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Shopping Center pode perder
clientes
por não apresentar novidades
*Antônio Carlos Ruótolo
O cenário competitivo dos shopping
centers em todo mundo mostra que o consumidor pode, a
partir de certo momento, considerar que todos os
shoppings são iguais. Este problema é acentuado no
Brasil em virtude de poucas opções varejistas,
principalmente âncoras que tendem a ser exatamente as
mesmas em todos os shoppings.
A mesmice dos shoppings acaba representando
um problema de difícil solução quando um shopping
passa a enfrentar concorrência de outro na sua área de
influência. A perda de clientes e de vendas é inevitável,
pois os consumidores sempre acabam optando pelo shopping
de maior proximidade geográfica quando as alternativas são
consideradas aproximadas ou equivalentes.
A pesquisa IPDM (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento
de Mercado) de perfil dos clientes que abrange todos os
shopping centers do Rio de Janeiro e São Paulo revela
claramente que a captação de clientes raramente ocorre
após o raio de 20 minutos de deslocamento. Há,
portanto, um claro atrativo geográfico que se sobrepõe
aos outros atrativos que o shopping possa propiciar.
Esta força geográfica, embora poderosa, não é, no
entanto, o único fator de sucesso de um shopping center.
Se o shopping conseguir diferenciar-se do concorrente,
sua situação será confortável para competir no
mercado.
Nos casos de concorrência acirrada ou ameaça em virtude
da entrada de novos shoppings na área de influência, o
administrador encontra-se na situação em que poucos
recursos estão disponíveis para manter sua clientela ou
para diferenciar seu shopping do concorrente.
Um recurso normalmente usado é a expansão. Mesmo
centros comerciais novos e com desempenho insuficiente
costumam fazer expansão como corretivo de
suas deficiências em lojas, serviços ou lazer. A
pressuposição é de que com a expansão o shopping vá
ganhar competitividade. Mas na verdade o resultado é que
o shopping que fez sua expansão para poder competir
apenas ficou mais parecido com seu concorrente. Está,
portanto, mais habilitado a dividir e não a liderar o
mercado.
Um complexo estudo realizado com 41 shopping centers nos
Estados Unidos (InterCenter Retail Externalities
2003) mostra claramente que quando os shoppings são
percebidos pelo consumidor como iguais, tudo
o que se consegue é dividir o mercado. Em um momento um
shopping ganha alguma vantagem como resultado de suas ações
de marketing; no momento seguinte o concorrente ganha
alguma vantagem, também temporária. O jogo é de divisão
do mercado. Mudanças reais somente ocorrem se houver um
crescimento do mercado total (cada vez menos provável),
ou se um dos shoppings centers conseguir diferenciar-se.
Uma questão de personalidade
Aos olhos do consumidor um shopping somente se diferencia
quando há uma forte coerência e constância de suas ações
em uma direção determinada. Essa direção, no entanto,
não pode ser qualquer uma; muito menos a direção
desejada pelos seus administradores. A direção é
determinada pelo consumidor e depende do espaço mental
que o shopping ocupa no imaginário do consumidor como
conseqüência de sua relação anterior com os clientes
e com a comunidade.
Estamos, portanto, trabalhando com o conceito de
posicionamento, ou seja, o conjunto de crenças e percepções
que o consumidor tem sobre o shopping. Este
posicionamento formou-se e consolidou-se ao longo do
tempo de relação do consumidor com o shopping e não
pode ser mudado com uma simples campanha publicitária.
O posicionamento envolve a imagem do shopping, mas é
muito mais do que a imagem: é uma síntese de sua
personalidade. A escolha de posicionamento que o shopping
deve adotar envolve o conhecimento da estrutura do
mercado e de modelos analíticos que permitam avaliar as
várias alternativas. Ao encontrar sua personalidade,
através de uma pesquisa específica para isso e com técnica
adequada para tal, o shopping pode então começar seu
processo de diferenciação. O posicionamento correto
passa a orientar todas as ações que ao longo do tempo
irão trazer uma verdadeira liderança de mercado, uma
situação consolidada e menos vulnerável à concorrência.
__________________________
* Antônio Carlos Ruótolo, diretor
do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado
(IPDM)/Sense, é professor do programa de
pós-graduação de várias universidades
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