Nossa memória às vezes falha pelo excesso de informação. De áudio e imagem que recebemos a todo momento nas grandes cidades. No entanto alguns sucessos musicais do passado estão em nosso inconsciente, como uma forma de herança sonora.
E principalmente na lembrança de pessoas que sentiam a música como única forma de expressar sentimentos e modo de vida. Época em que o som significava tudo, não tinha apelos visuais, era tudo ao pé do rádio.
A dupla Cascatinha e Inhana foi um fenômeno de vendas na década de 50, atingindo a vendagem de 500 mil cópias com a música Índia, no ano de 1951.
Imaginem o que significa vender meio milhão de cópias, sem os recursos que temos hoje, sem os profissionais de marketing.
Mais importante do que um grande número de compactos vendidos, é lembrar desses artistas, que percorreram o país cantando e representando peças teatrais em circos. O único meio de diversão da população interiorana naquela época.
Sem nostalgia, o circo foi "casa de espetáculo" até a década de 70. Tinha um papel fundamental na vida dos artistas e do público. Quando ele chegava na cidade era passeio familiar e obrigatório.
E são essas lembranças que muitas pessoas revivem quando ouvem músicas como: "Meu Primeiro Amor" e " Flor do Cafezal". Mesmo que essa lembrança seja da tia, da mãe ou do pai cantando essas canções.
É fundamental que seja feito um resgate de nossa memória cultural. Para que os ídolos do passado não caiam no esquecimento. E sem pieguice, para que possamos dar à eles o lugar que eles conquistaram.
Bel Carrilho Martins
Diretora Executiva
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