Ano 4 - nº 40 
11 de outubro a 2 de novembro/02 
  
Carla Picorelli
(Ônix) No Território de Gôffe

por Laura Campanér
laura.campaner@bol.com.br

Assinando todas as faixas de seu disco de estréia, a cantora e violonista mineira Carla Picorelli mostra um trabalho na trilha do rock brasileiro, com ótimas baladas, como "Ônix - No Território de Gôffe", música que batiza o CD.

Carla Picorelli escreve letras de tom intimista, falando quase sempre de suas emoções e estados de espírito que casam bem com sua voz bluseira: "a realidade das coisas / é hoje o que eu sinto / não existem sonhos / apenas os caminhos / e todo o caminho é igual / até que tudo mude / afinal tudo é fim e começo" (faixa "Você Nem Viu Chegar").

O "molho" de sua música está muito bem temperado, principalmente pela escolha dos músicos que a acompanham, em especial de Augusto Nogueira, com sua guitarra bem cuidada e do tecladista Cristiano Amorim, que de fato fazem diferença no ambiente sonoro criado para as composições.

As principais canções são os dois rocks-baladas "No ½ da Estrada", "Outra Alegria" (esta bastante radiofônica), o rock de abertura do disco "Absurdos" e outro, quase triste, em modo menor, chamado "Em Algum Lugar".

A música "N.B.H. (New Bossa Highway) é um outro ponto alto do disco, onde a tumbadora balançada do percussionista Serginho Silva, traz leves pitadas de novidade, lembrando algo próximo ao estilo "Sade Adu".

As canções que mais se distanciam do tema principal do CD é "Vinólia Jack", um blues descrevendo a vida conturbada de uma personagem: "Meu nome é Vinólia Jack (...) minha história é mesmo de amargar / se perguntar, eu dou meu preço (...) eu sempre pego e nunca peço / se você pedir é que eu não faço (...) não tenho amor e nem tenho coração", e a releitura da música "Like a Virgin"(Billy Steinberg/Tom Kelly).

(Ônix) No Território de Gôffe
Carla Picorelli
Independente
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CAPA BORAGE