Ano 3 - nº 37 
23 de abril a 15 de maio/02 
  
Patricia Marx volta à cena: entrevista

por Bel Carrilho Martins
borage@uol.com.br

Sem medo de experimentar, de inserir ritmos e estilo ao seu trabalho, Patricia Marx chega ao mercado brasileiro com o CD "Respirar". O disco, lançado pela Gravadora Trama, é o oitavo de sua carreira musical. Carreira iniciada nos anos 80, em plena infância, no Trem da Alegria, grupo que foi um fenômeno da música infanto-juvenil, na época.

Em seguida veio a carreira solo, com três discos produzidos pelo Michael Sullivan e Paulo Massadas, compositores que tinham a formula de criar canções populares na década de 80. Dupla de sucesso absoluto nas vozes de diversos interpretes.

E na hora de dar uma guinada na carreira artística, como conseqüência do fim da adolescência, Patricia foi ousada. Colocou sua musicalidade e sua voz afinada no disco "Neoclássico". O trabalho, feito para o mercado japonês, continha somente standards da música brasileira.

Com uma carreira em formação, Patricia gravou, no período de 95 à 98m, mais três CDs para o selo Lux Music, do jornalista e compositor Nelson Motta. Nelson Motta, também conhecido como o produtor que descobriu nomes importantes da Música Brasileira, entre eles Marisa Monte, estimulou a cantora a seguir o novo caminho: da música pop dançante.

Em mais um salto em sua carreira com o CD "Respirar", Patricia Marx mostra agora seu lado de compositora e produtora e acrescenta ao seu trabalho mais um elemento: a música eletrônica. Patrícia Marx contou com dois importantes nomes do cenário da música eletrônica brasileira para a produção de seu disco: Bruno E, co-autor em metade das composições e de Mad Zoo, que também assinou a co-autoria em 4 canções.

Mesmo sendo um trabalho cantado em português, exceto a faixa "Close" de Bruno E e Ady Harley, o disco traz Patrícia Marx para o público da música eletrônica. Da música eletrônica Inglesa tem o Grupo 4Hero, que produziu duas faixas do CD: "Submerso" e "Dona Música", que contou com o suingue e o soul da voz do cantor e compositor Simoninha.

Patrícia Marx fala sobre seu CD e música eletrônica:

Como foi fazer esse novo trabalho?
Esse CD tem a parte autoral, que para mim foi muito bom. Eu precisava mesmo dar esse passo à frente na minha carreira. Produzir o disco todo. Acompanhar os mínimos detalhes. Eu já estava me sentindo segura e madura para estar fazendo isso.

E trabalhar com música eletrônica?
A música eletrônica é uma coisa que eu já vinha flertando desde outras épocas. O disco que eu gravei com Nelson Mota em 98, já tinha um "que" de música eletrônica e de dance music. Então já tinha um namoro com a música eletrônica. E 98 quando eu conheci o Bruno, meu marido e produtor desse disco, ele já era produtor de música eletrônica. E foi ai que eu conheci vários outros estilos drum´n´bass, hip hope. Foi conhecendo e escutando coisas novas, ouvindo CDs que chegavam de fora, da Europa que eu fui me preparando para fazer o disco.

E o nome "respirar" como surgiu?
Eu coloquei o título de "Respirar" porque é um momento de liberdade total. Liberdade musical, conceitual e de capa. Eu pude escolher todas as coisas. E isso eu devo a Trama que dá toda a liberdade aos artistas. Coisa que eu nunca tive. Eu já passei por duas majors e tudo vinha pronto. Isso abriu valores na minha carreira de forma fantástica.

A maioria das letras são de amor. Foi proposital?
Isso tem a ver com a minha vida. Uma coisa que eu incorporei na minha vida mesmo. Inteira. Meu ponto de vista, sobre todas as coisas. Eu acho que atualmente é preciso falar de amor. Depois que eu tive filho eu pude analisar uma série de coisas. Criar um mundo melhor, mais positivo, para que ele cresça. Uma visão meio materna das coisas. È preciso falar de amor sobre todos os aspectos. Falar de amor materno, amor entre homem e mulher, amor tipo paixão, ser bem universal.

Você senti alguma expectativa da mídia em relação ao seu trabalho?
Eu já senti mais. Alguns anos atrás eu sentia mais cobrança. De eu amadurecer. Amadurecer mais rápido. O amadurecimento vem com o tempo, sincero. Quando eu era pequena não podia cantar música de adulto. Tinha críticos que reclamavam de repertório, que meu repertório não estava a altura. Eu não tenho a mesma opinião. Tudo que eu gravei foi super válido. Era o que eu passava no momento. Quando eu era criança fala coisas de crianças, era adolescente fala de coisas de adolescente. Então tudo isso foi muito bom. Foi uma experiência para mim. Eu acho que nesse momento eu pude chegar num resultado pelo fato de ter passado por todas essas coisas, todos esses caminhos. De coisas populares, mais sofisticado, dance, pela MPB isso me deu muita bagagem.

Você pensou no público. Quem pode gostar do disco?
Tem dois pontos. O público fiel que me acompanhou, que fez fã clube, pode gostar desse trabalho. Acho que vai entender minha mudança. E tem o público novo, que eu acho que posso conquistar. O público que consome a música eletrônica, que é o público que esta mais antenado nas coisas que estão saindo agora, que esta ligado nas novas tendências da música eletrônica. Acho que esse disco pode agradar o público lá fora também, o público europeu. Eu tenho boas energias nesse disco. Acho que pode dar certo.

Serviço:
Respirar
Patricia Marx

Trama
www.trama.com.br

CAPA BORAGE