Ano 3 - nº 34 
23 de outubro a 20 de novembro/01 

Shows de Eric Clapton e Free Jazz: você foi?

por Ciro Bottini
ciro@cirobottini.com.br

CD se compra pelo telefone

Atenção consumidores de CD's, DVD's, livros e entretenimento em geral. Agora ficou bem mais fácil comprar sem sair de casa e já preparar os presentes deste Natal. A gravadora Som Livre, braço musical da Globo, tem um site chamado Som Livre.com através do qual vende seus produtos. Até aí tudo bem, todos conhecem o site, inclusive a Folha de SP fez uma pesquisa com pessoas do Brasil inteiro pra eleger o Top of Mind na internet (os sites mais lembrados) e na categoria venda de CD's, a Som Livre.com ficou em primeiro lugar disparado.

Mas o melhor vem agora: rolou uma parceria entre a Som Livre.com e o Shoptime, portanto, o meu programa de música no canal que se chamava CD Mania acabou e foi substituído pelo programa Som Livre.com. O formato do programa é o mesmo, mas a partir de agora teremos o maior sortimento de toda a América Latina. Vejamos: 25 mil CD's, 10 mil DVD's, 65 mil livros e muito mais, tudo relacionado a entretenimento.

Eu, o programa, o Shoptime e principalmente o público, todo mundo só tem a ganhar com a novidade. Quero lembrar que esse é o único programa do gênero no Brasil, com venda direta de CDs, entrevistas e shows com artistas que vão ao programa pra falar de seus lançamentos. Na estréia do programa, dia 22 de outubro, recebi o Fala Mansa, grupo de forró que já vendeu quase 2 milhões de cópias no Brasil. Ótima iniciativa, já que o mercado fonográfico brasileiro anda meio estranho e precisando de novidades. Estou otimista e sei que o final de ano será bom. Caso você queira fazer sua comprinha nosso número é 0300 7897777

O cara é bom de qualquer jeito

Numa das colunas anteriores falei sobre alguns motivos que tornavam obrigatória a ida ao show de Eric Clapton. Você foi? Eu estava lá na Praça da Apoteose e agora aponto alguns motivos que podem afastar qualquer pessoa de um show naquele lugar. Quem já esteve lá sabe que os arredores são muito perigosos e pra aumentar o pânico, o policiamento era deficiente. E o carro, onde deixar? Eu nunca vou a shows desse porte de carro, pego táxi pra ir e voltar, mas dessa vez um amigo me ligou, disse que estava indo de carro e me convidou. Ainda insisti pra que ele mudasse de idéia, mas ele é meio preguiçoso e então fomos.

Chegando lá nada de estacionamento, tudo complicado e o carro ficou na rua. Na volta ele ainda estava lá, na minha opinião quase um milagre. Mas o pior foi a entrada do show, uma desorganização total, a fila era gigantesca e não havia uma catraca eletrônica sequer, a autenticidade dos ingressos era verificada visualmente, o que demorava pra caramba.

Muito tempo depois entramos. Alívio geral, aquele sentimento de que tudo valeu a pena, ansiedade para o começo do show. Quando Clapton entrou com seu violão ninguém ouvia nada, pois o som estava baixo demais e o técnico foi acertando no decorrer das músicas. Lá pro meio da apresentação estava um pouco melhor mas mesmo assim bem aquém do que a gente espera em shows desse porte. No começo da última música nos mandamos pra não pegar aquele congestionamento terrível, já que eram 38 mil pessoas pra ver o Deus da guitarra. Tudo bem, claro que valeu a pena. Só pra terminar: adoro todas as facetas musicais do Clapton, inclusive o lado mais bossa nova que ele desenvolveu recentemente, mas gosto muito mais quando ele pega a guitarra...

Todo mundo foi no Free Jazz

E muita gente nem se importava muito com os shows e sim com a agitação no Village, área onde havia muitos restaurantes, bares e gente bonita circulando. Isso no RJ, no MAM - Museu de Arte Moderna, um lugar chocante e muito bem escolhido. A organização do evento é exemplar, a segurança muito bem cuidada, enfim, um festival feito com capricho total. E os shows? Gostei dos que vi, embora não tenha havido uma apresentação que possa ser classificada como arrasadora.

No show dos rappers cubanos do Orishas, pudemos dançar bastante mas se trata de uma banda média; a expectativa em cima do Fatboy Slim era alta demais; a mesma coisa vale para a Macy Gray; os moderninhos melancólicos adoraram o Belle & Sebastian e o palco Club, para os jazzófilos puristas, estava com bons nomes mas vazava som das tendas vizinhas e da área dos bares, o que pode ter irritado um pouco alguns freqüentadores. Resumindo, foi ótimo ter ido mais um ano ao Free Jazz, que terá sua última edição, pelo menos com esse nome, no ano que vem. Torço para que outra empresa assuma o festival em 2003.

Abraços a todos

CIRO BOTTINI
ciro@cirobottini.com.br

CAPA BORAGE