Reportagem
edição 108 - Fevereiro 2005
Especial Alisamento
Edição especial com 17 questões para tirar todas as suas dúvidas sobre química, escova progressiva e defrisagem
por Danielle Mora
Cláudia Chedid/Arquivo Duetto
Quais cuidados devem ser tomados ao fazer alisamento em um cliente que vem de outro salão ou que alisou em casa?
O maior cuidado é descobrir se o alisante usado anteriormente será compatível com a marca usada em seu salão. Ou seja, se a fórmula de antes era à base de tioglicolato de amônia, não se deve usar, agora, um alisante à base de hidróxido de sódio ou de cálcio. "A base química precisa ser a mesma", alerta Joana Silva, técnica da Wella. Além disso, produtos de alisamento à base de metal ou de vegetais como o henê são incompatíveis com qualquer outra fórmula.

Em que situações os fios podem cair ou se partir durante um alisamento?
Tratamentos ou transformações no cabelo não são responsáveis pela queda dos fios, que acontece por questões internas: perda natural pela idade, problemas hormonais ou até mesmo porque o fio terminou seu ciclo de vida. Mas a química pode, sim, fazer com que se partam, quando feita de maneira inadequada. Por exemplo, quando a ação do produto alisante for forte demais para o tipo de cabelo. Um teste prévio em uma pequena mecha da nuca ajuda a decidir entre as fórmulas suave, normal ou forte.
Segundo Joana Silva, técnica da Wella, outro motivo freqüente para fios partidos é a forma de aplicação. O cabelo deve ser penteado e enluvado seguindo o sentido de seu crescimento, para frente ou para o lado, não para trás, explica. Ainda pode ser motivo do problema deixar o produto por mais tempo do que o indicado e não fazer uma neutralização correta.

Qual a função do neutralizante? Em quais tipos de alisamento ou escova progressiva ele é necessário?
O neutralizante é aplicado após o alisamento para impedir que o ativo químico continue agindo a ponto de promover a quebra dos fios. Ele religa as pontes de cistina, o que firma o novo formato do cabelo.

Que fórmulas alisantes são compatíveis entre si?
As que têm o mesmo princípio ativo. Alisamentos feitos com tioglicolato de amônia, mesmo que de marcas diferentes, são compatíveis entre si, assim como os de hidróxido de sódio. Tioglicolato e hidróxido de sódio, no entanto, não são compatíveis. Portanto, uma vez usando um desses ativos para alisar, não pode haver troca para o outro, até que todo o cabelo alisado seja cortado, sob riscos de haver quebra dos fios. A escova definitiva e a progressiva, por outro lado, são compatíveis com os alisamentos por química.
De qualquer forma, fazer um teste em uma mecha da nuca antes de submeter todo o cabelo à transformação é indispensável. Só ele garante ao cabeleireiro e à cliente que os riscos de problemas serão mínimos.

Quais são as opções de tratamento para diminuir o volume dos fios?
Para diminuir o volume e definir cachos, uma opção é o relaxamento. "A fórmula usada depende do tipo de cabelo", diz a cabeleireira Bianca Terra, do Werner Coiffeur, no Rio de Janeiro. A escova progressiva sem formol também pode reduzir o volume, assim como tratamentos contra ressecamento, condição que costuma deixar o fio rebelde e espigado.

O que é e como age o tioglicolato de amônia?
O tioglicolato é um princípio ativo que serve para amolecer a fibra capilar, promover a quebra das pontes de cistina e, com isso, deixar o fio maleável, para ser moldado como se desejar. "Se pentear, ele alisa. Se enrolar, ele forma cachos", ensina Joana Silva, técnica da Wella.
Cláudia Chedid/Arquivo Duetto
Como funciona cada tipo de alisamento?
A Escova à Francesa, da Glynett, impermeabiliza a fibra capilar através de um composto de aminoácidos e emulsões de silicone que segura melhor as moléculas de proteínas na fibra capilar. O fio fica mais pesado e o volume é reduzido.
Como é progressiva e temporária, deve ser refeita até que se alcance o resultado desejado. A escova progressiva com tioglicolato de amônia ou hidróxido de sódio deixa o fio liso logo na primeira sessão, mas por ter concentrações menores desses ativos do que as fórmulas dos alisamentos tradicionais, costuma durar menos tempo: até dois meses, dependendo do grau de ondulação do cabelo.
Exige retoques constantes na raiz e hidratações periódicas. Para quem quer efeito liso duradouro, a saída é o alisamento tradicional (com ativos químicos como tioglicolato e hidróxido) ou a escova definitiva (também chamada escova japonesa ou alisamento japonês). Nesses métodos, a raiz crespa ou ondulada fica em evidência à medida que os fios crescem, assim, os retoques precisam acontecer a cada seis meses, em média. "Alisamento à base de amônia só é indicado em fios com a cor original ou com colorações em nuances escuras. Os platinados ou com mechas podem sofrer ressecamento ou desbotamento", alerta a cabeleireira Rosiane Eduardo, do salão carioca Fast.

Há alguma técnica para deixar o cabelo liso, mas com as pontas onduladas?
O relaxamento é a mais indicada nesse caso. O cabeleireiro deve escolher alisante suave ou médio e calcular o tempo de ação do produto para que o cabelo não fique totalmente liso, apenas ondulado ou com cachos definidos.

O que é menos prejudicial à fibra capilar: alisamento tradicional, escova progressiva ou alisamento japonês?
Qualquer tratamento pode danificar o cabelo em maior ou menor grau, o que não significa que não se deve fazê-lo. Para garantir a saúde dos fios, depois da transformação, é indispensável que eles recebam, com freqüência, hidratações e reestruturações para repor as substâncias perdidas durante o processo.
Cláudia Chedid/Arquivo Duetto
O que é o formol e por que escovas progressivas com ele são condenadas?
É uma substância utilizada, principalmente, para a conservação de outras substâncias e até de tecidos (é usado em biópsias, por exemplo, para impedir a degradação antes da análise). Pode ser facilmente absorvido pelas mucosas e ocasionar problemas sérios para a saúde, tanto da cliente quanto do cabeleireiro. A dermatologista Denise Steiner, diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Câmara Técnica de Cosméticos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), não recomenda nem aprova fórmulas à base de formol. "Se for usada uma concentração alta de formol em produtos para o cabelo, os fios podem se tornar ainda mais quebradiços. Ele danifica a cutícula, que é a parte mais externa do fio e deixa o córtex, a parte interna, bastante vulnerável ao ressecamento e ao desbotamento", explica a especialista.

Como saber se uma fórmula de alisamento é confiável?
Toda fórmula de produtos para cabelo deve ter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (www.anvisa.gov.br). A Anvisa promove a saúde da população fazendo controle sanitário da produção e da comercialização de cosméticos, incluindo as substâncias de sua fórmula. Também é importante que o cabeleireiro esteja preparado para fazer um bom diagnóstico do fio, identificando se os princípios ativos que serão usados são compatíveis com o da coloração ou do processo químico feito anteriormente. Cada ativo é melhor para um tipo de cabelo ou mais indicado para um resultado que se quer alcançar.

A queratinização capilar tem a função de alisar ou tratar?
Queratinização, reconstrução ou cauterização são variações de nomes usados em salões ou por laboratórios fabricantes para um mesmo tipo de tratamento reconstrutor dos fios. Ele tem a função de repor a queratina que é eliminada durante processos de alisamentos, colorações ou pela ação de agentes externos, como o sol e a água da piscina. "O choque de queratina recompõe a fibra capilar, deixa o fio mais macio, sedoso e disciplinado, mas não é capaz de fazer um alisamento", avisa Alessandra Brasca, relações públicas da Aneethum.

A defrisagem à francesa é um método de alisamento ou de tratamento para o cabelo?
A defrisagem à francesa ajuda a diminuir o volume e a domar os cachos. É um tipo suave de alisamento e não um tratamento. "Para que os fios permaneçam com brilho e maciez é importante submeter o cabelo a procedimentos nutritivos, que repõem a queratina, o colágeno e os aminoácidos perdidos durante a química", aconselha o cabeleireiro Aníbal Ramirez, do salão DeLuca Studio, no Rio de Janeiro.

Qual a técnica mais indicada para deixar superliso um cabelo levemente ondulado?
Há várias técnicas capazes de alisar qualquer tipo de fio, inclusive lisos com ondulação. Nesse caso em que a transformação não será muito brusca o ideal é optar por uma fórmula mais suave. A Escova à Francesa, por exemplo, à base de silicones e aminoácidos, disciplina os fios e reduz o volume. Pode ser refeita com intervalo de sete a dez dias. Quem quer o cabelo bem liso, no entanto, deve optar pela Escova Progressiva, que dura de dois a três meses.

Que produtos devem ser usados para lavar e tratar o cabelo alisado?
Após uma transformação química, os fios precisam de produtos que reponham os nutrientes perdidos no processo, como, por exemplo, ceramidas, aminoácidos e proteínas. Óleos vegetais e silicones também são de grande ajuda, pois fecham a cutícula, devolvendo o brilho e a maciez ao cabelo.

Posso colorir os fios antes de fazer escova progressiva ou devo alisar primeiro?
O mais indicado é fazer primeiro a coloração e depois a escova progressiva. Mas não há exatamente um consenso sobre o assunto, pois pode haver variações de uma marca para outra. "O produto usado para fazer Escova à Francesa forma uma película sobre o fio que, além de alisar, protege a coloração do desbotamento. Se for aplicada a tintura antes, corre-se o risco de os pigmentos não se fixarem bem", diz Gleno Márcio da Silva, da Glynett. Já a cabeleireira Neide Santos, do salão Neide\\'s Cabeleireiros, do Rio de Janeiro, que desenvolveu a Emulsão Alisante Progressiva à base de ácido fórmico, em parceria com o Laboratório Distrion, considera que o ideal é dar um intervalo de 15 a 20 dias entre a escova e a coloração.

Qual o tratamento adequado para pontas danificadas no cabelo afro relaxado com guanidina? Um aplique de microtranças ajuda a melhorar o aspecto dos fios?
Se o cabelo estiver muito danificado, é aconselhável suspender o relaxamento por um tempo. Nesse período, o cabeleireiro João Pedro, do Studio Afonjá, no Rio de Janeiro, sugere recuperar a fibra capilar com hidratações profissionais à base de ativos vegetais. Também vale a pena aparar as pontas que estão partidas. Segundo ele, o aplique de microtranças é uma boa opção para aguardar os fios crescerem, sem a necessidade de usar química.
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