"Caminhos Cruzados" trazem " Paisagens" de "Um Outro Silêncio"
por Laura Campanér
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Três CDs de rara beleza estão à disposição dos aficionados pela música instrumental. São eles: "Caminhos Cruzados" de Teco Cardoso e Ulisses Rocha, " "Paisagens" do violeiro Ivan Vilela e "Um Outro Silêncio" , de Eduardo Agni.
Os três trabalhos privilegiam as músicas inéditas dos próprios instrumentistas.
"Caminhos Cruzados"
Junção perfeita entre sopros e cordas, o trabalho do saxofonista e flautista Teco Cardoso e do violonista Ulisses Rocha realmente "tece um diálogo sutil de texturas e melodias", como diz o texto de apresentação contido no encarte.
A faixa título "Caminhos Cruzados" , de autoria de Tom Jobim e Milton Mendonça, vai para além da união desses dois excelentes instrumentistas, que se encontram nesse trabalho mais afiados do que nunca.
O disco traz alguns temas já conhecidos da música instrumental brasileira, como "Infância" (Egberto Gismonti) e outras do repertório cantado - " Retrato em Branco e Preto" (Tom Jobim/Chico Buarque) e "A Noite" (Ivan Lins/Vitor Martins), mas prima mesmo pelas inéditas de Ulisses Rocha.
O tema "Imigrante" (Ulisses Rocha) é um grande achado, pérola mesmo, da nova música instrumental: um maracatu bem leve e com uma linda melodia.
"Baião Minimal" (Ulisses Rocha) é outra bela música que nos faz viajar na delicadeza da flauta de bambu, fazendo "climas" sobre o velocíssimo violão de Ulisses, num diálogo entre o mágico e vertiginoso.
Os dois músicos se entendem tão perfeitamente em seus instrumentos que o resultado transparece nitidamente na beleza deste trabalho.
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"Caminhos Cruzados"
Teco Cardoso e Ulisses Rocha
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O toque da viola de Ivan Vilela
Saudade tem remédio? Tem: o CD do violeiro Ivan Vilela. Saudade do interior, das coisas caipiras que cada um de nós trazemos na lembrança, do toque da viola caipira.
O compositor e instrumentista Ivan Vilela já foi indicado para o Prêmio Sharp na categoria "Revelação Instrumental" de 1999 com o CD "Paisagens". Seu trabalho traz o cheiro de mato em todas as faixas, com o tempero da Rabeca de Luiz Fernando Fiaminghi na música "Valsa Para Viver um Grande Amor", a percussão em vasos de cerâmica de Magrão, o violão de Ricardo Matsuda e algumas pitadas das flautas de Mané Silveira.
Em paisagens Ivan Vilela presenteia os caipiras tradicionais com o clássico "Saudade de Minha Terra" de Goiá e Belmonte e com a universal "Asa Branca" de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, mas tem como principal fundamento suas próprias composições, todas bastante inspiradas.
"Pra Matar a Saudade de Minas", faixa que abre o CD, diz exatamente ao que veio e é sem dúvida, uma das músicas mais bonitas do trabalho. Este "pagode caipira" mostra a viola em sua plenitude, com todas as técnicas que o instrumento oferece: batidas no tampo, ponteio e o toque de mão direita típico do pagode.
O trabalho todo é um misto de erudição - pela excelente execução de Ivan em seu instrumento - e de brasilidade que a viola caipira nos traz.
Vale conferir!
Fale com Ivan Vilela
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CD "Paisagens"
Ivan Vilela
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"Um Outro Silêncio"
O segundo disco do violonista Eduardo Agni traz convidados especiais, todos já consagrados. Flávio Venturini, Marlui Miranda, Teco Cardoso, Caíto Marcondes, Benjamim Taubkin, Dennis Belik, Chandra Lacombe são alguns dos músicos que o acompanham para mostrar esse novo trabalho autoral.
"Um Outro Silêncio", faixa título que abre o CD, conduz o ritmo do trabalho, lento e melancólico. Agni vai se revelando aos poucos em seus temas experimentais, que envolvem bastante fluência rítmica e técnica apurada para a mão direita.
O silêncio que ele comenta, aparece ainda duas vezes no disco: na faixa três lá está novamente "Um Outro Silêncio", desta vez de maneira diferente, como um outro tema. Ele contrabalança a duração das faixas, compondo um CD em seqüência de climas, bastante entrelaçados. Alguns temas são longos, durando 11 minutos e outros breves, não chegando a 1 minuto.
Ao final do trabalho "Um Outro Silêncio", se faz presente, agora trazendo sons vocais, como os de um ritual, num breve vocalize de Flávio Venturini.
Eduardo Agni se esmera para descrever com sons o que ele entende por silêncio: "... o silêncio deixara de ser mera ausência de sons e ruídos. Era então um outro silêncio, inaugurando no íntimo dos sons uma dimensão de paz e infinitude. Um silêncio cuja origens desconhecíamos, mas ele estava ali".
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"Um Outro Silêncio"
Eduardo Agni
Azul Music
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