Ano 3 - nº 28 
03 a 20 de Maio/01 
  
"O Melhor de Vicente Barreto"

por Laura Campanér
lauracampaner@borage.com.br

Atenção galera! Se liguem no novo disco de Vicente Barreto! O CD "O Melhor de Vicente Barreto" é uma ótima oportunidade para reconhecer a obra deste excelente compositor, que já teve tantas músicas gravadas na voz de medalhões como Alceu Valença e Elba Ramalho entre outros, mas é tão pouco conhecido como cantor.

De cara o disco abre com "Cisma" (V.B./Costa Netto), que diz: "como é que pode estar só / a coragem de quem sem nada de seu / perde tudo que tem, cai na enxurrada, sem chão pra pisar / e que ainda cisma em se equilibrar", passando pela crítica letra do reggae "A Notícia" (V. B./Celso Viáfora), falando:" o New York Times não deu nenhuma linha / mas ontem no Xingú / um índio se afogou e uma guarda-marinha se atirou pra salvar sua vida ", para fechar com aquela música que dispensa comentários: "Tropicana" (V.B./Alceu Valença).

É importante ressaltar que apesar de trabalhar com letras de excelentes autores, é Vicente Barreto que dá vida a essas parcerias, com aquilo que sustenta a base de uma canção, ou seja, a música.

Pouca gente toma tento, mas é a música que carrega a letra e não o contrário. Está certo que hoje em dia a letra de uma música é de "capital" importância, pois é a letra que passa toda a mensagem "compreensível" para o público, que "dá o recado", já mastigado, quase digerido. Porém se isso tudo não for feito com uma estrutura interessante meu amigo... um abraço! Ninguém presta atenção na dita cuja e ela passa a ser só mais uma.

Vicente Barreto merece atenção pois é desses compositores que cria belas melodias, com ritmos cadenciados de sua mão direita nas batidas do violão, o que valoriza suas parcerias.

Apesar da forte influência de ritmos nordestinos em suas canções, como o xote, o baião, o afoxé & companhia, Vicente mostra que domina outros gêneros musicais como no samba "Por Um Fio" com Celso Viáfora e no reggae "Talvez Você" em parceria com Chico César. Se ligue!

"O Melhor de Vicente Barreto"
Vicente Barreto

Dabliú Discos
dabliu@vento.com.br
R$ 18 em média

1. "Cisma" (Vicente Barreto/J.C.Costa Netto)
2. "Deolinda" (Vicente Barreto/Chico César)
3. "A Notícia" (Vicente Barreto/Celso Viáfora)
4. "Mão Direita" (Vicente Barreto/J.C.Costa Netto)
5. "Por Um Fio" (Vicente Barreto/Chico César)
6. "Toada da Lua" (Vicente Barreto/J.C.Costa Netto)
7. "Talvez Você" (Vicente Barreto/Celso Viáfora)
8. "Ano Bom" (Vicente Barreto/J.C.Costa Netto)
9. "Na Volta que o Mundo Dá" (Vicente Barreto/Paulo C. Pinheiro)
10. "Longa Estrada" (Vicente Barreto/J.C.Costa Netto)
11. "Hein?! (Vicente Barreto/Tom Zé)
12. "Menino Pandeiro" (Vicente Barreto/Paulinho Pedra Azul)
13. "A Cara do Brasil" (Vicente Barreto/Celso Viáfora)
14. "Suinguiando o Coração" (Vicente Barreto/J.C.Costa Netto)
15. "Tropicana" (Vicente Barreto/Alceu Valença)

Outros trabalhos de Vicente Barreto:

"Mão Direita"
Dabliú Discos
Gravado em 1996, "Mão Direita", é um disco com belas canções, numa sequência muito agradável de se ouvir. Usa e abusa do violão de Barreto, acompanhado por vezes pela percussão, flauta e cordas eruditas. A faixa-título "Mão Direita", em parceria com J.C. Costa Netto, com abertura de versos recolhidos de uma canção do folclore brasileiro, norteia o trabalho, sintético. Destaque para o afoxé "Longa Estrada", também com J.C. Costa Netto: "sou homem de desafiar, seu medo de me bem querer / deitar no seu colo e adormecer / sou homem e vou madrugar, partir num destino qualquer / sou homem de nunca deixar você".

"Ano Bom"
Dabliú Discos
Gravado em 1995, "Ano Bom" é um trabalho com perfil voltado para a música baiana, traz arranjos que tem como base o teclado, bem de acordo com a época em que foi gravado. "Ano Bom" traz no encarte um texto assinado por Tom Zé, também parceiro de Vicente, dizendo sobre sua trajetória: "Sem pressa. Na pisada regular. O Barreto não se avexa. O seu tempo tem parentesco com o tempo do Mito, cujo bumerangue se alça sopesando cada signo do Zodíaco, roda o céu com o braço, desce girando na água do profundo oceano e volta firmino e firmado, esquipando como".

CAPA BORAGE