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Pesquisas    


IPEA apura aumento da ação social de empresas

As mudanças no desempenho das empresas nordestinas é o grande destaque dos resultados da Pesquisa Ação Social das Empresas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) realizada, pela segunda vez, nas regiões Sudeste e Nordeste.

Os dados revelam que o percentual de empresas privadas do Nordeste que declaram fazer algum tipo de ação social, em caráter voluntário, para as comunidades aumentou em 35%, entre os anos de 1999 e 2003, passando de 55% para 74%. No Sudeste, este incremento foi da ordem de 6%. Em 1998, 67% das empresas da região contribuíam para o social, percentual que subiu para 71%, em 2003.

Apesar de relativamente mais empresas estarem atuando no social, isto não resultou num aumento proporcional de recursos. Em 2003, o empresariado nordestino destinou cerca de R$ 505 milhões no atendimento de comunidades carentes, valor que corresponde a aproximadamente 0,24% do PIB da região, para o mesmo ano. Em 1999, esta relação era de 0,19%.

Em quatro anos, o investimento social privado aumentou em 26%, percentual inferior aos 35% que correspondem ao crescimento, no mesmo período, da proporção de empresas que declaram realizar ações sociais. No Sudeste, o empresariado destinou cerca de R$ 3,1 bilhões no atendimento de comunidades carentes. Este valor, bastante expressivo em termos absolutos, corresponde a aproximadamente 0,35% do PIB da região, para o mesmo ano, mas em 1998, esta relação era de 0,61%.

"Pode-se supor que este desempenho financeiro mais modesto resulte das dificuldades econômicas pelas quais o país passou em 2003, ano de estagnação da produção nacional. Neste caso, podemos arriscar que, de uma maneira geral, os recursos aplicados pelo setor empresarial para o combate à pobreza acompanham os movimentos da economia: quanto mais prósperos os negócios, mais verbas serão destinadas ao social e vice-versa", diz a coordenadora-geral da Pesquisa e diretora de estudos Sociais do IPEA, Anna Maria Peliano.

Segundo ela, tal hipótese pode ser corroborada pelo fato de a maioria dos empresários (72% no Nordeste e 58% no Sudeste) informar que a principal dificuldade para atuar no social diz respeito à insuficiência de recursos.

Sem pretender estabelecer um ranking da atuação social das empresas por estados, a pesquisa confirma que a liderança permanece com Minas Gerais (81% das empresas atuam), seguida da Bahia (76%) e dos demais estados do Nordeste (com percentuais que variam entre 73% e 74%).

No Sudeste, o destaque é para o Rio de Janeiro onde a proporção de empresas que realização ação social para fora de seus muros passou de 59%, em 1998, para 69%, em 2003, o que representa um incremento de 17%, bem maior ao verificado para a região (6%). Em São Paulo 68% das empresas informam atuar voluntariamente na realização de ações sociais em prol de comunidades carentes (Gráfico 2). Os índices estaduais são expressivos, e Anna Peliano destaca o crescimento das empresas cearenses e pernambucanas.

"O Ceará passou de 45%, em 1999, para 74%, em 2003; houve um aumento de 64% na participação social do empresariado local, cerca de duas vezes maior do que o observado para a região Nordeste como um todo, que foi de 35%. E em Pernambuco este crescimento foi de 55%".

No que diz respeito à população atendida, mais da metade das empresas do Nordeste (55%) dá prioridade às crianças; no Sudeste, esse percentual é de 61%. No Nordeste outros grupos da população passaram a receber maior atenção como os idosos (33%), jovens (27%), portadores de doenças graves (23%) e pessoas com deficiência (21%). Já no Sudeste cresce a proporção de empresas que se voltam para idosos (44%), jovens (32%), comunidade em geral (26%) e portadores de doenças graves (20%).

As ações desenvolvidas pelos empresários do Sudeste e Nordeste voltam-se, ainda, para atividades de alimentação (49% e 45%, respectivamente) e de assistência social (39% e 38%, respectivamente). Contudo, a pesquisa verifica um expressivo crescimento das ações nas áreas de educação e saúde. A atuação das empresa na área de educação no Nordeste passou de 13%, em 1999, para 28%, em 2003, e no Sudeste, de 14% para 18% no mesmo período. As ações de saúde tanto no Nordeste (7% em 1999) quanto Sudeste (13% em 1998) passar a envolver 21% das empresas, em 2003.

A pesquisa indagou, em caráter inédito, o que levaria as empresas que nada fizeram para as comunidades, em 2003, passarem a atuar no social. Tanto no Nordeste (41%) quanto no Sudeste (45%), a maior parte dos empresários respondeu que necessitaria de mais recursos nas empresas. Em ambas as regiões, uma proporção menor cobra mais incentivos governamentais para tal (Nordeste 33%; Sudeste 26%).

“Notamos que é pequeno o percentual de empresas que afirma que ‘nada faria realizar ações sociais’, menos de 10%. Esses dados sugerem que ainda há espaço para o crescimento da atuação empresarial dos mais de 70% atuais para percentuais superiores a 95% em ambas regiões”, avalia Ana Peliano.

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