Conjuntura e prazos
de pré-datados geram novo recorde
de cheques sem fundos
Em março de 2004, foram devolvidos, por
insuficiência de fundos, 17,2 cheques a cada
lote de mil compensados, revela estudo mensal da
Serasa. O número supera as devoluções de
fevereiro de 2004, de 16 a cada mil compensados,
e também o volume apresentado há um ano, em
março do ano passado, de 16,7. A marca de março
é recorde do ano e o segundo maior registro
mensal desde que o estudo começou a ser feito em
1991. O pico de inadimplência com cheques
ocorreu em maio de 2003, quando, em cada mil
cheques compensados, 17,6 retornaram sem fundos.
A média trimestral de 16,3 cheques sem fundos a
cada lote de mil é a maior já registrada desde
a criação do indicador, na comparação com os
primeiros trimestres do ano desde 1991. O
primeiro trimestre de 2003, com a segunda maior
marca, registrou 15,1 cheques devolvidos. O
crescimento verificado na comparação 1º
trimestre 2004/2003 foi 7,9%.
O estudo da Serasa, maior empresa do Brasil em
análises econômico-financeiras para apoiar
decisões de crédito e negócios referência
mundial no segmento, mostra que em março de 2004
foram compensados, em todo o país, 189,25
milhões de cheques, dos quais, 3,25 milhões
foram devolvidos por falta de fundos. Março de
2004, no entanto, teve maior número de dias
úteis em relação ao mesmo mês de 2003, quando
ocorreu o Carnaval.
Em comparação com fevereiro de 2004, os cheques
devolvidos no terceiro mês de 2004 aumentaram
7,5%. A comparação anual - março de 2004 ante
março do ano passado - mostra crescimento de 3%,
sempre considerando segunda devolução. O
principal fator que justifica a alta de cheques
devolvidos por falta
de fundos em março deste ano se refere ao
aumento das vendas no varejo no Natal 2003, em
relação ao mesmo período de 2002, conforme
apontado pelos estudos econômicos da Serasa,
fundamentado na prática de alongamento nos
prazos de aceitação dos cheques pré-datados, o
que deve manter a inadimplência com cheques
elevada por todo o 1º semestre deste ano.
Outro fator é a permanência de conjuntura não
favorável ao consumidor - juros elevados, alto
desemprego e renda em queda - no primeiro
trimestre de 2004, somada a não correção da
tabela do Imposto de Renda, e a criação de
novos impostos e taxas, que deixam menor renda
disponível para o consumidor honrar os
compromissos assumidos.
Os sinais de recuperação da atividade
econômica no final do 1º
trimestre 2004, ainda que localizados, podem
trazer algum alívio para desemprego nos
próximos meses, o que deve aproximar o indicador
de inadimplência com cheques de 2004 aos
patamares de iguais meses de 2003.Clique
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