do compositor.
O trabalho de cronista da vida carioca também esta presente no CD de Ione, com a música "Por Causa da Hora", onde ele fala dos desencontros do horário de verão e da música "Rapaz Folgado", ambas de autoria de Noel.
Ione Papas confirma que se pode fazer um trabalho original, homenageando um compositor tão popular como Noel Rosa, sem usar suas músicas mais conhecidas.
Para os ouvintes menos atentos, um detalhe: antes da canção "Quando o Samba Acabou" existe uma vinheta com a música "Silêncio de um Minuto" (voz e surdo) que não consta no encarte, está apenas nos créditos mas merecia mais destaque.
O CD tem algumas participações especiais. A cantora Simone Guimarães na música "Coração"(Noel) e Jussara Silveira em "Quantos Beijos" (Vadico/Noel), além de algumas surpresas: na música "Minha Viola" (Noel), Ione une a genialidade de Noel com dois elementos bem brasileiros, a viola caipira de Miltinho Edilberto e a sanfona de Waldir do Acordeon, criando um clima de forró numa embolada. Mesmo se tratando de um lançamento de uma cantora o CD apresenta a faixa instrumental "Choro" (Noel), com a participação do Grupo Choro, Seresta e Cia.
"Noel por Ione"
Ione Papas
Dabliú Discos
R$ 25,00 em média
"Passoca Canta Inéditos de Adoniran"
Bom humor é uma característica bastante particular nas letras de Adoniran Barbosa, compositor diversas vezes homenageado por cantores e músicos. E ao que parece é com muito bom humor que o cantor, compositor e violeiro Passoca está lançando seu mais recente trabalho, "Passoca Canta Inéditos de Adoniran".
O disco reúne canções compostas após a morte de Adoniran. São letras inéditas que foram guardadas por Juvenal Fernandes (amigo de Adoniran) por quase 40 anos, musicadas por vários compositores e instrumentistas, entre eles Paulo Belinatti e Edson José Alves, maestro que assina os arranjos do CD e participa tocando violão e cavaquinho.
O disco abre com a música "Largatixa" (Adoniran Barbosa/Paulo Belinatti/Edson Alves), cuja letra capricha na descrição: "tem gente má / que pega a vassoura atrás da porta / e bate, bate / pra largatixa apanhar / em vez disso / porque não vai dar uma volta?", passa por "Vai da Valsa" (Adoniran Barbosa, recolhida por Renato Consorte) e fecha com "Ditado" (Adoniran Barbosa/Passoca), num simples ditado que diz: "pra todos tiro o chapéu / e com dizo o ditado / que a todos cumprimenta / também é cumprimentado".
Apoiado na sonoridade característica do regional do choro, Passoca interpreta bem a vontade as inéditas de Adoniran, acompanhado pelos excelentes músicos que participaram do disco, como o clarinetista Nailor "Proveta", Edmilson Capelupi no violão 7 cordas e Fred Prince na percussão.
Estreando em show no dia 23 de janeiro no Sesc Pompéia, em São Paulo, Passoca falou à Revista Borage sobre seu novo trabalho.
Passoca, você é mais conhecido como compositor e violeiro. No disco,
apenas a música "Ditado" é de sua autoria em parceria com Adoniran.
Como é gravar um trabalho onde você atua apenas como interprete?
Nos meus trabalhos anteriores eu sempre fiz questão de gravar outros
autores, eu gosto de interpretar canções. No CD anterior ao do Adoniran eu
gravei "clássicos" da música caipira só como intérprete, acho que dei conta
do recado.
Qual é sua opinião sobre as letras de Adoniran, sobre seu estilo de
escrever?
Adoniran na sua "ingenuidade" poética criou um estilo, não creio que
tenha sido premeditado, a vida e o talento nortearam a sua obra. Seus textos
são inconfundíveis, é só ouvir,músicas : "Zé Baixinho", "Bazares",
"Currupaco", "Lagartixa"...por exemplo.
Sua referência sobre Adoniran remonta à época de ouro da rádio Record. Em
seu show de lançamento do CD, você faz alguma referência ao personagem
"Charutinho", que Adoniran interpretava?
Não. Apenas comentarei como o "rádio" foi importante na minha formação,
como artista e cidadão.
O CD foi gravado como resultado de um projeto com apoio cultural. Vai
estar disponível nas lojas?
Atualmente está sendo vendido pelo telefone: ( 011) 4828-5622 (entrega
via sedex). Estou em negociação com uma grande distribuidora .
Fale com Passoca:
textoseideias@uol.com.br