| Faturamento
do setor de saneamento básico caiu 24%
em 7 anos
O setor de saneamento básico, tão
carente de investimentos expressivos para universalização
dos serviços prestados, vem apresentando
consecutivas quedas de faturamento real, atingindo,
em 2004 uma redução acumulada de
24,4%. Esta é uma das conclusões
do estudo elaborado pela Serasa, com uma amostra
de demonstrativos contábeis de empresas
de saneamento básico (água e esgoto),
que abrangem a maioria dos estados e aproximadamente
70% dos municípios brasileiros, no período
de 1997 a 2004.
Este desempenho é justificado tanto pelos
efeitos das constantes campanhas para incentivar
a redução do consumo de água,
principalmente nas regiões Sudeste e Sul,
bem como pela elevação das tarifas,
fatores que levam os consumidores a migrarem para
faixas de consumo inferiores. Dentre os serviços
públicos, porém, o saneamento básico
é o que tem os menores valores de tarifas,
para qualquer faixa de renda. Além da queda
de faturamento, o setor ainda enfrenta o problema
do desperdício, que chega a corresponder,
em média, a 40% dos volumes de água
tratada distribuídos para a população,
devido, principalmente, a vazamentos e ligações
indevidas.
A elevação das tarifas, contudo,
não tem sido suficiente para cobrir a real
elevação de custos do segmento,
levando a consecutivas quedas na geração
de caixa, medida pelo EBITDA. Quanto à
rentabilidade das vendas, vale destacar que em
1999 e 2002 foi fortemente impactada pela desvalorização
cambial, tendo as empresas sofrido elevados prejuízos
e, somente a partir de 2003, o setor opera por
dois anos consecutivos com lucratividade.
Quando segregamos por região, o faturamento
das empresas do Sudeste e Sul -que representam
75% do valor total do faturamento da amostra -,
apresentou no período um decréscimo
acumulado em maior proporção que
as demais regiões do país. Isso
se deve ao fato de que a cobertura da rede de
distribuição de água, bem
como da rede coletora de esgoto, está mais
estruturada e tem expansão menor nestas
regiões, enquanto que, nas demais regiões,
há incrementos no faturamento em conseqüência
da expansão da área de cobertura.
A margem EBITDA das empresas do Sudeste e Sul
é superior à das demais regiões.
Além de serem favorecidas por uma concentração
de empresas e consumidores com maior poder aquisitivo,
nessas regiões reflete-se também
uma gestão reconhecida, inclusive, por
premiações como o Prêmio Nacional
da Qualidade em Saneamento (PNQS), concedido à
Companhia de Saneamento Básico do Estado
de São Paulo (Sabesp), à Companhia
de Saneamento do Paraná (Sanepar) e à
Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).
Nas demais regiões, sobretudo na Nordeste,
em localidades de mais baixo poder aquisitivo,
ocorre o fornecimento a custo zero, ou com tarifas
simbólicas, visando melhorar a qualidade
de vida da população, tornando o
custo elevado e gerando receita menor, o que prejudica
a margem EBITDA.
A rentabilidade dos setores de energia e de saneamento
mostra performance semelhante, destacando-se que
nos períodos em que ocorreu a desvalorização
cambial (1999 e 2002) ambos foram fortemente impactados,
registrando elevados prejuízos. O setor
de energia elétrica, no entanto, ainda
consegue uma margem ligeiramente melhor que o
de saneamento ao longo dos períodos. As
empresas da região Sudeste e Sul, mesmo
com um nível de endividamento superior
ao das demais regiões, apresentaram lucro,
excetuando-se os períodos de desvalorização
cambial, enquanto as demais regiões, apesar
de terem um nível de endividamento inferior,
operam com prejuízo em todos os períodos
do estudo.
Mesmo com esse cenário, os investimentos
em ativos fixos foram constantes, salientando-se
que parte desses investimentos foi viabilizada
mediante aporte de capital nas empresas. No entanto,
esses investimentos não acompanharam a
inflação do período, provocando
uma redução acumulada de 23% nos
ativos do setor. Os investimentos realizados com
recursos do Orçamento Geral da União,
vêm sofrendo reduções contínuas,
representando, em 2004, pouco mais de 17% do que
foi realizado em 2001.
As desigualdades regionais observadas tanto na
rede de cobertura de distribuição
de água e na coleta e tratamento de esgoto,
bem como nos demonstrativos financeiros, só
serão minimizadas diante da regulação
do setor, que facilitará os investimentos
privados.
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