Revolução das escovas

A indústria de cosméticos fez a lição de casa direitinho e desenvolveu produtos com ativos eficientes para alisar os fios. Sejam coloridos, descoloridos ou relaxados. Detalhe: sem o uso do perigoso formol

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Volume controlado, fios no lugar e aquele efeito liso natural. Desde que a escova progressiva com formol chegou ao mercado, há cerca de dois anos, a indústria de beleza pesquisa maneiras de desenvolver produtos que consigam o mesmo resultado, mas sem o uso da polêmica substância. São procedimentos formulados com novos princípios ativos como tioglicolato de amônio, guanidina, tiolactato de amônio, monoetanolamina e mercapitanóico.

Conhecer os componentes é essencial para descobrir o que cada um faz pelo cabelo. O cabeleireiro tem de saber o que está de acordo com as condições do fio a ser modificado e quais as incompatibilidades existentes. "O uso de ativos químicos requer cuidados especiais. É sempre aconselhável fazer o teste de mecha para analisar a resistência e também a elasticidade do fio. Depois pode ser realizada a transformação", alerta o especialista em química, Wagner Ramos, do salão Always, em São Paulo. Por exemplo, tioglicolato e hidróxido de sódio não se toleram. Portanto, quando já se aplicou alguma vez uma dessas substâncias, não se deve substituí-la pela outra até que todo o cabelo alisado seja cortado. Vale ressaltar que ativos à base de metais não são compatíveis com outras químicas e o uso indevido pode partir as madeixas ou causar sua queda. Um exemplo é o henê, que leva chumbo na composição. "Se a cliente aplica henê e quer mudar de alisante, o mais indicado é esperar o cabelo crescer e ir cortando até que todo o produto seja eliminado. Escolhida a nova química, faz-se o teste de mechas", aconselha o especialista.

Tioglicolato de amônio

É um princípio ativo usado para amolecer a fibra capilar, promover a quebra das pontes de cistina e, com isso, deixar o fio maleável, para ser moldado como se desejar. Segundo Wagner, o tioglicolato ficou muito tempo sem passar por atualizações até que nos últimos três anos ganhou uma série de derivados, como o tiolactato de amônio e a monoetanolamina.
O tiolactato é a amônia enriquecida com proteínas do leite, que evitam o ressecamento e a perda da oleosidade natural durante procedimentos químicos com ou sem uso de calor. A monoetanolamina só pode ser aplicada em processos de baixo teor químico que necessitam de aquecimento, mas também é encontrada em colorações para cabelo relaxado.

Hidróxidos

Agem na abertura das cutículas do cabelo, penetrando no córtex e transformando as ligações dissulfídicas da cistina em ligações de lantionina. Os hidróxidos são compatíveis entre si e incompatíveis com qualquer outra substância. O hidróxido de sódio tem ação rápida, com maior poder de alisamento, mas é bem agressivo. Já o hidróxido de cálcio foi criado para couro cabeludo sensível e para fios finos. Seu poder de alisamento é moderado. Por sua vez, o hidróxido de guanidina é considerado a evolução do cálcio. Tem maior efeito alisante ou de relaxamento e reconstrói a fibra. O hidróxido de lítio tem ação forte da mesma forma que o de sódio, porém age mais lentamente.

Veja a reportagem completa com tudo sobre os novíssimos métodos de alisamento na edição de CABELOS & CIA que já está nas bancas de todo o país.

Viviane Sato

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