Inadimplência volta a registrar
alta em março, diz Serasa
A inadimplência de pessoas físicas registrou alta
expressiva em março de 2005, quando comparada com fevereiro
do mesmo ano. Contrariando o comportamento dos últimos três
meses, o Indicador Serasa de Inadimplência apresentou elevação
de 24,5%. De acordo com o estudo, o indicador também mostrou
acréscimo na comparação com março de
2004.
A inadimplência de consumidores apresentou aumento de 16,2%
em março de 2005, na comparação com o mesmo
mês do ano passado. Na série dessazonalizada, a alta
de março de 2005 em relação ao mês anterior,
foi de 6,8%. Em relação a março de 2004, houve
um aumento de 16,0%.
No primeiro trimestre deste ano a inadimplência de pessoa
física registrou ligeira alta de 0,4% em relação
ao último trimestre de 2004 e uma alta expressiva, de 11,6%,
quando comparada com o acumulado de janeiro a março de 2004.
Na série dessazonalizada, no entanto, o indicador está
1,2% abaixo dos níveis verificados para o último trimestre
de 2004, e também 11,6% acima do primeiro trimestre do ano
passado.
De acordo com o levantamento, as dívidas com cartões
de crédito e financeiras tiveram a maior representatividade
na inadimplência de consumidores no período. Em março
deste ano, os registros de cartões de crédito e financeiras
representaram 35% do total do indicador de Pessoa Física.
No mesmo mês de 2004, o índice era de 33,3% e em 2003,
os registros tinham um peso de 33,0%.
O segundo maior índice na representatividade do indicador
é o
registro de inadimplência com cheques sem fundos, que em março
de 2005 teve participação de 34%. Em 2004, os cheques
devolvidos (2ª devolução) representaram 36% do
indicador de PF e em 2003 o índice era de 37%.
O índice que aponta os registros das dívidas com
bancos apresentou a terceira maior participação no
indicador, com 29%. Em março de 2004, os registros tinham
um peso de 29,2% e no mesmo período de 2003, representaram
28% do indicador. Finalmente, os títulos protestados, já
há três anos, têm se situado em um patamar inferior
a 2% das dívidas não pagas de pessoas físicas.
O valor médio das anotações negativas de cheques
sem fundos de pessoas físicas foi R$ 501,80 em março
de 2005. Já o valor médio de títulos protestados
foi R$ 669,57, enquanto os registros no sistema financeiro tiveram
um valor médio de R$ 1.056,82, e os registros em outros segmentos
(cartões de crédito e financeiras), de R$ 248,22.
Em relação a março de 2004, houve um aumento
de 20,3% no valor médio das anotações de cheques
sem fundos e uma alta de 11,5% no valor das anotações
de protestos.
O valor médio das dívidas com cartões de crédito
e financeiras, em março deste ano, aumentou 9,7% em relação
ao segundo mês de 2004, e o valor das dívidas com bancos
apresentou alta de 11,1%.
Segundo os técnicos da Serasa, o aumento da inadimplência
de
consumidores pode ser explicado por fatores sazonais decorrentes
do maior número de vencimentos ocorridos em março.
No terceiro mês do ano aumenta a participação,
nos gastos das famílias, das despesas extraordinárias,
como os impostos de início de ano, o vencimento das parcelas
das compras de final de ano, as despesas com escola e com materiais
escolares.
A contração na massa de salários, neste início
de ano, também
repercute no indicador de inadimplência de pessoas físicas.
Essa contração decorre do aumento no desemprego em
proporção superior ao aumento da renda média
real. Outro fator a pressionar a renda dos consumidores são
os aumentos, acima do esperado, nos preços de itens de consumo
essencial, como transporte e alimentação.
O resultado do indicador sinaliza para uma mudança na tendência
que vinha sendo verificada até então, e serve de alerta
para que o mercado adote procedimentos adequados na concessão
de crédito.
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