Empresário gráfico perde exportações
e fica mais pessimista
Estudo inédito da Associação
Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) mostra que
o empresariado gráfico está mais preocupado com a
conjuntura econômica este ano do que em 2004. O trabalho mostra
que a taxa de câmbio continuou derrubando as exportações
do setor, fazendo com que o superávit de sua balança
comercial sofresse importante redução entre janeiro
e maio de 2005. Por outro lado, a utilização da capacidade
instalada cresceu um ponto percentual no período.
Assim como todos os segmentos produtivos, o setor gráfico
tem reagido de forma negativa à conjuntura econômica
do país. Pesquisa elaborada pelo Departamento de Estudos
Econômicos da Abigraf revela que o empresário gráfico
está mais receoso quanto ao quadro econômico. Em 2004,
44% dos empresários avaliaram o quadro conjuntural da economia
brasileira como melhor e 19% como pior do que o ano anterior, enquanto
no primeiro semestre de 2005, apenas 35% avaliaram como melhor e
32% consideraram as condições atuais como piores do
que as do ano anterior.
A utilização média da capacidade instalada
no mesmo período subiu um ponto percentual, ou seja, passou
de 67% para 68%, conforme dados da pesquisa. Outro ponto a ser abordado
é o comportamento do emprego: 26% dos entrevistados indicaram
ter havido ampliação do quadro de funcionários;
47% afirmaram que permaneceu igual e 26% disseram ter ocorrido redução
no primeiro semestre de 2005.
Estas informações corroboram os dados do Ministério
do Trabalho: no acumulado janeiro-abril/05, o nível de emprego
da indústria gráfica brasileira cresceu 1,2%, contra
1,42% em 2004, ou seja, os dados indicam que a tendência das
contratações ainda permanece positiva, mas em menor
intensidade.
Comércio exterior
A balança comercial de produtos gráficos apresentou
superávit de US$ 17,9 milhões, com redução
de quase 60% na comparação com janeiro-maio/04, quando
o saldo ficou positivo em US$ 43,7 milhões. As exportações
mostraram redução de 25%, totalizando US$ 66,1 milhões,
ante US$ 88,3 milhões nos cinco primeiros meses de 2004.
As importações revelaram aumento de 8,1% e ficaram
em US$ 48,2 milhões.
Não há um único fator que isoladamente explique
essa queda, mas sim um conjunto de variáveis que vem contribuindo
para o enfraquecimento do mercado externo. A principal delas é
a contínua valorização do Real. Com margens
já reduzidas, os empresários gráficos que exportam
lutam para preservar a receita em um quadro de câmbio cada
vez menos competitivo.
Cabe ressaltar que o patamar do câmbio costuma ser importante
para as pequenas e médias empresas, uma vez que as grandes
acabam tendo capital para proteger-se das perdas de receitas advindas
da valorização do real frente ao dólar. Nesse
item, vale destacar a perda de vendas indiretas. Vários clientes
do setor reduziram fortemente o ritmo das exportações
impactando a indústria gráfica local.
No entanto, há outra variável que vem afetando as
vendas externas de produtos gráficos: a competição
que a China exerce em importantes mercados de destino das exportações
do setor. O caso de cadernos é exemplar. As exportações
do produto situaram-se em US$ 9,89 milhões entre janeiro-abril/05,
ante US$ 15,76 milhões em igual período do ano passado,
assinalando uma queda de 37,2%. Também nota-se redução
das vendas externas no segmento de embalagens.
Um dos principais produtos da pauta de exportação
do setor gráfico são as caixas e cartonagens dobraveis
de papel ou cartão não canelado. No primeiro quadrimestre
de 2005, as exportações desse item totalizaram US$
4,8 milhões, enquanto em igual período de 2004, os
valores exportados ficaram em US$ 19,7 milhões, com recuo
de 75,4%. Caso esses dois produtos citados tivessem mantido o mesmo
patamar de vendas externas observado em 2004, ou seja, sem crescimento,
as exportações totais do setor estariam mostrando
uma alta de cerca de 10%.
No que se refere às importações, nota-se aumento
das compras externas de etiquetas impressas, de US$ 1,5 milhão
para US$ 2,8 milhões (janeiro-abril/04/05), com alta de 92%
e acréscimo da participação na pauta de importações,
de 3,9% para 7,2%, respectivamente em igual período. Outros
produtos do segmento de impressos comerciais também revelam
aumento das importações, como é o caso de calendários,
manuais e outros.
Não se pode, contudo, extrapolar o resultado obtido nos
cinco primeiros meses para todo o ano de 2005. Há, certamente,
algum componente sazonal no caso de alguns produtos que podem vir
a mostrar recuperação das vendas externas mais à
frente. Devido à redução no ritmo de atividade
registrada na economia brasileira no primeiro semestre de 2005,
aliada à queda nas exportações do setor, as
previsões de crescimento produtivo do setor gráfico
para o ano recuaram para 7,3%, ante os 8,7% previstos no início
do ano.
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