Reportagem
edição 112 - Junho 2005
O bê-á-bá da chapinha
Com íons, com cerâmica, largas ou estreitas para cada comprimento de fio... Os modelos estão cada vez melhores. Confira como tirar bom proveito do acessório e garantir um efeito liso, duradouro e perfeito
por Cristina Braga
Em um país onde a maioria das mulheres tem cabelo crespo, um aparelho para torná-lo totalmente esticado não poderia mesmo deixar de ser um grande sucesso. Um dos serviços mais procurados nos salões brasileiros, a chapinha foi desenvolvida para alisar os fios com rapidez, sem a necessidade de química. Com a evolução da matéria-prima utilizada em sua fabricação, o equipamento, anos mais tarde, seria incorporado a técnicas de transformação e tratamento, como a escova definitiva e a cauterização.

Segundo Nilton dos Santos, gerente de desenvolvimento de produtos da Taiff, as primeiras pranchas chegaram ao Brasil na década de 80 e eram importadas da Itália. O tempo passou, o país passou a produzir suas próprias marcas e, agora, elas apresentam qualidade comparável às importadas. Há três anos, as chapas eram de alumínio brilhante com acabamento anodizado. Mas a cerâmica substituiu esse material. Ela desliza melhor e dá brilho. Ao contrário das pranchas tradicionais, os modelos com íons ajudam a fechar as cutículas, aumentam o brilho e evitam o efeito arrepiado.

O quente do mercado
A escolha de um bom acessório influi no resultado do penteado. Ligia Bonfanti, gerente de vendas da GA.MA Italy, revela que piastras mais simples têm um termostato, que funciona esquentando e esfriando a chapa, o que obriga o profissional a passá-la muitas vezes na mesma mecha para obter um bom resultado, processo que acaba danificando o fio. "Já a de cerâmica mantém a temperatura estável, o que elimina a necessidade de pranchar a mesma mecha muitas vezes, preservando-a", explica.

O cabeleireiro Sylvio Resende, de São Paulo, prefere pranchas finas para curtos e largas para longos, mas sempre escolhe aparelhos com íons. "O fio não arrepia", conta. Já Sérgio G, do Studio W, em São Paulo, utiliza várias chapinhas com íons da Bio Ionic e de cerâmica da GA.MA Italy: pequena para alisar, média para cauterizar e grande em acabamentos. No caso do alisamento japonês, Sérgio usa uma que mantenha a temperatura a 180ºC, da raiz às pontas.

Prateleiras termoativadas
Tão indispensável como ter uma boa chapinha e dominar a técnica, é contar com um protetor termoativado, para não deixar que a alta temperatura danifique o fio. Sérgio G. aponta como os seus preferidos o Straight Works, L\\'Anza, e o Straight Line, Paul Mitchell. Já Ricardo Maia prefere o Seal and Shine e o Gloss Drops, ambos Paul Mitchell. Nas prateleiras, há uma infinidade de opções. Escolha a sua! Sugestões: KeraCareŽ Oil Moisturizer with Jojoba Oil, protetor de finalizações térmicas (R$ 22,90); Seta Mágica, linha Tecnoativa, Mediterrani It@lica, protetor, finalizador e condicionador (R$ 31,80); Termo Defense, Kera Hair, termoprotetor com pantenol, que recompõe a resistência dos fios (R$ 40); Vita Brushing, Vita Derm, creme para pentear elaborado com proteína termoativada (R$ 27); Uni Hair Straight & Smoother, Yamá, melhora a flexibilidade, prolonga o alisamento e hidrata (R$ 36); Magic OSiS, linha OSiS, silicone antifrizz com azeite de semente de girassol (R$ 81); Soin Lissage Brillance, linha Hair Sensation, Lancôme, tratamento intensivo baseado na tecnologia Nutri-Complexe, uma combinação de agentes nutritivos (R$ 108); Simply Sleek, Harty, deixa os fios com acabamento acetinado (R$ 37); Defrizante Coco Ecologie, Harty, disciplina rebeldes e doma os arrepiados, reduzindo o tempo de escova. Pode ser usado como leave-in (R$ 20); Lait Nutri Sculpt, Kérastase, leite cremoso que forma um filme protetor (R$ 44); Straight 5, Redken, bálsamo de alisamento temporário com filtro solar (R$ 45); Liss Control, L\\'Oréal Professionnel, facilita a escova e a chapinha, com filtro UV (R$ 45).
MODO DE USAR
Trabalhar com a piastra requer cuidados para evitar danos ao cabelo e para garantir o melhor resultado possível.

* Fazer o procedimento somente em cabelo limpo. "Também deve estar seco, para não fritar o fio", diz o instrutor técnico Eduardo Alencar, da rede Walter\\'s Coiffeur, no Rio de Janeiro.

* Nunca passar a chapa sem fazer escova antes. "Facilita o deslizar", diz Sérgio G. Além disso, funciona como um acabamento do brushing.

* Aquecer a chapa antes e dividir o cabelo em muitas mechas médias (nem finas nem grossas), após o brushing.

* Começar o alisamento sempre pela parte de trás da cabeça, dos fios da nuca em direção aos do topo. Pressionar bem a chapa e puxar até as pontas.

* Iniciar pela raiz, com a mão reta e levantada. Quando estiver na metade do comprimento, abaixar a mão e soltar a mecha. "Previne que se formem ondas ou marcas no cabelo", explica o cabeleireiro Sylvio Resende, de São Paulo.

* Se a prancha não tiver termostato (botão que regula o calor), será necessário ligar e desligar várias vezes o aparelho.

* Não passar duas vezes a chapa na mesma mecha nem parar o alisamento na metade.

* Na franja, usar a chapinha desde a raiz, em direção ao nariz. Evitar quebrar o pulso para não causar ondas.

* Nunca parar na metade da mecha, pois os fios podem ficar ressecados.

* Aplicar sempre um produto termoativado, que protege o fio do calor do instrumento. "Outra vantagem é que ele permite um efeito mais duradouro", avisa Sérgio G.

* Dizer à cliente que utiliza a chapinha com freqüência que ela deve fazer hidratações periódicas, em casa e no salão, orienta o cabeleireiro Ricardo Maia, do Ricardo Maia Hair & MakeUp, de Brasília.
© Duetto Editorial. Todos os direitos reservados.