Tragédia, o mal de todos os tempos

O livro, que ensina como lidar com as emoções e proteger a voz, é dirigido às pessoas que fazem da voz um instrumento de trabalho, como atores, políticos, cantores, comunicadores, líderes empresariais e executivos, entre outros.

A fonoaudióloga Glorinha Beuttenmüller desenvolveu um método próprio de trabalhar a voz, baseado nas sensações e vibrações do som. Esse método foi desenvolvido por ela por meio trabalhos realizados com surdos e mudos, na década de 60.

Empolgada com novas descobertas de seu método e trabalhando separadamente o sentimento da tragédia, Glorinha teve a idéia do novo livro, que também serve para como um manual de bem estar no dia-a-dia de qualquer pessoa.

A autora trabalha há mais de 40 anos com vozes de atores, jornalistas, locutores, oradores, juristas, políticos e professores de todo o Brasil e do exterior. Durante 18 anos, foi fonoaudióloga exclusiva da Rede Globo de Televisão, ensinando e aprimorando a colocação da voz para atores e atrizes.

A atriz Fernanda Montenegro, que assina o prefácio, escreveu que ela faz milagres. "Eu vi. Em apenas uma hora de atendimento atores completamente afônicos entram em cena e dá-se o milagre de que falo: voz absolutamente limpa”, escreveu a atriz.

Atualmente, aos 83 anos de idade, ela presta atendimentos individuais e promove cursos regulares de impostação de voz e fala na comunicação, no telejornalismo, na dramaturgia e no telemarketing. Tem também turmas para tratar de problemas de gagueira e dá palestras em empresas e instituições de ensino.

Entre seus mais de dez livros publicados, destacam-se Você sabe falar? (1961); Expressão oral. Integração do cego à sociedade (1968); Ortofonia e Ortodontia – Duas ciências unidas para o êxito de um trabalho (1971); Método espaço-direcional. Dicção, plano de disciplina; Voz e respiração (1973); Locução e TV (1976) e O despertar da comunicação vocal (1995).

Apesar de ter concebido e começado a aplicar seu método entre 1960 e 1961, Glorinha só o registrou em 1972, mesmo ano em que publicou (em parceria com Nelly Laport) o livro Expressão vocal – Expressão corporal, no qual reforça a tese de que o ser humano deve se comunicar com o corpo inteiro.

Como reconhecimento por suas descobertas e pesquisas ao longo dos anos, recebeu vários prêmios. Entre eles, o Prêmio Rosa de Prata (1970), Diploma da Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado do Rio de Janeiro (1976), Prêmio Golfinho de Ouro (1976), Prêmio Estácio de Sá (1977), Destaque pela Classe Teatral do Museu da Imagem e do Som (1977), Troféu Rádio Mec (1986), Prêmio Shell de Teatro (1998) e Prêmio Voz Ativa (2002).

Algumas dicas Glorinha para se ter uma boa voz:

Beber muita água.

Gostar de gente.

Não abusar de bebida alcoólica ou do cigarro.

Não cometer vícios de linguagem e procurar saber a pronúncia certa das palavras. “Esse trabalho abrange uma certa cultura”, ensina.

Ter uma voz verdadeira para não desmentir a palavra. “A palavra deve ter o sabor do saber”.

Não procurar ter uma voz bonita. “É um dom de Deus. Todas as vozes podem ser belas, no sentido da estética e da verdade”, diz.

Procurar ter sempre envolvimento. “Porque não falamos só com a garganta, falamos com o corpo inteiro”.

Ficha técnica:

Tragédia, o mal de todos os tempos
Glorinha Beuttenmüller

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