Primeiro emprego
está cada vez mais difícil
Conseguir o primeiro emprego está se tornando
cada vez mais difícil. As exigências crescentes
de qualificação dos profissionais nos processos
de seleção e os índices elevados de desemprego
estão ampliando o prazo em que os
recém-formados conseguem se colocar no mercado
de trabalho.
A constatação é da Adecco, líder mundial
no setor de Recursos Humanos e uma das maiores
consultorias no mercado brasileiro, com base em
tendência registrada nos sete Estados onde atua
(São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande
do Sul, Distrito Federal, Bahia e Minas Gerais).
"A possibilidade de conseguir uma
colocação, para profissionais na faixa etária
de 18 e 19 anos, era muito maior há dois anos.
Mas, diante da retração do mercado de trabalho,
muitos profissionais só estão conseguindo o
primeiro emprego aos 21 ou 22 anos",
constata Sylmara Valentini, diretora de
Consultoria de RH da Adecco, ao destacar que não
é raro encontrar candidatos com 25 anos que
ainda não conseguiram um trabalho formal, com
carteira assinada.
O fato de haver um grande número de
profissionais experientes desempregados tem
levado as empresas a exigir experiência
anterior. "Diversas empresas estão
substituindo funcionários experientes por
estagiários, devido ao custo menor de
remuneração, por isso os pré-requisitos
mudaram, e os candidatos têm que ter um preparo
maior para fazer frente aos desafios", conta
ela. Isso, contudo, cria um paradoxo, pois quem
não tem experiência, também não encontra
colocação fácil.
As exigências quanto à formação do
candidato também aumentaram. Na área
operacional, muitas empresas solicitam
profissionais com ensino médio. É comum se
observar inclusive a exigência de domínio de
informática para vagas de office-boy. Em
relação aos idiomas, já não basta mais falar
inglês fluente. Muitas empresas começam a
requerer também o espanhol.
Esta situação tem criado paradoxos em
algumas regiões. "Em cidades pequenas, uma
grande empresa pode ter dificuldades em encontrar
profissionais com ensino médio, ao mesmo tempo
em que outros, com curso superior, aceitam
trabalhar na área operacional por falta de
opção", detecta a diretora da Adecco.
Diante desse cenário, a consultoria tem
orientado os candidatos a ampliar sua
qualificação, com a realização de cursos
técnicos, de nível médio e superior, bem como
cursos de línguas. "Também temos orientado
os profissionais que nos procuram em busca de
vaga a respeito de cursinhos pré-vestibulares
oferecidos para a população carente por algumas
universidades, bem como na possibilidade de
atuarem como voluntários em comunidades
carentes, igrejas e associações de bairro, em
troca de bolsas de estudo", completa
Sylmara..
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