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Empresa ganha mais desenvolvendo
culturas do que reduzindo custos *Karsten Mangels
Devido à crise e ao aumento de
competitividade da maioria dos mercados, muitas empresas
estão fazendo gato e sapato para se manterem ou passarem
a ser lucrativas. Geralmente, quando isto acontece, a
organização entra na "paranóia da
sobrevivência" que, em poucas palavras, significa
baixar custos e despesas. Não que o foco em querer
maximizar recursos não seja muito importante, mas quando
isto se torna a máxima da empresa, seu futuro certamente
sairá prejudicado.
Uma pessoa menos experiente perguntaria: "Por que
focar no corte de custos e despesas? Não poderíamos
aumentar as vendas para conseguir melhores
resultados?". No entanto, esta quase nunca é a
alternativa dos gestores encarregados de balancear as
contas. E por que não?
Somos ensinados durante toda a nossa carreira educacional
a ter contrôle e certeza naquilo que estamos fazendo.
Passamos por provas onde apenas uma resposta é a certa.
Somos extensivamente treinados para diferenciar o correto
do errado, para responder a perguntas rapidamente e de
acordo com o material estudado, a percorrer um
"caminho certo", como se existisse um caminho
certo e ele fosse o mesmo para todos. Nossa vida está
longe de ser simplesmente dividida como uma prova de
avaliação, em respostas corretas e incorretas. Não
estou aqui querendo dizer que está tudo errado com o
nosso sistema educacional, apenas colocando que ele nos
prepara apenas para a parte da vida que podemos
"controlar".
Então, como as pessoas são bem intencionadas, experts
em controlar e trazer previsibilidade às nossas
empresas, elas preferem trilhar o caminho do óbvio que
é cortar, ou controlar, custos e despesas. Ora, o ponto
delicado desta iniciativa de corte de custos e despesas
é o fato de que, com o tempo, este processo acaba com a
empresa. Corta-se tanto, e muitas vezes de forma tão
indiscriminada, que perde-se a vantagem competitiva.Será
que é viável pensar de forma diferente? Que outras
saídas temos?
Não tenho dúvidas de que uma das soluções pode estar
no fato de as pessoas começarem a questionar outras
possibilidades. Geralmente não nos damos tempo ou não
nos permitimos pensar de forma diferente, manter uma
questão em aberto, sem resposta imediata, pois fomos
treinados para responder de pronto e rapidamente a
perguntas tais como: Quanto é 2 + 2? Qual é a capital
da Austrália? Qual elemento químico é formado por
hidrogênio e oxigênio? Não foi assim que fomos
"educados"?
A forma de aprendizado que possibilita que possamos
pensar o impensável não está contida neste contexto de
respostas rápidas, e certas e erradas, para perguntas
fechadas. Só que nosso mundo e nossas empresas estão
nos colocando questões abertas que não conseguimos
responder com este tipo de raciocínio. Faz-se
necessária uma outra colocação, uma outra atitude
frente aos desafios deste novo século. Precisamos de uma
mudança cultural que nos permita realmente trabalhar em
"parceria" tanto internamente na empresa, como
externamente com clientes, fornecedores e a sociedade
como um todo.
O que é mais fácil: reduzir custos e despesas ou criar
uma nova cultura voltada à inovação de produtos,
mercados, relações internas e externas e formas de
trabalhar? No curto prazo, a resposta seria: reduzir
custos. Mas com o passar do tempo, manter uma empresa sob
o contexto do contrôle e da previsibilidade se torna
cada vez mais difícil, pois como a teoria de sistemas
nos ensina, há que se ter muita energia para manter um
sistema em equilíbrio. Logo, é mais fácil e menos
desgastante criar na empresa uma nova cultura voltada à
inovação e à produção de resultados generosos do que
buscar o contrôle absoluto. De forma poética, eu diria:
"a inovação é de nossa natureza".
Na busca de melhores resultados, não conheço forma
melhor do que alinhar os pensamentos dos gestores
voltados a controlar e a trazer previsibilidade aos
processos gerenciais, com os dos inovadores e
interessados em criar futuros que terão de ser
inventados e implementados. Para isto, é necessária a
criação de uma cultura que aceite, valorize, tolere e,
de preferência, convide a diversidade que todos trazemos
a ser expressa, para que contribua na criação do futuro
da empresa.
Em meus anos de experiência com este tipo de trabalho,
ficou claro que o que mais queremos é estabelecer uma
diferença, ou melhor ainda, ter a percepção que
fazemos uma diferença com o nosso trabalho. Quando se
consegue criar o espaço em que as pessoas tenham a
percepção de estar fazendo a diferença, estamos
garantindo o sucesso da empresa e fazendo com que ela
passe a ser inovadora e líder, deixando os mercados
pouco lucrativos para aquelas que se recusam ou não
sabem que podem mudar.
*Karsten Mangels é diretor da GLG
Brasil - Generative Leadership Group
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