Belle & Sebastian destila lirismo em novo single
por Beto Gomez
beto_gomez@uol.com.br
Demorou! Muita gente já tinha pegado a faixa principal na internet, os fãs mais desesperados já tinham comprado importado (lançado 16 de julho nos EUA e Reino Unido). Mas, enfim, chegou por aqui o último single do Belle & Sebastian, pouco antes da bombástica notícia que a banda se apresentará logo mais no Free Jazz (entre algumas pessoas que conheço, houve intensas trocas de email, chiliques, gritos e pitis, inclusive meus).
Bem, vamos ao CD. Para quem é fã, a surpresa mesmo é a capa, em um estilo psicodélico anos 60, assumindo o lado retrô da banda, e que é uma brincadeira com a história de David e Golias, tema também da faixa principal, "Jonathan David", contada no encarte.
David derrotou Golias e se tornou um amado rei; seu melhor amigo, Jonathan, acabou meio que, digamos, sobrando. A música é o desabafo do tal Jonathan, quando David fica com a garota que ele gosta, e é tipicamente o Belle & Sebastian que amamos: batidinha acelerada, pianos, órgãos, violões e vocais sobrepostos, tímidos e tristes; tudo no lugar certo e na hora certa.
A segunda faixa, "Take Your Carriage Clock and Shove It", sem dúvida a mais bonita, começa com um arrebatador e econômico arranjo de cordas e vira uma balada doce, com uma letra que vai cortando o coração aos pouquinhos: A honra me proíbe, mas dane-se a honra/ Você reclamou até conseguir o que queria/ Eu fiz tudo e quando as coisas pioraram/ Você nos deixou apodrecendo. Os arranjos de cordas voltam aqui e ali até o final, quando você já deve ter em mãos um lencinho.
Já "The Loneliness of A Middle Distance Runner" a terceira e última - sim, infelizmente dessa vez são só três - não deixa por menos e, em cima de mais uma baladinha meiga, a porrada vem novamente na letra: O futuro parece bem colorido/ É da cor do sangue, do caos/ E da corrupção de uma alma feliz.
Pelos deuses da música! Imaginem como vai ser ouvir isso ao vivo, frente a frente com os reis do lirismo pop da atualidade! E as resenhas sobre última turnê da banda pela Europa já avisaram: é pura emoção, e muita gente chora. Vamos começar a contagem regressiva...
O doce rock de Belle & Sebastian
por Mailu Teixeira Cardoso
maylu_tc@hotmail.com
O octeto da pequena cidade de Glasgow aclamado pela crítica especializada teve seu primeiro lançamento em abril de 96, quase que como um "trabalho escolar" depois que o líder da banda, Stuart Mordoch, decidiu estudar música. O disco "Tigermilk" foi gravado como projeto experimental em uma parceria do estúdio com o curso, lançado apenas em vinil e com uma tiragem de 1000 cópias. Virou sensação no círculo alternativo do Reino Unido e se tornou raridade até 99 quando foi relançado.
Eles fazem um rock intimista, melancólico, em um som acústico recheado de violinos com uma pitada de eletrônico. As letras são poéticas, inteligentes e cheias de frases de efeito que nunca soam arrogantes.
O segundo disco veio também em 96, "If You're Feeling Sinister", confirmando que eles vieram pra ficar. A partir daí vieram vários singles e mais dois álbuns, "The Boy With The Arab Strap" (98) e "Fold Your Hands Child, You Walk Like a Peasant" (2000), sempre com sucesso de crítica e público.
Os discos e singles foram lançados no Brasil no ano passado, pela gravadora Trama, portanto se você se animou vai ver que não é difícil encontrar os CDs. E tem mais: a banda confirmou presença no Free Jazz Festival desse ano, no palco principal. O show acontecerá nos dias 26/10, no MAM no Rio de Janeiro e 27/10, no Jockey Club em São Paulo. A venda de ingressos deve começar no início de setembro.
Será o primeiro grande concerto deles fora do eixo Reino Unido-EUA e em entrevista recente à Folha de São Paulo o líder da banda se declarou surpreso com o sucesso no Brasil e animado pra conferir de perto. Pra quem quiser e puder sugiro que não perca, pois com certeza é um show que promete.