Reportagem
edição 128 - Outubro 2006
Especial Crianças
 
Para lidar com os pequerruchos é preciso mais do que saber cortar bem um cabelo. Afinal, eles se mexem, choram e, muitas vezes, até recusam-se terminantemente a sentar na cadeira. Transformar a ida ao cabeleireiro em uma experiência agradável, regada a brincadeiras e sem choro, é papel do profissional, que deve tomar cuidados essenciais.

- Separar um local para as crianças, com brinquedos lúdicos, TV ligada na programação infantil, CDs e DVDs. Se não for possível criar esse ambiente em uma sala, deve-se escolher um cantinho sossegado do salão. O importante é que o décor caracterize a área como sendo exclusiva dos pequeninos.

- O profissional deve gostar de lidar com criança, ter paciência e tratar os miúdos sempre com muito carinho. “É preciso conversar, brincar, dar pirulito, fazer de tudo para ganhar a confiança antes de mostrar a tesoura”, explica Dionísio, do Piazito Cabeleireiros, em São Paulo.

- Ter a mão leve também é importante para não machucar os baixinhos, especialmente os bebês. “Às vezes cortamos o cabelo com a criança sentada no chão ou então no colo da mãe porque ela não quer ficar na cadeira apropriada”, conta Dionísio.
n Atenção aos produtos: usar, de preferência, linhas infantis, sem substâncias fortes, como o álcool.
Assimetria infantil

O desfiado está em alta não só para as adultas. Manuela ficou muito charmosa com o corte todo feito com tesoura desfiadeira. Chaber Santos cortou a parte de trás em camadas horizontais e deixou a frente com pontas picotadas.
Surfistinha

O corte estilo asa-delta combina com o cabelo liso de Marcelo. Para conquistar esse visual, o coiffeur Dionísio manteve as mechas de cima em fio reto. Depois, passou máquina dois na parte de baixo para deixá-la bem batidinha. A franja pode ser penteada para o lado ou para frente.
Faustulo Machado
CRESPOS

Olha a onda...

Transformações, hidratações e produtos especiais com ação antivolume, antiarrepiado e pró-cachos formam o arsenal para
a turminha dos crespos ficar de bem com o cabelo que tem


Por Isabel Ribeiro

Não importa se o crespo é com ou sem volume, tem ou não cachos definidos. Até mesmo nas crianças, todas as variações desse tipo de fio apresentam o mesmo problema: como o cabelo é enrolado, a lubrificação natural mal chega às pontas, o que provoca falta de brilho e ressecamento. A solução é hidratar no salão e em casa, com produtos à base de colágeno, queratina e ceramidas. Quando se opta por relaxá-lo ou alisá-lo, a atenção tem de ser redobrada. Em casos assim, o papel do cabeleireiro é importantíssimo. Além de indicar a melhor química, o profissional também deve explicar quais cuidados o cabelo passa a exigir. Entre eles, a adoção de uma linha de manutenção com xampu, condicionador, máscara e leave-in específicos. A moral da história é que, para ter um cabelo crespo bonito, com sua estrutura alterada ou não, é preciso cuidar, sempre.

Crespos sob controle

Em crianças pequenas é mais fácil usar produtos indicados pelo cabeleireiro. É essa a opinião de Amélia Martins, técnica do Instituto Embelleze. “Se a mãe cuidar bem do cabelo, a manutenção resolve.” No salão, ótima pedida para crespos sem química é a hidratação, que controla o volume, deixa o fio com brilho e fácil de desembaraçar. Segundo Sylvio Rezende, de São Paulo, o melhor tratamento é o que devolve umidade à fibra capilar e não requer fonte de calor. “Criança é impaciente, não gosta de secador”, justifica.

Quando a solução é química
Especialistas em crespos garantem que relaxar, alisar e enrolar cabelinhos não traz seqüelas, desde que o processo seja criterioso. “A mãe deve procurar um cabeleireiro que entenda do assunto, fazer perguntas e observar se ele sabe lidar com criança”, atenta Wagner Ramos, do Always, em São Paulo. “E também o hairstylist tem de fazer suas avaliações. Quando percebo que a mãe não cuida bem do cabelo do filho, não faço a transformação”, diz o coiffeur. Nesse primeiro encontro, deve-se conhecer a marca do produto a ser usada, que precisa ter confiabilidade e credibilidade no mercado. “E, no dia da aplicação, cabe ao profissional mostrar a embalagem. Não pode mais existir essa coisa de apa--recer com a mistura pronta em uma tigelinha”, ensina.

Na idade certa
Especialistas como Fernando Fernandes, de São Paulo, confessam que se atêm mais à resistência do fio e ao porte físico da criança do que à idade. “Nos Estados Unidos é possível relaxar o cabelo a partir dos três anos, pois há produtos infantis, como os da Luster’s. Isso não ocorre no Brasil, onde só contamos com fórmulas para adultos. Mesmo assim, aqui se faz o primeiro relaxamento por volta dos seis anos.”

Tarimbada tanto em criança quanto em crespos, a engenheira química Patrícia Hufnagel Toscani, da Ponto Nove, marca de transformação e manutenção, observa que o Ministério da Saúde só libera o uso de alisantes a partir de 12 anos, mas ressalva: “Obe-decendo instruções de uso, como evitar que o produto encoste e sensibilize o couro cabe-ludo, essas fórmulas podem ser usadas em crianças”.

Em cabeças kids, a melhor base é a guanidina porque não tem odor como a amônia. “É mais suave porque tem pH 11,0, superior ao da amônia, que é 8,5”, compara. Para os pais que preferem relaxar o cabelo dos filhotes a alisar, por achar o alisamento muito forte, vale esclarecer. “A química é a mesma. O que diferencia é a maneira de aplicar, o tempo de pausa e a quantidade de produto, que é maior quando se alisa”, diz Sylvio Rezende. “Hoje a indústria está muito evoluída, faz-se teste de mecha e existe protetor para o couro ca--beludo. Sabendo fazer, não há perigo”, conclui Wagner Ramos. A seguir, as técnicas mais usadas em crianças:

• Permanente afro – Para os muito crespos e sem forma. “Faço em maiores de 10 anos, pois o odor é forte e demora de duas a três horas”, diz Fernando Fernandes. Para um encaracolado natural, são dois os processos químicos, um para soltar e outro para formar o cacheado. As mães gostam da técnica pela praticidade. Após a lavagem, basta aplicar um leave-in e ajeitar com as mãos.

• Texturização – À base de hidróxido de guanidina, é indicada para quem deseja ondas definidas sem abrir mão do volume. Minimiza o aspecto do encrespado miudinho. “O processo tira de 10 a 15% do volume e leva pouco mais de uma hora”, diz Wagner Ramos. Esse tempo é suficiente para aplicar o produto, fazer pequenos caracóis com os dedos, dar o tempo de pausa, enxaguar, passar outra fórmula, enxaguar e neutralizar. No dia-a-dia, basta modelar com um leave-in.

• Escova progressiva – Nem todo cabeleireiro adota esse método em crianças por causa do formol. “O couro cabeludo é uma região muito vascularizada e absorve bem qualquer substância. O formol pode provocar efeitos colaterais, mesmo em adultos”, explica a dermatologista Carolina Ferolla, de São Paulo. O cabeleireiro Sylvio Rezende, no entanto, defende o método. “É importante verificar se o produto contém o ativo na quantidade de 0,2%, autorizada pela Anvisa. Feita com responsabilidade, a progressiva garante ótimo resultado, além de ser compatível com outras químicas”, avalia.

• Relaxamento – A técnica utilizada para soltar os cachos e reduzir o volume requer muita habilidade na aplicação para não deixar um aspecto esticado. Segundo Fernando Fernandes, é indispensável fazer oito sessões de hidratação antes do procedimento. “Tem mãe que traz a filha depois de passar férias na praia e quer relaxar os fios para minimizar o efeito espigado. É um equívoco, pois a química pode ressecar ainda mais a fibra capilar e deixar o cabelo quebradiço”, alerta o especialista. A cabeleireira Zica, da Rede Beleza Natural, no Rio de Janeiro, acha o relaxamento, quando bem-feito, muito apropriado para os pequenos. “Em crianças, diminuir o volume é melhor que alisar”, pondera. Zica desenvolveu o Super-Relaxante, um tratamento à base de hidróxido de cálcio, extrato de açaí e cacau, que só pode ser ministrado por profissionais. “Não muda a estrutura do fio e valoriza os cachos”, explica.

• Alisamento – Como diz o nome, consiste em alisar os fios. Com um bom profissional, o resultado é positivo em todos os tipos de crespo, mas ainda assim não é a melhor pedida para crianças. “Quem alisa tem que fazer brushing depois de lavar, o que não é prático”, acredita Fernando Fernandes. O alisamento não permite, por exemplo, secar os fios amassando com as mãos porque, uma vez esticada, a fibra capilar não volta a enrolar. “Quando se opta pelo relaxamento, é possível fazer escova para um visual liso ou secar naturalmente para obter um cacheado.”

Produtos bacanas
O que o mercado oferece para dar continuidade em casa ao tratamento iniciado no salão:

• Turma da Ziquinha, Beleza Natural – A linha contém dois itens desenvolvidos para crianças de cabelo cacheado. O xampu traz extrato de calêndula. O condicionador, além desse ativo suave, vem com silicone para dar brilho e facilitar o pentear.

• Linha Toin! Floft, Embelleze – Formulada com aloe vera, hidratante, a linha é desenvolvida para cabelos jovens. Composta por Shampoo, Bálsamo Condicionador, Leite Siliconizado, Creme de Hidratação e Umidificador Desembaraçante, que servem para aplicar no salão ou em casa.

• Shampoo Kera Care Hydrating Detangling,
Avlon – Xampu desembaraçante de uso adulto, mas que é muito prático para cabecinhas mirins porque torna desnecessário o uso do condicionador.

• Pomada Protect & Shine, Ponto Nove – Com vitamina E e ceramidas. Para controlar os arrepiados que teimam em comprometer o visual.

• Leave-in Normal Phases, Ponto Nove – Facilita o desembaraço evitando dor no couro cabeludo.

Tato é tudo!
Acostumados às manhas do público infantil, Sylvio Rezende, Fernando Fernandes, Wagner Ramos e Zica entregam táticas para não perder a cabeça:

• Sempre que for ao salão comprar produtos de manutenção, a mãe deve levar a criança. Isso faz com que ela se acostume ao ambiente. “Os pequenos devem sentir-se confortáveis, pois cabelo crespo exige plantão no cabeleireiro”, diz Sylvio.

• Como antes de alisar ou relaxar é necessário, no mínimo, uma hidratação, Wagner Ramos recomenda que o pequeno seja atendido pela mesma equipe que aplicará a química. “A intimidade com os profissionais facilita.”

• Ao conversar com a clientela kid, Sylvio adota uma postura especial: permanece agachado para ficar do tamanho deles e propiciar empatia.

• Enquanto está com a mão na massa, Wagner leva um papo com os baixinhos, abordando temas do universo infantil, como escola e amiguinhos.

• Quando avalia um crespo, Fernando opta por sala reservada. A criança morre de vergonha quando se abre a cabeleira volumosa na frente dos outros.

• Durante o atendimento, Sylvio prefere não deixar os baixinhos diante do espelho para que eles não se assustem com os acessórios de trabalho.

• Se a touca de alumínio ficar larga na cabeça infantil, deve-se usar papel-alumínio. “Dá mais conforto e o resultado é o mesmo”, garante Sylvio.

• O segredo de Zica para distrair a turminha é oferecer DVDs infantis e bonecas para maquiar.

• Jogar limpo é essencial, segundo Fernando. “Se o trabalho leva duas horas, explico que esse tempo é importante para o cabelo ficar mais bonito.”
Faustulo Machado
PRINCESAS

Brilho eterno

Acessórios em strass ficam um charme na cabeça das meninas. Permitem criar looks simples, porém sofisticados, para ocasiões especiais, como mostra Antonieta Calçolari e equipe do salão L’Officiel III, em São Paulo

Por Mayla Siracusa Nascimento

Moderninha

O longo sutilmente enfeitado com minipiranhas de strass cai bem para mocinhas comportadas. Primeiro, os fios foram modelados com babyliss. Depois, foi feito um rabo-de-cavalo no alto da cabeça. Uma mecha enrolada escondeu o elástico.
Caio Mello
MENINOS

Garotos poderosos

Inquietos e impacientes, eles gostam mesmo é de brincar: correm para
cá e para lá. Mas quando o assunto é cabelo... “Meninos preferem cortes práticos que, se possível, dispen-sem até o pente”, diz Lázaro Costa, do Lazinho’s, em São Paulo. Os looks dos pequenos foram criados pela equipe de seu salão


Por Mayla Siracusa Nascimento

Iago

O cabeleireiro Fábio Jeremias desfiou o cabelo sem tirar o comprimento. A frente mais curta garante leveza. O corte cai como uma luva para os meninos que pretendem ter fios compridos, pois a cabeleira não fica com excesso de volume conforme vai crescendo.
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