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| Carlinhos Antunes em “Mundano”, Terra Brasil em“Atlântico” e Almir Clemente – “Visto ao Mar” | ||||
| Laura Campanér laura.campaner@bol.com.br | ||||
O violonista, compositor e arranjador Carlinhos Antunes mostra seu terceiro CD “Mundano”. O disco é uma consagração às suas influências musicais e à música do mundo, sem perder sua referência maior, a música brasileira. Carlinhos, que morou cinco anos na Europa e viajou por diversos países, entre eles o Marrocos, Peru, Nicarágua, Holanda, Cuba, Turquia e tantos mais, trouxe na bagagem toda a experiência vivida e a sonoridade colhida destes diferentes povos, fazendo de sua música uma mistura nova e singular. No choro-baião “Caipira Ma Non Troppo”, dedicada ao mestre chorão Jorge Assad, Carlinhos mostra o vigor de sua técnica violonistica, de som limpo e altamente sincopado, muito bem acompanhado por Vitor Alcântara no sax soprano e Simone Soul na percussão. Já em “Latina”, dedicada ao grupo Tarancón, está presente a sonoridade típica do violão rasqueado, mesclada à flauta irlandesa e o violino, ambos tocados por Thomas Roher, num tema vibrante e envolvente.
Toninho Ferragutti, entre outros excelentes músicos que atuaram na gravação do disco, participa de “Canção das Águas”, com Carlinhos na viola caipira tocada na afinação “rio abaixo”, alterada para G7+. Compositor de profunda concepção musical, Carlinhos une os diferentes timbres dos instrumentos que toca à uma grande riqueza rítmica e melódica, sintetizando em sua obra o melhor da linguagem instrumental e da música cantada. Sua sensibilidade como arranjador, privilegia quase sempre a textura sonora, resultando numa música sem excessos.
Carlinhos Antunes
O grupo Terra Brasil, formado por Marcelo Gomes (guitarra e violão), Zeli (baixo acústico e fretless), Sergio Gomes (bateria), Vitor Alcântara (sax tenor, soprano e flauta) e Antonio Barker (piano), dispensaria apresentações formais, visto que sua presença no cenário da música intrumental paulistana, está bastante consolidada por seus anos de trabalho. Porém nunca é demais lembrar para as novas gerações, que a música instrumental brasileira precisa ser ouvida, compreendida e porque não dizer deglutida pelos aspirantes à instrumentistas, e não só pelos apreciadores da boa música. Daí a necessidade de apresentar o grupo aos que ainda não tiveram oportunidade de ouvi-los em gravação ou ao vivo. O disco “Atlântico” (bossas, valsas e baladas), reúne 10 temas compostos pelos integrantes do grupo e foi concebido como uma “conversa entre amigos, desejando um pouco da paz do oceano em meio a esse caos urbano”, como diz o texto assinado pelo grupo no encarte. Mas vai além disso. É música instrumental de alta qualidade. Inspirada e inspiradora. O repertório está bem distribuído entre os músicos-compositores. São de Zeli a slow-bossa “Sol e Sombra” (faixa de abertura), a contemplativa “Divagações”, ambas compostas para sax, e o tema “Três Minutos”, com solo de contrabaixo. De Sergio Gomes temos a “Valsa Para Ana” (para sax soprano), “Gabriela”, um tema de melodia delicada, e o tema Madrugada”, que tem como destaque a atuação precisa do guitarrista Marcelo Gomes.
Antonio Barker fecha o disco com o delicioso samba “Nana Neném”, única autoria sua no trabalho. O saxofonista Vitor Alcântara, não apresenta música de sua autoria, porém nos presenteia com sua execução. Apesar do saxofone ser quase sempre o solista, todos os instrumentos têm seu momento individual nos temas, em contra-canto ou em improviso, dando realmente a idéia de uma “conversa entre amigos”. É dificil traduzir em palavras o que a música do Terra Brasil pode nos transmitir como mensagem. Quanto dirá descreve-la como estrutura sonora. Portanto, qualquer coisa que se diga sobre “Atlântico”, só faz sentido quando ouvimos o disco por inteiro. De criativa paisagem sonora, “Atlântico” cumpre realmente sua promessa de nos trazer bons ares e a paz do oceno.
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Terra Brasil –“Atlântico” (bossas, valsas e baladas)
Assinando todas as faixas do CD “Visto ao Mar”, o saxofonista e flautista Almir_ Clemente lança seu primeiro trabalho solo. Apesar de ter sido feito com bases de teclado e piano (também executados por Almir), e com a programação de bateria eletrônica de Nélio de Jesus, o disco apresenta uma variedade de estilos, se aproximando um pouco mais da música instrumental acústica. São temas balançados bem ao sabor da MPB, como o samba “O Transformador”, escrito para flauta, onde o compositor Almir também dá voz ao “interprete” Almir, abrindo espaço para improvisos. Passando por gêneros diferentes como: os funks “Alto Astral” e “Amor Secreto”; as baladas “Meu Ar”, “O Bem Cura” e “Zé, 1,2,3”(esta em 6/8), até os temas mais introspectivos “Sonho Azul” e “Hoje, Sempre”, Almir encerra seu trabalho com “Visto ao Mar”, tema que dá nome ao disco. Participa do trabalho o guitarrista Cleber Assunção, nas faixas “O Bem Cura” e “Olha Ela”.
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“Visto ao Mar” |