Pesquisas

Empresas do Sudeste são as mais inovadoras

Tornar uma empresa verdadeiramente inovadora para reforçar seu potencial de competitividade no mercado tem sido o principal desafio de empresários e gestores. Diante desse cenário, o PGT (Programa de Gestão da Inovação e Projetos Tecnológicos), da FIA (Fundação Instituto de Administração), é o responsável pela organização de pesquisa que avalia os indicadores de recursos empregados e disponíveis nas companhias que podem caracterizá-las como mais ou menos inovadoras. O estudo analisou 362 empresas brasileiras e seus resultados foram divididos por região, setor, porte e origem do capital.

A região Sudeste se classifica como a que possui empresas mais inovadoras com 71%, seguida da região Sul que soma 17%. Os setores químico, de plásticos, borracha, metal primário e produtos de metal integram o grupo dos menos inovadores. Já nos segmentos de máquinas, equipamentos e eletrônico destacam-se como mais inovadoras. Em relação ao tamanho das companhias, há a predominância de inovação, com 37%, das de porte médio.

As empresas nacionais de capital privado são maioria (83%), havendo equivalência entre os grupos mais e menos inovadores. "De maneira geral, esses dados revelam que os setores mais dinâmicos tecnologicamente tendem a apresentar um comportamento mais inovador por parte das empresas e , quanto menor elas forem, no número de funcionários e em seu faturamento, se posicionarão como mais inovadoras", avalia o professor Roberto Sbragia, coordenador da pesquisa e do PGT.

Na área de recursos humanos, a pesquisa aponta que as empresas identificadas como mais inovadoras, mesmo de porte menor, possuem um número maior de funcionários alocados no departamento de Pesquisa e Desenvolvimento, e mais qualificados tecnicamente. Consequência, também, de relevante aplicação de recursos financeiros neste setor da companhia. "Este estudo nos auxilia a concluir que, desde a década de 90, as empresas estão passando por um fenômeno chamado ‘Inovatividade’, em que o surgimento de novas tecnologias e mercados consumidores estão gerando a necessidade de inovar não somente no lançamento de produtos, mas também em sua estrutura interna de gestão e planejamento", observa Sbragia.

De acordo com o professor, os aspectos facilitadores para impulsionar o processo de inovação são o desenvolvimento de estratégias de longo prazo, de uma estrutura hierárquica flexível com equipes mistas e multifuncionais, a sistematização de etapas de trabalho e contar com funcionários inovadores, que reúnem técnica e atitude. "É preciso destacar que o comportamento inovador de uma empresa não deve vir somente de sua área de Pesquisa e Desenvolvimento. Deve-se prestar atenção em outros departamentos como assistência técnica, serviço de atendimento ao cliente, na área fabril, por exemplo, pois são pontos dos quais podem ser extraídas informações importantes para a criação ou adaptação de produtos para atender melhor os consumidores e, assim, incrementar a receita", comenta Sbragia.

Sobre as dificuldades encontradas pelos administradores na busca da inovação, o coordenador do PGT ressalta a necessidade de políticas industriais. "Diversos setores econômicos do país têm condições de ampliar seu crescimento e de se tornarem mais inovadores se contassem com incentivos fiscais na cadeia produtiva e com leis mais potentes como a Lei de Inovação, que está em tramitação no Congresso", conclui Sbragia.


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