Diário de um (futuro) cabeleireiro - Parte 5

 
Já contei aqui sobre as minhas primeiras aventuras como cabeleireiro, no salão da minha colega, e no estágio do Instituto L`Oréal Professionnel, onde senti aquele friozinho na barriga, mas nada que se compare à minha primeira entrevista de emprego na nova profissão! Tudo começou quando minha amiga, a Cinthia Pierotti Votta, me falou para ir ao salão Jorge Beauty, que ela frequenta em São Bernardo do Campo.

Fiquei reticente de aparecer do nada, mas ela, que é relações-públicas, perguntou ao Jorge, dono do espaço, se ele me receberia. Um dia depois lá estava eu, com minha ansiedade e um currículo debaixo do braço, na porta do salão superchique. Falei com o próprio Jorge, que perguntou sobre minha experiência na área. Fui sincero, disse que estava começando e que esperava por uma vaga de assistente. Contei um pouco da minha história e descobri que assim como eu, ele também atuava em outra área quando decidiu se tornar hairstylist. Hoje, além do Jorge Beauty, tem mais seis unidades do salão Evolution. Disse que enxergava em mim uma impetuosidade e me perguntou se eu topava trabalhar em uma de suas lojas, como cabeleireiro! Aceitei na hora!

No dia seguinte já estava na unidade do Evolution que funciona no supermercado Carrefour, no Cambuci, zona central de São Paulo. Chegando lá, fui recepcionado pela gerente, Dayana, que me explicou tudo sobre o funcionamento do local. Eu não sabia, por exemplo, que tinha de ter produtos como oxidante e pó descolorante, e que cada coloração usada é descontada. O esquema é meio a meio, mas se eu usar cosméticos do salão, ganho 35%.

Fui tentando me enturmar enquanto vivia a expectativa de esperar pelo primeiro cliente. Até que ele apareceu! E era de corte masculino! Justo o que eu menos tinha prática, já que lá no Instituto aparecem mais mulheres para serem atendidas no salão-estágio, onde eu e meus parceiros Rafael Nascimento e Viviane Muniz trocamos muitas experiências. Olha, confesso: a mão tremeu! No primeiro, no segundo, no terceiro corte... Lembrei das aulas, do Rafael cortando meu cabelo, de cada etapa... Conforme o tempo passa vão aparecendo outros serviços, principalmente de escova, e hoje, um mês e meio depois, posso dizer que fiz bastante coisa. Até agora ninguém reclamou, rs! Mas no início, como eu ainda não tinha uma carteira fixa de clientes, houve dias em que não pintou trabalho. Nessas ocasiões, notei como a área administrativa é diferente do mundo da beleza. Porque quando atuava no mercado financeiro, estava acostumado a agir em equipe. Só que no salão isso não rola muito.

Eu não consigo ficar parado, se não estou atendendo, vou procurar o que fazer. Não me importo de varrer o chão ou segurar o papel-alumínio para um colega. Até acho que essa é uma maneira de aparecer. As clientes começam a perceber você. Procuro oferecer uma água e uma revista para quem está fazendo a unha, por exemplo. E, claro, faço questão de estar bem-arrumado. Afinal, a gente trabalha com beleza, né? Se bem que esse deve ser o meu lado publicitário fazendo propaganda de mim mesmo, hehe. Apesar de algumas dificuldades, continuo seguindo em frente. Vamos ver o que o futuro me reserva!

Se cuida, galera.
Daniel Moreno

Depoimento a Cristiane Dantas

publicidade