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Há vagas no novo mercado de
trabalho
*Rubem Souza
Ao contrário do que fazem supor os
elevados índices de desemprego, há vagas no mercado de
trabalho. Entretanto, a velocidade das mudanças
patrocinadas pela globalização e pela instabilidade da
economia mundial não deixaria os executivos de fora. No
início do século passado, não era raro alguém começar
e terminar sua vida numa mesma empresa. Já nas últimas
décadas as companhias passaram a apostar em jovens
talentos. E hoje? O cenário mais competitivo, a
necessidade de otimização de recursos, a oferta de
talentos, o dinheiro mais caro são alguns elementos que
têm levado a alterações significativas nas exigências
do mercado.
A procura de profissionais estratégicos para ocupar as
posições importantes no funcionamento das organizações,
não está valorizando, na contratação, os
profissionais potenciais, sem vivência específica. As
vagas de "investimento no futuro" estão
diminuindo. Atualmente o primeiro passo para ingressar
neste novo momento do mercado é ter sólido conhecimento
sobre o segmento, produto ou tecnologia onde a empresa
atua. Se um candidato a uma vaga em telecomunicações
for um talentoso administrador com conhecimento na área
de alimentos, está em desvantagem. É necessário que o
candidato, nesse caso, seja talentoso e ainda tenha
experiência em telefonia, em tecnologia da informação
e em sistemas relacionados. O mesmo ocorreria na área de
alimentos, no qual é relevante o conhecimento de varejo,
de marca, de canais de distribuição, etc.
A área financeira não foge a esta regra. Hoje o
conhecimento tributário/fiscal está em alta, a vivência
em contabilidade internacional é muito desejável. As
companhias multinacionais precisam "entender" o
processo tributário/fiscal do Brasil que, aos seus
olhos, é de difícil compreensão. De outro lado, as
empresas nacionais precisam buscar a adequação de suas
operações no exterior.
Desta forma, não está bastando ser talentoso, ter
potencial técnico ou gerencial e ainda ser uma pessoa
legal e agregadora. É preciso conhecer o negócio onde a
empresa está envolvida, ter formação acadêmica na área,
experiência prática e vivência. Assim, da mesma forma
como é difícil para o executivo encontrar colocação,
os processos de Hunting - caçar um bom profissional -
estão cada vez mais complexos e focados. As organizações
definem os mercados, os segmentos e, até mesmo, indicam
as empresas nas quais querem os profissionais. A todos
estes aspectos somam-se ainda mais alguns atributos
essenciais, como falar "muito bem inglês" e
dominar plenamente as ferramentas de informática.
Reunir todas estas qualidades em uma pessoa só não é
nada fácil, o que torna a contratação de executivos
especialistas literalmente uma verdadeira "caça".
Ou talvez uma missão "quase" impossível.
*Rubem Souza é headhunter e sócio-diretor
da Rubem Souza e Associados - RSA, Talentos Executivos
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