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Pesquisas    

Greve dos bancários aumentou a inadimplência com cheque

O índice de cheques devolvidos em outubro (2,67%) foi superior 16,4% em relação ao de setembro (2,29%) e 5,1% maior comparado ao do mesmo período do ano passado (2,54%), revela pesquisa mensal da Telecheque. Para medir a inadimplência, a Telecheque leva em conta o volume financeiro da inadimplência e não a quantidade de folhas de cheques devolvidas.

Para o vice-presidente da Telecheque, José Antônio Praxedes Neto, o principal motivo para esta alta foi a greve bancária, que acabou no começo de outubro. "Muitos cheques da segunda quinzena de setembro ficaram detidos nos bancos e acabaram sendo resgatados pelos varejistas só em outubro, o que alavancou os índices de inadimplência. Calculamos que cerca de 30% dos cheques de outubro tinham datas previstas de depósito para o mês anterior", justifica Praxedes.

O executivo chama atenção também para a alta nas regiões norte e nordeste, que apresentaram maior concentração dos impactos causados pela greve, o que não ocorreu nos centros como São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde existe grande concentração de operações em cheques. "As regiões norte e nordeste foram as principais responsáveis por este aumento do risco de inadimplência no Brasil", diz.

Do valor total das transações com cheques, 96,67% foram honradas e 0,66% foi o índice de cheques roubados. Ainda segundo a pesquisa, os cheques pré-datados corresponderam a 67% das transações e os pagamentos com cheques à vista a 33%, sendo que 56,2% deles foram pré-datados para 30 dias.

Em outubro praticamente todos os Estados apresentaram elevação da inadimplência no comparativo com setembro. As exceções foram Santa Catariana e Rio Grande do Sul, onde os índices de cheques devolvidos apresentaram queda.

Em Santa Catarina, o índice de inadimplência foi de 1,42% e representou queda de 0,4% em relação ao mês anterior (1,43%) e de 21,1% em relação a outubro de 2003 (1,80%). O Estado foi novamente o "melhor pagador", já que 98,16% das transações com cheques foram honradas.

No Rio Grande do Sul, o índice de cheques devolvidos, de 1,76%, foi inferior 3,8% no comparativo com o de setembro (1,83%) e menor 9,1% comparado ao do mesmo período do ano passado (1,94%). O Estado foi o terceiro "melhor pagador", com índice de cheques honrados de 97,65%.

Em segundo lugar ficou o Paraná, com índice de cheques honrados de 97,46%. No entanto, o índice de inadimplência no Estado, de 2,02%, foi 21,5% maior em relação ao do mês anterior (1,66%). Já no comparativo com outubro de 2003 (2,06%) houve queda de 2%.

A maior alta da inadimplência no comparativo com setembro foi registrada no Rio Grande do Norte. No Estado, o índice de cheques devolvidos chegou a 6,88%, superior 112,7% em relação ao de setembro (3,24%). Comparado ao de outubro de 2003 (3,69%) a alta foi de 86,7%. Com esse desempenho, o Estado ficou em primeiro lugar no ranking de Estados com maiores índices de cheques devolvidos.

O segundo pior desempenho foi registrado no Amazonas, onde o índice de cheques devolvidos em outubro, de 4,52%, foi 15,5% superior ao do mês anterior (3,91%). Em relação a outubro de 2003 (5,21%) foi verificada queda de 13,4%.

Em seguida apareceu a Paraíba, com índice de inadimplência de 4,41%, alta de 77,5% no comparativo com setembro (2,49%), a segunda maior elevação da inadimplência de acordo com essa base de comparação. Já no comparativo com o índice do mesmo período do ano passado (3,29%) a alta foi de 34,2%.

Em São Paulo, o índice de cheques devolvidos foi de 2,84%, aumento de apenas 1% em relação ao do mês de setembro (2,82%) e de 5,4% no comparativo com outubro de 2003 (2,70%).

Já no Rio de Janeiro, o índice de cheques devolvidos de outubro (2,49%) foi 16% maior comparado ao de setembro (2,14%) e menor 1,7% comparado ao do mesmo período do ano passado (2,53%).

O Estado de Minas Gerais registrou índice de inadimplência de 2,21%, o que significou aumento de 6,2% em relação a setembro (2,08%) e queda de 3,1% em relação a outubro de 2003 (2,28%).

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