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A
era dos sem-emprego
*Walter Toledo Silva
O século XXI trouxe-nos
inúmeras vantagens tecnológicas.
Mas, como toda causa produz um efeito, as conseqüências
desses avanços começam a ser sentidos
por trabalhadores, empresas e governos. Estamos
entrando na "Era do Não-Emprego",
como previa o autor americano Jeremy Riffkin.
A tecnologia está fazendo com que os profissionais
mudem seus hábitos e sua forma de pensar
o trabalho. Os empregos tradicionais serão
rapidamente transformados em história do
passado. Seremos cada vez mais fornecedores de
trabalho, com ou sem vínculo empregatício.
A cada dia, o trabalho passa a
ser realizado pela categoria dos "profissionais
sem emprego". Na prática, sempre existirá
muito trabalho para aqueles que souberem enxergar-se
como fornecedores ou prestadores de serviços,
aqueles que oferecem soluções para
demandas ainda não plenamente atendidas.
Aqueles que estiverem em condições
de oferecer instantaneamente o conhecimento e
habilidades necessárias, pelo tempo em
que estas forem requeridas pelas organizações.
Diferente do atual conceito de desempregado, os
sem-emprego são "trabalhadores just-in-time".
Voltemos aos primórdios
da Revolução Industrial para que
possamos entender a atual transformação
do mercado de trabalho. Durante um certo período,
o trabalho, que era empacotado em linhas operacionais
adaptadas ao novo tipo de espaço produtivo,
passou a oferecer grande número de vagas
formais, principalmente com o surgimento das grandes
companhias e suas imensas áreas burocráticas.
Em nosso tempo, esses grandes espaços produtivos
estão se encolhendo cada vez mais para
atender a novas realidades econômicas e
o trabalho está, mais e mais, sendo realizado
por pessoas que não fazem parte do quadro
fixo das empresas.
O profissional do futuro, daqui
por diante, será aquele que melhor souber
enfrentar turbulências, aquele que melhor
se adapte às novas realidades e exigências
do mercado. Quebrar paradigmas será uma
necessidade vital para sua sobrevivência.
Se atualmente já está difícil
uma boa colocação para quem está
preparado, o que não dizer para o despreparo
da maioria. A estabilidade como se conhece hoje,
não mais existirá. O funcionário
será estável enquanto for necessário
em sua função. Quando não
mais o for, a estabilidade se quebrará
tornando-o descartável.
Certamente, nossa sociedade terá
que se preparar para os novos tempos, reorganizando
leis trabalhistas e reformulando a própria
educação para formar profissionais
mais aptos a esse novo mercado. Empresas e organizações
só sobreviverão se puderem contar
com os melhores recursos humanos, disponíveis
a cada momento, dentro de um cenário de
demandas que mudam com velocidade inédita.
Cada habilidade precisará ser aperfeiçoada
para mostrar competência nesses novos tempos.
Também está surgindo o estilo coaching
de administração - empresas com
forte característica de "times de
sem-empregos".
As que forem pró-ativas,
rapidamente adotarão o novo modelo. Para
ter sucesso em sua carreira, o profissional deverá
deixar de pensar como empregado e passar a se
comportar como se fosse um prestador de serviços,
contratado por tarefas. Não bastará
acertar de vez em quando, terá que acertar
sempre ou para usar um jargão conhecido
- "matar um leão por dia".
Três pontos fundamentais
passam a ser exigidos para este profissional do
futuro: primeiro, o desafio que estimula as pessoas
a lutar por alguma coisa; segundo, o resultado
que dá a sensação de vitória
e autoconfiança para continuar adiante.
Em terceiro, a autorresponsabilidade, ou seja,
a capacidade de corrigir erros cometidos e comemorar
as vitórias.
Os trabalhadores da "Era
dos Sem-emprego" terão de ser versáteis,
multifuncionais e polivalentes. Por isso, é
muito mais importante investir em uma preparação
muito mais ampla que a usual para a ficção
do emprego permanente. Este novo trabalhador também
deverá pensar mais do que em sua experiência
profissional e nos idiomas que fala, até
porque, saber mais de uma língua será
necessidade comum para todos os concorrentes.
Até mesmo o tradicional
currículo profissional terá que
ser revisto. O velho relatório de experiências
e atividades passará a funcionar como um
verdadeiro instrumento de publicidade: vendendo
para quem o lê, todas as características,
vantagens competitivas e pontos fortes do candidato
a sem-emprego.
A fórmula para acertar
nesse cenário, é aproveitar a oportunidade
e estabelecer uma meta de crescimento e quando
ela for atingida, planejar vôos mais altos.
O vínculo do próximo século
deverá ser com o trabalho que cada um sabe
fazer, e não mais com o emprego ou com
um empregador. Os empregos,de fato, estão
desaparecendo!
*Walter Toledo Silva é professor e presidente-fundador
do Grupo CEL®LEP, rede de escolas de idiomas
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