Carregar o piano redunda em erros e doenças
“Overwork in America”
é o mais novo estudo americano sobre a relação
entre empresa, empregado, resultado e qualidade de vida. Dos mais
de mil entrevistados, metade relatou que tem de dar conta de tantas
tarefas – e, ao mesmo tempo, atender a outras tantas solicitações
–, que não consegue terminar o que começou. Nove
entre dez disseram que, apesar de se dedicarem ao máximo às
exigências do trabalho, sentem que os resultados nunca são
bons o suficiente.
A insatisfação em relação ao próprio
desempenho profissional acaba fazendo com que as pessoas levem trabalho
para casa, ocupando suas horas vagas e finais de semana. Muitos, inclusive,
abrem mão das férias para dar conta do recado. Conclusão:
36% confessaram estar com alto nível de estresse; 21% exibem
sintomas de depressão; e 40% dizem que, no geral, a saúde
não está boa.
No Brasil, a situação não é diferente.
“Com as exigências do mundo globalizado, esse cenário
se repete em nosso país. As pessoas estão mais sobrecarregadas,
mais estressadas, menos saudáveis e mais aptas a cometer erros
em suas tarefas”, diz Rejane Málacco, diretora da Laboredomus
– Consultoria de Gestão e RH.
Para a consultora, “como se trabalha” é mais importante
do que “quantas horas se trabalha”. “Cada pessoa
tem um limite. Dentro desse limite, ela deve se empenhar ao máximo
em atingir resultados que a mantenham motivada, satisfeita com o próprio
desempenho e, muito importante, empregada. Mas, quando ela começa
a se sentir sobrecarregada e insatisfeita, pode pôr tudo a perder.
No início, demonstra mau humor e começa a ter problemas
com a equipe de trabalho. Com o tempo, isso pode comprometer seu desempenho
profissional e sua saúde”.
Rejane diz o que pode ser feito para evitar que a sobrecarga no trabalho
comprometa a vida dos funcionários:
- Garantir um sono reparador para que haja completa recuperação
entre um dia e outro de trabalho;
- Estabelecer pausas. Isso é comum nos esportes, mas devemos
aplicar também no trabalho. Aliás, o mundo corporativo
está mais competitivo que os esportes;
- Focar os principais objetivos e cuidar para que nenhuma interferência
o impeça de atingi-los;
- Preservar outros setores da vida: reservar tempo para estar com
a família, namorar, passear com amigos, praticar esportes
e cuidar da saúde;
- Evitar desperdício de energia. Às vezes, gastamos
tempo demais com detalhes sem importância.
Há vinte anos prestando consultoria em Recursos Humanos,
Rejane diz que os limites entre trabalho e vida pessoal estão
cada vez mais fluidos.
“Algumas empresas já descobriram a palavra flexibilidade.
Além de cuidar para que o ambiente de trabalho seja o mais
salutar possível, também têm adotado novos modelos
de carga-horária. Há quem trabalhe quatro dias por
semana e folgue três, por exemplo. Por menores que sejam as
mudanças, elas normalmente representam grandes ganhos aos
colaboradores”.
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