Especial Crianças

(continuação)

Faustulo Machado
CRESPOS

Olha a onda...

Transformações, hidratações e produtos especiais com ação antivolume, antiarrepiado e pró-cachos formam o arsenal para
a turminha dos crespos ficar de bem com o cabelo que tem


Por Isabel Ribeiro

Não importa se o crespo é com ou sem volume, tem ou não cachos definidos. Até mesmo nas crianças, todas as variações desse tipo de fio apresentam o mesmo problema: como o cabelo é enrolado, a lubrificação natural mal chega às pontas, o que provoca falta de brilho e ressecamento. A solução é hidratar no salão e em casa, com produtos à base de colágeno, queratina e ceramidas. Quando se opta por relaxá-lo ou alisá-lo, a atenção tem de ser redobrada. Em casos assim, o papel do cabeleireiro é importantíssimo. Além de indicar a melhor química, o profissional também deve explicar quais cuidados o cabelo passa a exigir. Entre eles, a adoção de uma linha de manutenção com xampu, condicionador, máscara e leave-in específicos. A moral da história é que, para ter um cabelo crespo bonito, com sua estrutura alterada ou não, é preciso cuidar, sempre.

Crespos sob controle

Em crianças pequenas é mais fácil usar produtos indicados pelo cabeleireiro. É essa a opinião de Amélia Martins, técnica do Instituto Embelleze. “Se a mãe cuidar bem do cabelo, a manutenção resolve.” No salão, ótima pedida para crespos sem química é a hidratação, que controla o volume, deixa o fio com brilho e fácil de desembaraçar. Segundo Sylvio Rezende, de São Paulo, o melhor tratamento é o que devolve umidade à fibra capilar e não requer fonte de calor. “Criança é impaciente, não gosta de secador”, justifica.

Quando a solução é química
Especialistas em crespos garantem que relaxar, alisar e enrolar cabelinhos não traz seqüelas, desde que o processo seja criterioso. “A mãe deve procurar um cabeleireiro que entenda do assunto, fazer perguntas e observar se ele sabe lidar com criança”, atenta Wagner Ramos, do Always, em São Paulo. “E também o hairstylist tem de fazer suas avaliações. Quando percebo que a mãe não cuida bem do cabelo do filho, não faço a transformação”, diz o coiffeur. Nesse primeiro encontro, deve-se conhecer a marca do produto a ser usada, que precisa ter confiabilidade e credibilidade no mercado. “E, no dia da aplicação, cabe ao profissional mostrar a embalagem. Não pode mais existir essa coisa de apa--recer com a mistura pronta em uma tigelinha”, ensina.

Na idade certa
Especialistas como Fernando Fernandes, de São Paulo, confessam que se atêm mais à resistência do fio e ao porte físico da criança do que à idade. “Nos Estados Unidos é possível relaxar o cabelo a partir dos três anos, pois há produtos infantis, como os da Luster's. Isso não ocorre no Brasil, onde só contamos com fórmulas para adultos. Mesmo assim, aqui se faz o primeiro relaxamento por volta dos seis anos.”

Tarimbada tanto em criança quanto em crespos, a engenheira química Patrícia Hufnagel Toscani, da Ponto Nove, marca de transformação e manutenção, observa que o Ministério da Saúde só libera o uso de alisantes a partir de 12 anos, mas ressalva: “Obe-decendo instruções de uso, como evitar que o produto encoste e sensibilize o couro cabe-ludo, essas fórmulas podem ser usadas em crianças”.

Em cabeças kids, a melhor base é a guanidina porque não tem odor como a amônia. “É mais suave porque tem pH 11,0, superior ao da amônia, que é 8,5”, compara. Para os pais que preferem relaxar o cabelo dos filhotes a alisar, por achar o alisamento muito forte, vale esclarecer. “A química é a mesma. O que diferencia é a maneira de aplicar, o tempo de pausa e a quantidade de produto, que é maior quando se alisa”, diz Sylvio Rezende. “Hoje a indústria está muito evoluída, faz-se teste de mecha e existe protetor para o couro ca--beludo. Sabendo fazer, não há perigo”, conclui Wagner Ramos. A seguir, as técnicas mais usadas em crianças:

Permanente afro – Para os muito crespos e sem forma. “Faço em maiores de 10 anos, pois o odor é forte e demora de duas a três horas”, diz Fernando Fernandes. Para um encaracolado natural, são dois os processos químicos, um para soltar e outro para formar o cacheado. As mães gostam da técnica pela praticidade. Após a lavagem, basta aplicar um leave-in e ajeitar com as mãos.

Texturização – À base de hidróxido de guanidina, é indicada para quem deseja ondas definidas sem abrir mão do volume. Minimiza o aspecto do encrespado miudinho. “O processo tira de 10 a 15% do volume e leva pouco mais de uma hora”, diz Wagner Ramos. Esse tempo é suficiente para aplicar o produto, fazer pequenos caracóis com os dedos, dar o tempo de pausa, enxaguar, passar outra fórmula, enxaguar e neutralizar. No dia-a-dia, basta modelar com um leave-in.

Escova progressiva – Nem todo cabeleireiro adota esse método em crianças por causa do formol. “O couro cabeludo é uma região muito vascularizada e absorve bem qualquer substância. O formol pode provocar efeitos colaterais, mesmo em adultos”, explica a dermatologista Carolina Ferolla, de São Paulo. O cabeleireiro Sylvio Rezende, no entanto, defende o método. “É importante verificar se o produto contém o ativo na quantidade de 0,2%, autorizada pela Anvisa. Feita com responsabilidade, a progressiva garante ótimo resultado, além de ser compatível com outras químicas”, avalia.

Relaxamento – A técnica utilizada para soltar os cachos e reduzir o volume requer muita habilidade na aplicação para não deixar um aspecto esticado. Segundo Fernando Fernandes, é indispensável fazer oito sessões de hidratação antes do procedimento. “Tem mãe que traz a filha depois de passar férias na praia e quer relaxar os fios para minimizar o efeito espigado. É um equívoco, pois a química pode ressecar ainda mais a fibra capilar e deixar o cabelo quebradiço”, alerta o especialista. A cabeleireira Zica, da Rede Beleza Natural, no Rio de Janeiro, acha o relaxamento, quando bem-feito, muito apropriado para os pequenos. “Em crianças, diminuir o volume é melhor que alisar”, pondera. Zica desenvolveu o Super-Relaxante, um tratamento à base de hidróxido de cálcio, extrato de açaí e cacau, que só pode ser ministrado por profissionais. “Não muda a estrutura do fio e valoriza os cachos”, explica.

Alisamento – Como diz o nome, consiste em alisar os fios. Com um bom profissional, o resultado é positivo em todos os tipos de crespo, mas ainda assim não é a melhor pedida para crianças. “Quem alisa tem que fazer brushing depois de lavar, o que não é prático”, acredita Fernando Fernandes. O alisamento não permite, por exemplo, secar os fios amassando com as mãos porque, uma vez esticada, a fibra capilar não volta a enrolar. “Quando se opta pelo relaxamento, é possível fazer escova para um visual liso ou secar naturalmente para obter um cacheado.”

Produtos bacanas
O que o mercado oferece para dar continuidade em casa ao tratamento iniciado no salão:

Turma da Ziquinha, Beleza Natural – A linha contém dois itens desenvolvidos para crianças de cabelo cacheado. O xampu traz extrato de calêndula. O condicionador, além desse ativo suave, vem com silicone para dar brilho e facilitar o pentear.

Linha Toin! Floft, Embelleze – Formulada com aloe vera, hidratante, a linha é desenvolvida para cabelos jovens. Composta por Shampoo, Bálsamo Condicionador, Leite Siliconizado, Creme de Hidratação e Umidificador Desembaraçante, que servem para aplicar no salão ou em casa.

Shampoo Kera Care Hydrating Detangling,
Avlon – Xampu desembaraçante de uso adulto, mas que é muito prático para cabecinhas mirins porque torna desnecessário o uso do condicionador.

Pomada Protect & Shine, Ponto Nove – Com vitamina E e ceramidas. Para controlar os arrepiados que teimam em comprometer o visual.

Leave-in Normal Phases, Ponto Nove – Facilita o desembaraço evitando dor no couro cabeludo.

Tato é tudo!
Acostumados às manhas do público infantil, Sylvio Rezende, Fernando Fernandes, Wagner Ramos e Zica entregam táticas para não perder a cabeça:

Sempre que for ao salão comprar produtos de manutenção, a mãe deve levar a criança. Isso faz com que ela se acostume ao ambiente. “Os pequenos devem sentir-se confortáveis, pois cabelo crespo exige plantão no cabeleireiro”, diz Sylvio.

Como antes de alisar ou relaxar é necessário, no mínimo, uma hidratação, Wagner Ramos recomenda que o pequeno seja atendido pela mesma equipe que aplicará a química. “A intimidade com os profissionais facilita.”

Ao conversar com a clientela kid, Sylvio adota uma postura especial: permanece agachado para ficar do tamanho deles e propiciar empatia.

Enquanto está com a mão na massa, Wagner leva um papo com os baixinhos, abordando temas do universo infantil, como escola e amiguinhos.

Quando avalia um crespo, Fernando opta por sala reservada. A criança morre de vergonha quando se abre a cabeleira volumosa na frente dos outros.

Durante o atendimento, Sylvio prefere não deixar os baixinhos diante do espelho para que eles não se assustem com os acessórios de trabalho.

Se a touca de alumínio ficar larga na cabeça infantil, deve-se usar papel-alumínio. “Dá mais conforto e o resultado é o mesmo”, garante Sylvio.

O segredo de Zica para distrair a turminha é oferecer DVDs infantis e bonecas para maquiar.

Jogar limpo é essencial, segundo Fernando. “Se o trabalho leva duas horas, explico que esse tempo é importante para o cabelo ficar mais bonito.”
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