Ano 3 - nº 35 
22 de dezembro/01 a 20 de janeiro/02 

Nebula e Matmos

por Mailu Teixeira
maylu_tc@hotmail.com

Nebula: psicodelismo pesado

Nebula é uma das mais novas apostas do selo Sub Pop, o mesmo que lançou bandas como Nirvana, Mudhoney e Soundgarden. O trio californiano criado em 1997 é formado por Eddie Glass (vocal/guitarra) e dois ex-integrantes da banda de stoner rock Fu Manchu, Mark Abshire (baixo) e Ruben Romano (bateria).

Charged é o segundo álbum do Nebula, que faz som pra quem gosta do bom e velho rock'n'roll. O disco é simples e puro rock psicodélico com influências de nada mais nada menos que Jimi Hendrix, 13th Floor Elevators, Black Sabbath e The Stooges. Com tudo isso, não seria nem preciso dizer que a banda já caiu nas graças da crítica e do público.

A faixa que abre o disco, "Do It Now", já está sendo considerada o "hino da nova geração da Sub Pop". Mas esse é só o começo, depois vêm "Beyond" e "Giant", sempre na guitarra poderosa de Eddie. Chega "Travellin' Man's Blues", que lembra um pouco de Black Crowes, e o ótimo jam no ínicio de "Instant Gravitation".

"This One" e "Goodbye Yesterday" são mais calmas e também muito boas. "All the way" é a música que fecha o disco, cheia de psicodelismo.

Se ficar um gosto de "quero mais" pode ter certeza que não vai faltar. Há ainda duas faixas bônus, "Humbucher" e "Cosmic Egg". A primeira pesada e empolgante e a segunda num estilo mais acústico, só com voz e violão. Não é preciso esforço pra viajar no som blues psicodélico/elétrico do Nebula.

Serviço:
Charged
Nebula

Trama

 

O som cirúrgico do Matmos

Você já se imaginou dançando ao som dos bisturis? Eu explico: Matmos é um duo eletrônico americano criado em 1997 e formado por Martin C. Schmidt e Drew Daniel. A Chance to Cut is a Chance to Cure é o segundo álbum do duo e foi feito pela mistura de sons gravados em lipoaspirações e cirurgias plásticas, entre outras coisas do gênero, com samples feitos em estúdio. Ou seja, é um som literalmente cirúrgico. Entendeu agora?

O disco é composto por sete ótimas músicas e confesso que depois de saber o conceito inusitado que as originou isso só me fez gostar mais ainda delas.

A primeira, "Lipostudio...And So On" é cheia de sons de sucções retiradas de uma lipoaspiração de verdade. O resultado é ótimo: uma batida pesada (com o perdão do trocadilho) e um som relaxante. Dá pra acreditar?

A segunda é "L.A.S.I.K", é produto de sons de uma cirurgia de correção ocular. Então vem "Spondee" que se inicia com palavras de ênfase tônica na primeira e segunda sílabas, os tais spondees, sendo lidas por uma audiologista em um teste pra crianças com problemas auditivos e depois vira uma batida funk dançante.

Se você achava que nada mais poderia ser surpreendente, "Ur Tchun Tan Tse Qi" prova o contrário. Ela surgiu quando Schmidt se submeteu a um processo de medição da resposta de sua pele a uma corrente constante de eletricidade. As mudanças no som foram geradas pela proximidade da corrente com os pontos de acupuntura.

"For Felix (And All The Rats)" é composta por sons produzidos com a gaiola de Felix, falecido ratinho da dupla. A música tem o propósito de "protestar" contra a morte diária de animais de laboratório e é dedicada ao Felix. Ela realmente traz emoção, principalmente quando chega ao ápice que parece nos levar pra dentro de um filme de terror.

Chega-se no instante mais mórbido com "Memento Mori", que é o processamento do som de crânios, ossos e dentes humanos sendo batidos e manipulados. Música que começa lenta e depois vira uma batida funk.

O álbum é fechado com chave de ouro com "California Rhinoplasty", criada por sons de várias cirurgias plásticas misturados com sons de flauta. Talvez seja a melhor do disco. Tem uma batida groove que pode te fazer dançar ou meditar.

É isso, o disco é ótimo e o conceito melhor ainda. Tem até algumas fotos pra fazer entrar no clima.

Serviço:
A Chance to Cut is a Chance to Cure
Matmos
Trama

CAPA BORAGE