Capital intelectual substitui capital físico nas
empresas
A Era do Conhecimento nas empresas já começou.
Agora, cresce a importância do capital
intelectual, em detrimento do capital físico.
Segundo estudo da consultoria brasileira
E-Consulting, produtos e serviços vão perder
peso na empresa, por serem cada vez mais
imitáveis, e darão lugar a fatores
intangíveis, como valor da marca, por exemplo.
Hoje, de cada real faturado, 80% vêm de fatores
tangíveis. Nos próximos 10 anos, esse peso vai
cair para 35%. As empresas precisam pegar o bonde
do conhecimento se quiserem sobreviver nesses
novos tempos.
O estudo da E-Consulting, que atua na criação,
desenvolvimento e implementação de estratégias
competitivas e serviços para grandes
corporações, analisa o primeiro dos 13 fatores
identificados pelo seu SRC (Strategy
Research Center Centro de Pesquisas em
Estratégia) que nortearão o
desenvolvimento competitivo das empresas nos
próximos dez anos.
O fator número 1 versa sobre a chamada Era
do Conhecimento, ou a evolução da
sociedade do ativo tangível (bens, capital,
recursos) para a lógica do ativo intangível
(marca, P&D, modelo de negócios, fidelidade
de clientes, capital intelectual), que ainda
carece de uma lógica de mensuração e
quantificação de valor amplamente aceita, na
opinião da E-Consulting.
Esse primeiro fator dispõe que, mesmo sem
matemática capaz de precificar esses ativos,
atualmente eles são os grandes formadores de
valor e diferenciação das empresas. E o
conhecimento (know-how, know-who, know-what,
know-where etc) é a base deste novo paradigma.
Em outras palavras, se produtos e serviços
são cada vez menos diferenciais, por serem
facilmente imitáveis, então o intangível passa
a ser o que faz uma empresa ser mais bem-sucedida
do que a outra, explica Daniel
Domeneghetti, diretor de Estratégia e
Conhecimento da E-Consulting, vice-presidente de
Conhecimento e Métricas da Camara-e.net e
coordenador do estudo Os 13 Fatores que
Nortearão o Desenvolvimento Competitivo das
Empresas nos Próximos 10 Anos.
De acordo com a E-Consulting, a migração de
recursos e valor do paradigma agro-industrial
para o paradigma do serviço-conhecimento deve
atingir, nos próximos dez anos, uma relação em
torno de 65%/35% no Brasil.
Isso significa que, a cada R$ 6,5 advindos
da economia do intangível, apenas R$ 3,5
advirão da economia do tangível. Hoje, essa
relação está em torno de 20%/80%, ou seja,
para cada R$ 2 advindos do intangível, R$ 8
advém do tangível. E isso se refletirá nas
sociedades, nos mercados, nas estratégias de
governos e empresas, inclusive em seus PIBs e
balanços, nas formas como agentes econômicos
tomam decisão e até nas escolhas profissionais
dos indivíduos e no emprego, assinala
Domeneghetti.
Teremos um novo modelo de sociedade,
construído em cima de um novo modelo de valor. E
se conhecimento, ao inverso dos bens tangíveis,
não perde valor (só ganha, na verdade) com sua
disseminação, então é fundamental se pensar
em construir, desde já, processos de geração
de valor intangível nas empresas, sob o risco de
se perder o bonde do novo jogo contábil que, em
algum momento, nos próximos dez a vinte anos,
será realidade global, diz. É
consenso que ainda estamos engatinhando na Era
do Conhecimento, mas ela chegou para ficar
, conclui.
Gerenciamento do Conhecimento
Para melhor entender o primeiro fator
particularmente no Brasil, a E-Consulting
realizou o estudo Gerenciamento do
Conhecimento: Fazer ou Fazer, cuja proposta
é apresentar ao mercado corporativo e aos
profissionais em geral o que significa o conceito-estratégia-atividade
Knowledge Management (KM), ou Gestão do
Conhecimento.
O estudo mostra a relevância da Gestão do
Conhecimento no atual contexto macro-econômico,
bem como sua inexorabilidade e impacto na
competitividade dos agentes econômicos, que
buscam sobreviver na nova ordem econômica,
balizada pelo equilíbrio de valor entre ativos
tangíveis e intangíveis, afirma
Domeneghetti.
O estudo da E-Consulting aborda as
características das empresas deste século, seus
trabalhadores e mercados, definindo o que são,
como se formam e se comportam as Organizações
do Conhecimento, formadas por knowledge workers e
inseridas em sociedades e mercados do
conhecimento, na Era do Conhecimento,
acrescenta.
Pesquisa sobre KM
Segundo pesquisa da E-Consulting sobre Gestão do
Conhecimento, executivos brasileiros líderes das
empresas mostraram o que sabem sobre KM: 55,9%
entendem que se trata da modelagem de processos
corporativos a partir do conhecimento gerado;
18,2% afirmam ser prática de gestão do
conhecimento (sistemas, políticas e cultura
corporativas etc); 13,3% filosofia corporativa de
gestão de informações; 7,2% tecnologia que
permite a gestão do conhecimento; 5,4%
estratégia de competição na Era do
Conhecimento.
Para que a popularização da
Gestão do Conhecimento ocorra de fato, há uma
lacuna que ainda está por ser preenchida,
associada à distorção de visão das pessoas
quanto ao conceito de KM, enfatiza
Domeneghetti.
A esmagadora maioria dos entrevistados
entende que KM se refere à modelagem de
processos ou ao conjunto de políticas e cultura
organizacional, ou ainda à tecnologia que
permite a gestão do conhecimento. Estariam eles
errados? Certamente, não, analisa.
Contudo, antes de ser caracterizado por
esses pontos, o KM deve ser visto pelas empresas
como uma estratégia de competição na Era
do Conhecimento. Afinal, considerando-se os
mercados atuais e a acirrada competitividade, os
produtos são simples commodities e os serviços
certamente atingirão esse status em breve. O
perfeito tratamento do capital intelectual traz
vantagens competitivas essenciais para garantir a
perenidade das empresas, complementa
Domeneghetti.
A E-Consulting Corp. é formada por cerca de
noventa profissionais multi-disciplinares, vindos
de bancos de investimentos, agências de
publicidade, empresas de consultoria e
tecnologia. Site: www.e-consultingcorp.com.br
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