Pintor do século XX

   Pintor autodidata, foi no IV Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, em 1967, em Brasília, que Humberto estreou nacionalmente. No mesmo ano, ajudou a fundar a Associação Mato-grossense de Arte, que existiu até 1972 em Campo Grande.

   Humberto é um guerreiro. Propôs-se a lutar para libertar seu Estado do pior dos isolamentos, o intelectual. Nessa luta, sua mais poderosa arma foi a Bovinocultura. Em seu livro, A propósito do boi, a pesquisadora e crítica de arte Aline Figueiredo, assim definiu a Bovinocultura de Humberto: “A conotação sociológica da obra tramita pelas raias da ideologia política, ecológica, mítica, mística, onde história e ficção se fundem na equação plástica que, desvinculada do discurso literário, libera e fortalece a reflexão visual”.

   O período entre 1968 e 1972 foi muito marcante para a carreira de Humberto. Foi nessa época que ele se consagrou como artista,  premiado nos mais importantes salões e bienais internacionais. Já no início de sua carreira, jornalistas e escritores procuravam expressões para tentar definir a Bovinocultura de Humberto. Títulos como Bovinocultura, a sociedade do boi; O assunto é boi; Boi puxa arte e O Boi avança eram freqüentes em publicações que falavam do artista. O reconhecimento levou Humberto à Itália onde em 1972 participou da XXXVI Bienal de Veneza. Seu reconhecimento como artista rendeu–lhe grandes oportunidades. De 1973 a 1982, Humberto assumiu a direção do Museu de Arte e de Cultura Popular da Universidade Federal de Cuiabá, uma espécie de extensão da Associação Mato-grossense de Artes (AMA), de Campo Grande.

   Sensibilizado com a divisão do Estado de Mato Grosso, em outubro de 1977, Humberto decide voltar a Campo Grande e em 1987 assume a Secretaria Estadual de Cultura, cargo que deixou em 1991. Durante esses anos de estrada, as obras de Humberto passaram por várias fases e por muitas galerias e exposições. Rio de Janeiro, São Paulo, Cuiabá, Porto Alegre,enfim, o Brasil inteiro e países do exterior.

  Para esse artista, o boi é o início de tudo. É uma predestinação na qual ele acreditou. O boi, o homem, o minotauro. A placidez de Humberto, sua criatividade e inquietude. Tudo parece ter lógica no seu universo, todas as coisas compõem uma grande cadeia. E é por isso que de seus bois surgiram os campeões, as premiações, as rosáceas e as rosas em seus trabalhos. Utilizando várias técnicas para manifestar – se, hoje, Humberto se considera amadurecido artisticamente e afirma com convicção: “Sou um pintor do século XX”.