Após trinta e sete anos marcando momentos históricos de Campo Grande, o relógio da 14 passou a ter sua existência questionada pelas autoridades da época. No início de 1970, antes mesmo da posse do novo prefeito Antônio Canalle, o principal diário da cidade já começava a divulgar a notícia de que a nova administração iria demolir o monumento. "Sua permanência no cruzamento da Av. Afonso Pena com a 14 de Julho passou a ser prejudicial ao tráfego de veículos. No passado prestou bons serviços mas atualmente não passa de monumento superado. Além de feio, atrapalha o trânsito", diziam editoriais alguns dias antes da demolição. Na época a principal justificativa para a retirada do monumento era o aumento do trânsito no local.
A iniciativa de derrubar um dos marcos da identidade dos campo-grandenses dividiu a população. Houve inclusive um movimento de alguns setores contra a decisão da prefeitura. Segundo Hélio Mandetta, membro do Rotary Clube, uma das entidades responsáveis pela reconstrução do relógio, muitas pessoas consideravam a atitude do Prefeito ditatorial: "Estávamos em plena ditadura e o movimento acabou não ganhando força. Ele foi desfeito antes mesmo de começar", relembra . No dia 7 de agosto de 1970 o relógio foi demolido e até hoje alguns lamentam o fato. "A remoção foi a alternativa mais cômoda. Eles deveriam ter adaptado o monumento ao progresso da cidade", argumenta. Mandetta considera que a alternativa correta teria sido a construção de uma rotatória ao redor do relógio para poupá-lo.
A demolição