Emprego melhor é meta de brasileiro que quer migrar
Uma pesquisa realizada com 13.196 pessoas na faixa etária
entre 14 e 35 anos, de diferentes partes do país, constatou
que 65,8% delas iriam embora do Brasil se tivessem uma oportunidade
para isso. O principal motivo para tanta vontade de ir embora é
o desejo de encontrar uma nova colocação profissional.
O lado bom é que a maioria pensa em voltar.
Vamos aos dados: para outra parcela dos entrevistados, o anseio
de deixar o país é ainda maior: 3,3% deles afirmam
que sua opção por partir rumo ao exterior é
incondicional. No outro extremo estão os que dizem não
trocar o Brasil por nada, somando 4,1% da amostra.
Do total de participantes da pesquisa, coordenada pelo professor
de Marketing Marcelo Peruzzo, 80,3% admitem que a idéia de
viver fora daqui já lhes passou pela cabeça em algum
momento, enquanto 12,2% garantem não ter pensado sobre o
assunto ainda. Apenas 7,5% afirmaram não ter pensando em
sair do país.
Mas, assim como é alto o índice de pessoas à
espera de uma chance para morar em outro país, é significativa
também a porcentagem de indivíduos que recomendariam
a um estrangeiro a mudança para o Brasil - 58,3%. Apenas
uma minoria de 10,5% se nega a indicar o lugar como uma boa alternativa
para fixar residência.
Embora os brasileiros, em sua maioria, se mostrem dispostos a apontar
seu país como uma boa opção de local para viver,
o Brasil é reprovado na avaliação de seu povo
quando os aspectos julgados são as oportunidades de trabalho,
a possibilidade de crescimento profissional e a qualidade de vida.
Em relação a esses critérios, numa escala
de 1 a 10 o País chega apenas a 5,25, média dos pontos
atribuídos pelos participantes da pesquisa dirigida por Peruzzo.
É justamente a busca por novas oportunidades profissionais
o que mais instiga o brasileiro a se estabelecer em outro país.
Quando pensam em emigrar, 60,1% dos entrevistados justificam seu
anseio com a idéia de conquistar um emprego mais lucrativo.
Os estudos também motivam a emigração, atraindo
48,9% das pessoas, assim como o aprendizado de um novo idioma, que
inspira 31,1% dos brasileiros.
Independentemente das razões que tornam o exterior atraente,
apenas 5,7% dos entrevistados querem se mudar definitivamente. Entre
os que desejam retornar a seu ponto de origem, 14,0% planejam se
afastar por menos de 1 ano; 50,7% pretendem ficar de 1 a 3 anos
fora do país; 15,0%, entre 3 e 5 anos; e outros 14,7%, mais
de 5 anos.
Países preferidos
Entre os países escolhidos para morar ou somente passar
um período se destacam os de língua inglesa, que juntos
têm 58,9% da preferência dos entrevistados. Isoladamente,
os locais mais citados compõem o seguinte ranking: Estados
Unidos (21,5%), Inglaterra (14,8%), Itália (12,3%), Austrália
(11,3%), Canadá (10,6%), Espanha (9,2%), França (5,6%),
Japão (4,4%), Alemanha (3,8%) e Portugal (2,9%).
O perfil do potencial emigrante
Sexo: Homem (68%) e mulher (67%) tendem, igualmente, a querer sair
do país.
Idade: A faixa etária potencial para a emigração
se estende dos 21 aos 28 anos, na qual 71% dos entrevistados têm
interesse de morar fora do País. Na seqüência
figuram os grupos entre 14 e 20 anos (67%), entre 29 e 35 (65%).
Escolaridade: A porcentagem de interessados em sair do País
varia da seguinte forma, de acordo com o nível de escolaridade:
mestrado - 72%; graduação - 71%; especialização
- 64%; Ensino Médio - 66%; e Ensino Fundamental - 61%.
Trabalho: Os empregados de período integral (67%) anseiam
tanto quanto os desempregados (67%) deixar o Brasil. Já entre
os que trabalham meio período, a intenção de
emigrar é mais freqüente (71%).
Estado civil: Os solteiros (69,6%), como esperado, possuem um interesse
maior de ir para o exterior do que os casados (55,4%).
Classe social: A pesquisa indicou que a renda familiar não
é um fator determinante para a escolha entre sair ou não
do País. O índice de pessoas ansiosas por fazer as
malas varia muito pouco de uma classe social para outra (de 67%
a 71%).
Regiões: Pernambuco e Rio Grande do Sul são os Estados
com maior percentual de interessados em emigrar (ambos com 71,5%).
Já as cinco regiões em que se divide o País
se equiparam no quesito: Norte - 68,8%; Nordeste - 68,1%; Centro-Oeste
- 65,5%; Sudeste - 68,1%; e Sul - 68,4%.
Segundo Marcelo Peruzzo, o objetivo da pesquisa foi identificar
o posicionamento do Brasil em relação aos jovens,
observando até que ponto o País tem condições
de manter esse público em sua terra natal.
A partir dos resultados obtidos (cuja margem de erro é de
1,5%), Peruzzo conclui que o governo deve valorizar mais a marca
"Brasil" perante sua juventude, por meio de ações
que demonstrem que o futuro neste país é promissor.
"Infelizmente, enquanto existir desigualdade social, desemprego,
falta de segurança e problemas com a saúde pública,
a tendência é de que a porcentagem de pessoas que desejam
morar fora aumente", disse o professor, na nota sobre os resultados.
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