Desemprego atinge 40% dos jovens brasileiros
O Perfil da Juventude Brasileira, lançado pelo
Sebrae Nacional, em Brasília, oferece uma série
de abordagens sobre trabalho e empreendedorismo.
No levantamento foi possível avaliar os
principais conceitos do jovem com relação ao
tema, investigar quais os vínculos
empregatícios dos jovens e mensurar quantos
deles têm interesse em empreender.
Para a maioria, o trabalho está ligado à
necessidade (64%) e independência (55%), seguido
de crescimento (47%). Apenas 30% deles pensam em
trabalhar como forma de auto-realização, que é
o conceito mais apropriado para quem deseja
empreender. O estudo também mostra que 36% dos
jovens estão trabalhando, enquanto 32% já
trabalharam mas estão desempregados.
Se somarmos esses dados com os 8% dos que nunca
trabalharam mas procuram emprego, vemos que o
índice de desocupados é de 40%. Tem ainda o
grupo que nunca trabalhou nem procurou emprego
(24%). Fica claro, portanto, que é grande o
drama da falta de emprego entre os jovens. Pior:
quando é feita comparação com a pesquisa da
Fundação Perseu Abramo, realizada em 1999 nas
regiões metropolitanas, percebemos que o número
de desocupados aumentou de 46% para 47%.
Fazendo um levantamento entre os que trabalham ou
já trabalharam, constata-se que a maior parte
(36%) está fora do mercado há mais de um ano,
contra 26% que estão sem trabalhar por um
período entre seis meses e um ano, e 15% que
estão sem ocupação num tempo entre três a
seis meses.
Informalidade - E como está a
situação do jovem trabalhador? De acordo com o
levantamento, 37% deles é assalariado e sem
registro. Outros 16% fazem bico ou serviço free
lancer e 9% trabalham na agricultura familiar ou
são assalariados no campo e mais 2% são
auxiliares de família sem remuneração fixa.
Somando essas posições, que são todas
informais, percebe-se que 64% dos jovens
trabalham sem respaldo na legislação
trabalhista.
O restante do grupo é formado por 28% dos que
têm carteira assinada, 3% que são por conta
própria e pagam ISS, outros 3% são
funcionários públicos e 1% são profissionais
liberais.
Trabalho social e negócios
Quando perguntados se já pensaram em fazer algum
trabalho social ou montar negócio, a maioria
(68%) nunca pensou no assunto. Outros 20% ainda
querem fazer e 10% pensaram mas desistiram.
Somente 2% dos jovens estão empreendendo. A
projeção desses percentuais indica a
existência de sete milhões de jovens com
vontade de realizar trabalhos sociais ou abrir
negócios. Embora seja minoria, essa população
potencialmente empreendedora não pode ser
considerada pequena.
Tendo como base os jovens que empreendem ou
desejam empreender, 57% preferem trabalho social,
contra 38% que optaram por abrir negócio. Em
seguida vem os que escolheram educação (20%),
lazer/esporte/cultura (16%) e ações coletivas
(14%). O tipo de apoio que os jovens mais
precisam são investimento ou capital inicial
(32%) salário ou bolsa mensal (15%), espaço
físico (10%) e equipamentos (8%).
Além disso, 30% querem se sustentar com
atividade empreendedora. Outros 28% afirmam que
depende da situação. Já 23% acham que a
remuneração não garantiria as despesas e 17%
não souberam responder.
Instituições de referência No
levantamento sobre as instituições que
financiam ou apóiam trabalhos sociais, pequenos
negócios ou projetos para a comunidade, em
pergunta espontânea e múltipla, a grande
maioria dos jovens não souberam escolher (72%),
contra 27% dos que elegeram nomes. Desse
universo, a Petrobrás foi a mais citada (5%),
seguida pelo Sebrae (4%), Senai (3%), Sesi (3%),
Sesc (3%) e Senac (3%).
Para o gerente de educação do Sebrae Nacional,
Ênio Pinto, mudou a dinâmica do emprego. O
caminho agora é a dinâmica do trabalho e das
pequenas empresas. A maior parte dos jovens
está desocupada e, ao contrário do que se
imagina, eles estão sensibilizados para o tema
empreendedorismo, como uma alternativa ao
ingresso na sociedade produtiva.
O Perfil da Juventude Brasileira é uma
iniciativa do Projeto Juventude/Instituto de
Cidadania, com a parceria do Instituto de
Hospitalidade e do Sebrae, sob a coordenação
técnica da Criterium Assessoria. Os dados foram
coletados entre novembro e dezembro de 2003, com
3.501 pessoas entre 15 e 24 anos, distribuídas
em 198 municípios de 25 estados brasileiros. Boa
parte do questionário é formada por perguntas
espontâneas com múltipla escolha. Por conta
disso, a soma dos percentuais ultrapassa 100%.
O universo da amostra representa 34,1 milhões de
jovens, equivalente a 20,1% do total da
população brasileira. A margem de erro é de 2
pontos percentuais, para mais ou para menos, com
intervalo de confiança de 95%.Leia Também:
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