Resposta para um amigo.
Poderia falar de muitos assuntos neste editorial, mas vou usá-lo para conversar com um amigo. Esse amigo é daquelas pessoas que são verdadeiros bancos de dados musicais. Com datas de shows que já aconteceram, discos de artistas independentes, recortes de jornais sobre acontecimentos musicais importantes, como por exemplo, um exemplar de cada jornal da capital paulista, do dia em que a cantora Elis Regina faleceu.
Esse exemplo de pessoa até que é comum. Caras que colecionam jornais e discos sobre música. Mas o que o diferencia, é que ele vara madrugadas ouvindo rádio. Ouve de tudo, separa, e decide o que gosta ou não gosta.
E não é que esse meu amigo foi tomado por uma crise de saudade?
E como não poderia ser o contrário, esta o apanhou num feriado.
Então ele ouviu fitas e mais fitas de shows antigos, colocou na vitrola, sim, na vitrola, uns Lps e depois partiu para ouvir os novos CDs. Cantores e cantoras que cairam na graça e no gosto dele.
Depois de ouvir de tudo, até deixar os familiares e ao vizinhos surdos, e esse fato ele omitiu em nossa conversa, mas se eu bem o conheço, ele ouve seus discos sem importar muito com o volume, privilégio de quem mora em bairro e não tem porteiros interfonando para reclamar nem síndicos ameaçando de multas, ele partiu para um auto-questionamento do por quê certas cantoras como Klébi, Regina Machado, Laura Campanér, Lucina e Alzira Espíndola, não estouram na mídia?
Por quê projetos como o antigo "Seis e Meia" da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, da década de 80, não existem mais? Por quê muitos cantores maravilhosos estão sem gravadoras? Por quê? Por quê?
E como não podeira deixar de ser, toda sua paixão pela música veio a tona. Isso por um lado foi bom. Já que ele andava meio conformado com a situação musical atual no Brasil.
Agora, e sobre a pergunta de até quando uma série de compositores e cantores ficarão no anonimato? O que poderiamos fazer para mudar esse cenário? Eu simplesmente poderia responder: È uma questão de mercado. Mas faço uso dos versos do compositor, Paulo Padilha, na música "Certeza é Ilusão" para responder: "Certeza é só no dicionário", mas vamos fazer novos projetos, programas de rádios, fanzines, fãs clubes, etc.
É meu amigo. Como você mesmo diz todos nós temos o poder de transformação.
Bel Carrilho Martins
Diretora Executiva
borage@uol.com.br.