Indústria investe pouco em inovação, informa
o IBGE
A indústria brasileira investiu pouco em
inovação tecnológica entre 2001 e 2003, informa
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica,
apenas oito das 32 atividades pesquisadas investiram em novas tecnologias.
Conforme o estudo os investimentos em inovação entre
2001 e 2003 representaram apenas 2,5% da receita líquida
das empresas.
Segundo o IBGE, as empresas ficaram mais cautelosas por causa da
instabilidade econômica em 2003. "Se o ambiente macroeconômico
de 2000 estimulou projetos de inovação tecnológica
mais dispendiosos e parcerias para desenvolver produtos, o cenário
adverso de 2003 levou as empresas a adotarem estratégias
mais cautelosas, como desenvolver projetos menos caros e arriscados,
e empregar ativos próprios em atividades inovativas",
diz a pesquisa.
O estudo mostra a influência de duas conjunturas econômicas
distintas sobre a decisão empresarial de investir em inovação.
Em 2000, o PIB cresceu 4,4% e a indústria, 4,8%. Foram as
taxas de crescimento anual mais elevadas desde o período
1993 e 1994. Já em 2003, a indústria permaneceu praticamente
estável (0,1%) e o PIB cresceu apenas 0,5%.
Com pouco investimento, a taxa de inovação da indústria
brasileira cresceu de 31,5% para 33,3% no período de 2001
a 2003. As três atividades que mais inovaram foram fabricação
de máquinas para escritório, equipamentos de informática,
fabricação de material eletrônico básico
e fabricação de automóveis, caminhonetas e
utilitários, caminhões e ônibus.
O levantamento mostra que a estratégia das empresas no período
2001-2003 foi inovar em produto e também em processo produtivo.
Entre 1998 e 2000, predominaram inovações só
em processo. Nos anos 2001-2003 as taxas de inovação
foram de 26,9% para processo e de 20,3% para produto. Entre 1998
e 2000, as taxas foram de 25,2% para processo e de 17,6% para produto.
"Embora a taxa de produto seja mais baixa, ela atingiu o crescimento
relativo mais significativo, particularmente no segmento de produtos
novos para a empresa, que avançou 3,7 pontos percentuais",
diz o estudo.
Segundo a pesquisa, para 21,2% das empresas, as inovações
de produto podem elevar em 10% o faturamento. Para 40,4% das empresas,
o produto novo representa entre 10% e 40% da receita, e para 38,4%,
o peso é superior a 40%. Das 28 mil empresas que inovaram
em 2003, 45,4% disseram ter encontrado dificuldades que retardaram
ou inviabilizaram determinados projetos. Em 2000, esse percentual
era de 54,7%.
Os três problemas mais apontados pela empresas que inovaram
eram econômicos: 79,7% delas achavam os custos da inovação
muito elevados e 56,6% apontaram a escassez de fontes de financiamento
como principal problema. Outras dificuldades muito citadas foram
de natureza interna, refletindo deficiências técnicas
e de informação.
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