Ano 3 - nº 31 
07 a 30 de agosto/01 
  
A última dose

por Christoph Kovacsics
ck1212@ig.com.br

Há quem diga que o primeiro álbum de uma banda é sempre o melhor e que os demais são ecos anêmicos daquele. Não é o caso de "The Night", álbum póstumo do Morphine. A verve de Mark Sandman, morto em 1999, está acesa em todas as faixas. Por trás da sonoridade sonolenta e minimalista, há um cérebro musical sofisticado pulsando, polindo a difícil combinação do baixo slide de duas cordas, sax e bateria, marca registrada da banda.

Embora nada tenha mudado muito, o conceito Morphine soa maduro e aprimorado. Sustentadas por arranjos tensos, lentos e sombrios, as músicas falam de amores perdidos, festas estranhas, abandono, solidão, melancolia e falta de romantismo, num parentesco saudável com a obra de Leonard Cohen. O ponto alto de "The Night" fica por conta de "Rope on Fire", oriental e hipnótica, descrevendo os aspectos claustrofóbicos de uma relação amorosa desesperada. Mas há um refinamento inteligente nessa densidade sonora e poética. Sem dúvida, é o Morphine dando o melhor de si.

"The Night"
Morphine

Trama
R$ 22 em média

CAPA BORAGE