Ano 3 - nº 31 
07 a 30 de agosto/01 
  
Três estilos musicais em lançamentos

 

As Novas Bossas da Música Popular Brasileira

Bel Carrilho Martins
borage@uol.com.br

Depois de quarenta e três anos do lançamento do movimento "Bossa Nova" a única manifestação musical brasileira que conquistou o mundo, continuam sendo lançados no mercado trabalhos nesta linha.

Um CD que acaba de ser lançado é "Sessão Dupla / Novas Bossas" de Bob e Suzana Tostes. Um trabalho que não ficou preso aos sucessos do movimento, como o nome mesmo sugere, uma surpresa é o Medley "Bossa Rock" onde podemos ouvir entre alguns clássicos da música dos anos 80, "Corações Psicodélicos" de Lobão, Bernardo Vilhena e Júlio Barroso, "Nada Por Mim" de Herbert Vianna e Paula Toller e "Fullgás" de Marina e Antonio Cícero.

Quando você acha que o CD vai trazer uma daquelas músicas dos anos 60, entra algo bem familiar, "Deixa Chover" de Guilherme Arantes. O CD traz outras faixas interessantes como "Beiral" de Djavan, "Com você" de Lô Borges e "Tudo é Você" de Rodolfo Mendes e Paulinho Pedra Azul, compositores contemporâneo que não são conhecidos por compor no estilo. A faixa título, "Sessão Dupla", é uma música inédita de Roberto Menescal e J.C. Costa Netto.

Também muito agradável é o Medley dedicado as bossas de Caetano Veloso, "Certeza da Beleza", "Luz do Sol", "Você é Linda" e "Lindeza", com participação da cantora Jane Duboc.

O clima de Bossa Nova está o tempo todo no trabalho, ora trazida pelos arranjadores como Roberto Menescal e Renato Motha ou pelo estilo de interpretar dos irmãos Bob e Suzana Tostes, que sempre estiveram próximos do movimento. Suzana estreando aos 14 anos, ao lado de Mário Telles no Teatro da Imprensa Oficial, cantando "Desencontro" no lugar de Sylvinha Telles que morreu tragicamente num acidente de automóvel. Depois fez as participações especiais em shows de Nara Leão e Jane Duboc.

Bob Tostes participou do movimento "Musicanossa", no início dos anos 70, ao lado do compositor Roberto Menescal e também participou ao lado de Menescal, Carlos Lyra, Johnny Alf e outros, do CD "Bossa Nova Wonderland" um CD lançado no Japão em comemoração aos 25 anos do movimento.

Para os apreciadores dos clássicos da Bossa Nova o CD traz "O Negócio é Amar" de Carlos Lyra e Dolores Duran e "Desafinado" de Tom Jobim e Newton Mendonça. A voz de Bob Tostes às vezes me fez lembrar Johnny Alf, compositor e cantor, um dos percussores do movimento.

Fale com Bob e Suzana:
novasbossas@uol.com.br

"Sessão Dupla/Novas Bossas"
Bob e Suzana Tostes
Dabliú Discos
R$ 20,00 em média
dabliu@vento.com.br

 

"Tenho Saudades" de Carmina Juarez

A cantora Carmina Juarez lança o CD "Tenho Saudades", um pouco da história da música brasileira e do clima musical entre as décadas de 30 a 50. O CD é uma homenagem a Elisinha Coelho, cantora que teve projeção nacional, em 1936, inaugurou a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, assinando em seguida seu primeiro contrato de exclusividade na Rádio Mayrinque Veiga. Foi a cantora que gravou em 1930, a música "Rancho Fundo" de Ary Barroso e Lamartine Babo, acompanhada pelo próprio Ary Barroso ao piano.

Carmina Juarez mantém em seu segundo trabalho a coerência de uma interprete que esta construindo sua carreira sem grande barulho, fiel aos clássicos da Música Popular Brasileira, uma das vozes mais definidas da nova safra de cantoras. O primeiro CD foi "Arrasta a Sandália", em 1996, uma ótima apresentação para o cenário musical da atualidade.

O CD destaca as principais músicas do repertório interpretado por Elisinha Coelho, como a música no "Rancho Fundo", uma obra das mais conhecidas do compositor Ary Barroso e a "A Minha Viola é de Primeira" de Amélia Brandão Nery.

No encarte do CD traz um pouco da história de Elisinha Coelho, cantora que recebeu do próprio Ary Barroso, o apelido de "Pássaro Cantador", informação esta que, não fosse trabalhos de pesquisa como este de Carmina Juarez, não viria a público.

"Tenho Saudades"
Carmina Juarez
Dabliú Discos
R$ 20,00 em média
dabliu@vento.com.br


"Airá Otá" uma pedra que pode voar

Quem já viu Vitor da Trindade e Carlos Caçapava no palco, sabe que eles são pura alegria na arte da percussão. Tocam juntos desde 1975, e já acompanharam vários artistas. A dupla que já se apresentou usando diversos nomes como "Vitor e Caça", "Banda Semente de Baobá" e por último Duo "Airá Otá", traz agora um trabalho Violão e percussão: o CD "Airá Otá - Vitor da Trindade e Carlos Caçapava".

O nome "Airá Otá" que na linguagem do Povo dos Orixás significa "uma pedra que pode voar, o assentamento e a ousadia", logo na primeira faixa mostra o "diferente", tanto na voz de Vitor da Trindade, quanto no ritmo e nas influências.

As músicas são baseadas nos ritmos das tradições Afro-Brasileiras, no Candomblé, no Maracatu, no Côco, uma mistura de estilos que resultou num trabalho simples e contagiante.

Nas faixas "Rio" de Solano Trindade e Vitor da Trindade e na "Pregões do Rio" de Vitor da Trindade nota-se a urbanidade, uma lembrança da modernidade de Itamar Assumpção, tanto no estilo de compor como na interpretação.

As origens do Duo estão bem fortes nas faixas "Quizumbiando" única música de Caçapava no CD, gravada apenas com pandeiro, triângulo e sanfona e "Zumbi" mais uma parceira de Vitor da Trindade com o poeta Solano Trindade, como se fosse um hino.

O CD é curto, 10 faixas, aproximadamente 38 minutos, mas dá para aceitar o convite que eles fazem na música "Oferenda" de Vitor da Trindade: "vem ouvir no meu canto / coração / pulsa / África Negra ..." para tentar entender a África e a modernidade desses dois músicos, que encerram o trabalho com "Breznik 1", "A imagem é uma viagem / que se acompanha do som / e do silêncio". Então aperte novamente o play.

Fale com Duo "Aitá Otá" datrindade@bol.com.br

"Aitá Otá"
Vitor da Trindade e Carlos Caçapava
Dabliú Discos
R$ 20,00
dabliu@vento.com.br