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Reúso industrial de água na Grande SP podia ser maior

As indústrias da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) poderiam reutilizar muito mais água em relação ao que é feito atualmente. E uma das boas formas de transformar esse conceito numa iniciativa usual é a cobrança pela quantidade de água usufruída, segundo o engenheiro Fábio Nunes dos Santos, que estudou a situação do reúso da água em seu mestrado pela Escola Politécnica (Poli) da USP.

Entre os fatores que caracterizam o cenário de reaproveitamento de água na RMSP, ele cita principalmente problemas políticos e de educação. Em sua pesquisa, Santos comparou a situação do Vale do Ruhr, na Alemanha, com a da região paulistana. "Aqui, onde tínhamos muita água, a quantidade utilizada não influía muito no custo da produção industrial. Mas lá, onde a água sempre foi muito mais escassa, desde cedo o governo cobrou muito caro por seu uso."

Ele explica que até meados dos anos de 1950, na RMSP, havia uma boa relação entre capacidade de fornecimento e demanda, e que nesta situação optou-se por priorizar o sistema pluvial paulistano (especialmente o conjunto Tietê-Pinheiros) para a geração de energia, atraindo indústrias. "Com isso, a cidade cresceu, passou a precisar de muita água para o consumo, e no fim dos anos 50 o sistema degringolou."

Hoje, ele acredita que a iniciativa precisa caminhar por várias frentes, sejam políticas, legislativas, de planejamento e, principalmente, pela cobrança do uso da água e do esgoto lançado. "Se for feita cobrança pelo uso, toda indústria vai querer usar cada vez menos", diz.

Uma das idéias é diferenciar, na cobrança, a qualidade da água consumida e o esgoto tratado do não tratado. Deste modo, o reúso na indústria seria vantajoso a todos, pois além de economizar na quantidade de água comprada, ela reduziria gastos também no lançamento de efluentes tratados. "Mas obviamente isso não basta, é preciso investimento público-privado, além de uma fiscalização abrangente e eficaz."

Santos cita o exemplo de uma grande multinacional automobilística, que afirmou ter gastado US$10 milhões em um sistema (técnico e de gestão) para este fim, com a política de "reduzir, reusar e reciclar". "Hoje, ela recircula 92% da água que consome. Ela gastava 8 metros cúbicos de água por carro produzido, e atualmente reduziu este consumo para 4 metros cúbicos." Segundo ele, a empresa diz que o sistema faz com que economizem US$3,5 milhões anualmente. "Em três anos, ela mata o investimento e, a partir disso, ganha US$3,5 milhões por ano, sem tirar os custos de manutenção e operação."

Este exemplo demonstra como um planejamento, não apenas no nível da indústria, mas também em escala metropolitana, traz enormes benefícios para todos. "É preciso pensar em reúso desde o começo. É uma questão de educação, de comprometimento. O reúso em ambientes industriais precisa vir desde o presidente da empresa até o último tomador de decisões", conclui.

Mais informações: (0XX11) 5631-8440 ou e-mail fns6@uol.com.br, com o pesquisador (Agência USP de Notícias)

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