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Valores e princípios
organizacionais
nos programas de treinamento
* Adir Ribeiro
"Se você acha treinamento
caro, considere o preço da ignorância!"
Com essa simples frase, Ray Kroc, fundador e responsável
pelo que é o McDonald's hoje - com mais de 30.000
restaurantes no mundo -, mudou o conceito da capacitação
no mundo empresarial, principalmente nas empresas que
utilizam o Franchising como canal de distribuição de
seus produtos ou serviços.
Imagine quantos hambúrgueres são mal fritos, quantos
lanches são mal preparados, quantos clientes são mal
atendidos ou perdidos. Tudo isso compõe o preço da
ignorância, da falta de informação, da não capacitação
e, finalmente, de resultados negativos para a empresa e
para a marca.
Portanto, entender exatamente o significado desta frase
faz a diferença entre programas de capacitação
estruturados ou não. E planejar um programa efetivo vai
muito além do conteúdo somente, porque observamos
constantemente sendo abordados conceitos da operação da
loja, forma de preparo dos produtos, aspectos de
marketing etc.
Mas, na maioria das vezes, não observamos uma apresentação
institucional da empresa, um histórico desde sua criação,
seus objetivos, missão, valores e princípios
organizacionais, que promovam um alinhamento entre todos
os franqueados da rede (e suas equipes). E mais do que
isso, nem uma apresentação dos principais executivos de
cada área, como por exemplo, o responsável pela logística
da rede, pela área financeira (que vai cobrar, durante a
relação de franquia, os valores devidos pelos
franqueados e as possíveis inadimplências), pela fábrica,
pelo marketing, pela equipe de arquitetura e implantação,
enfim, todos que fazem parte da empresa franqueadora e
que, direta ou indiretamente, se relacionam com os
franqueados.
Entendemos que as pessoas só são fiéis àquilo em que
acreditam, ou como sempre ensinamos nos cursos de vendas,
como a primeira e mais fundamental regra comercial:
"a gente só vende aquilo que a gente compra".
Se os princípios e valores organizacionais não
estiverem claros, transparentes e bem divulgados, não
criamos um círculo "virtuoso" (esqueçamos o círculo
vicioso). Se o franqueado pertence a uma rede de
franquias onde a proteção à natureza é parte da
cultura e dos valores da empresa franqueadora, e se esse
mesmo franqueado não compartilha desse princípio de
proteção à natureza, provavelmente terá problemas de
desalinhamento de valores, ainda mais se, por exemplo, a
sacola padronizada para toda a rede usar papel reciclável
e custar um pouco mais caro.
Portanto, como franqueadores, temos que comprar tudo isso
(e comprar aqui significa acreditar, compartilhar e
"vender" isso para os outros) para o sucesso,
alinhamento e comprometimento de toda a rede. Mas para
que os franqueados comprem, antes os franqueadores
precisam "vender". Como? Efetivamente, com
muito treinamento e comunicação.
Enfim, acreditar no investimento em capacitação e na
comunicação constante com sua rede seguramente agregará
valor ao seu negócio e à sua marca. Afinal, lembre-se
sempre do preço da ignorância.
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* Adir Ribeiro é diretor do Grupo
Cherto, especialista em franchising, professor e
palestrante do Instituto Franchising e da Associação
Brasisleira de Franchising. Email: adir@cherto.com.br
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