Sistema loja dentro de loja chega à pequena empresa
Já foi o tempo em que apenas grandes empresas, como supermercados,
dividiam o mesmo espaço com outras lojas, a exemplo de farmácias
e lanchonetes. Esse sistema, conhecido como loja dentro de loja,
já chegou às micro e pequenas empresas, complementando
e agregando valor a produtos e serviços, otimizando espaços
e reduzindo custos.
"Só de aluguel e de IPTU temos uma redução
de 50% do valor", exemplificou José Roberto Barach,
da empresa Arte, Café e Design, com sede em São Paulo.
Em uma área de 200 metros quadrados, a empresa de Barach
divide espaço com uma loja de decoração e design.
As duas são microempresas. De um lado fica a loja de decoração
e design, do outro a cafeteria e sorveteria com acesso à
internet.
Barach é dono da cafeteria. Entre as vantagens de dois negócios
no mesmo ponto, ele ressalta que quem entra na loja de decoração
aproveita para tomar um café ou saborear um sorvete. Quem
vai tomar só o café, o sorvete ou acessar a internet,
passa na loja de decoração. "É o casamento
perfeito em que um negócio puxa o outro", disse.
A Lotérica Camisa 10, em Brasília, divide o espaço
com uma lanchonete. "Um negócio ajuda o outro",
assegura a dona da lanchonete, Thereza Costa Lima. "Sai mais
barato aproveitar o local com negócios complementares e garantimos
maior movimento de clientes", reforça o dono da lotérica,
Antônio Carlos Sallaberry Cayres.
Cayres alerta para um cuidado especial quando se trata de compartilhar
espaços. É preciso que os dois empreendedores tenham
preocupação com a qualidade dos serviços e
produtos oferecidos. "Se um vai mal, prejudica o outro, já
que mesmo tendo administrações separadas, a tendência
é o cliente pensar que se trata de uma única empresa",
explica.
Mesmo não dividindo o mesmo local, nem custos com outra
empresa, há um bom número de pequenos negócios
que utilizam uma empresa para otimizar custos e reforçar
vendas. Entre os exemplos estão os restaurantes de comida
natural, onde são colocados pontos de vendas de produtos
utilizados na cozinha do restaurante.
É o caso da Bioloja Alternativa, um restaurante e loja de
produtos naturais de São Paulo. "Os produtos da loja
servem de estoque para o restaurante e o restaurante serve de vitrine
para os produtos", explica o proprietário, Wagner Packer.
Carne e livro
Em Brasília, o Açougue T-Bone conta com uma biblioteca.
Essa exótica união, porém, não surgiu
como forma de chamar cliente e, sim, pela paixão do proprietário,
Luiz Amorim, pelos livros. Açougueiro alfabetizado aos 18
anos, leu o primeiro livro aos 21 e não parou mais. Em 1998,
os proprietários do açougue venderam para ele o negócio
de forma facilitada. A paixão pelos livros continuou, ele
foi recebendo doações e, hoje, tem um acervo de 15
mil livros de uso gratuito da comunidade. E no local ainda ocorrem
eventos culturais.
A diferenciação do negócio e, principalmente,
a história do proprietário tornaram o açougue
conhecido. E o próprio Luiz Amorim reconhece que "a
curiosidade já fez muitas pessoas se tornarem clientes do
açougue".
Franquia e companhia
A preocupação em complementar produtos e serviços
também chegou às franquias. Ainda em Brasília,
por exemplo, a franquia Mormai vende roupas e agregou um bar e restaurante
no mesmo espaço, às margens do Lago Paranoá.
Na avaliação do proprietário, Daniel Romão
Lopes, por causa do local, "uma atividade não funcionaria
tão bem sem a outra".
A presença de franquias em grandes lojas também se
torna cada vez mais comum. É o caso da franquia 'Casa do
Pão de Queijo', que tem dois quiosques funcionando em duas
lojas da rede de livrarias Siciliano, em Brasília. "Já
tive experiência de loja fora de loja e garanto que dentro
é melhor, porque deixo de pagar determinadas taxas, além
de ter boa clientela", atesta a dona da franquia, Soraya Soares
Barboza.
Para a gerente da regional da Siciliano, Miriam Rodrigues Furtado,
a parceria tornar a livraria mais agradável ao cliente. Essa
iniciativa vem dando tão certo que a gerente estuda ampliação
do sistema para outras lojas.
Na avaliação da analista de mercado do Sebrae Nacional,
Louise Alves Machado, a utilização de espaço
compartilhado tem grandes vantagens e assegura amplas oportunidades
de negócio. Mas é preciso precauções
para que sejam negócios complementares e que gerem fluxo
de clientes.
"O cliente não compra produto, compra solução.
Assim, quanto mais complementares estes produtos e serviços,
melhor", explica a analista que dá outra orientação:
o cuidado para que, no intuito de fazer complementações,
o local não fique lotado e desagradável. "É
importante que o ambiente seja agradável para o cliente",
reforça.
Serviço:
Agência Sebrae de Notícias: (61) 348-7494
Bioloja Alternativa: (11) 3032-3931
Lotérica Camisa 10: (61) 321-1021 e 225-7474
Açougue T-Bone: (61) 274-1665/349-7787
Casa do Pão de Queijo: (61) 223-3515
Livraria Siciliano: (11) 3649-4631 e (61) 323-6789
Mormai: (61) 364-6025
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