Pesquisas

Mais de 700 empresas golpistas atuam no país

A maior concentração de empresas golpistas está nas regiões Sudeste e Sul do país. É o que revela um levantamento sobre operações envolvendo “fantasmas” no Brasil realizado pela Equifax, empresa que atua no mercado de informação para a gestão de negócios. Durante os meses de janeiro a agosto de 2005, período de apuração do estudo, atuaram nas duas regiões 578 companhias. Estão entre os setores mais visados os da construção, de materiais elétricos e de telefonia (venda de aparelhos e linhas de celular). As estimativas são de um prejuízo de cerca de R$ 25 milhões nas operações, somente nessas regiões.

Na apuração geral, 744 empresas golpistas atuaram no país no período avaliado, gerando um prejuízo estimado em R$ 30 milhões, com 7.869 cheques devolvidos sem fundos e 13.241 títulos protestados. Isso representa um crescimento de 44% nas devoluções e 41,5% em protestos, em relação ao mesmo período no ano passado. A Equifax também registrou aumento de 17,1% no volume de acessos em seu banco de dados na mesma base de comparação. Foram 17.374 consultas ao sistema em 2005 contra 14.841 em 2004.

Apesar de as regiões Sudeste e Sul serem as mais afetadas, no restante do país as operações de golpistas também continuam crescendo. No Nordeste, de janeiro a agosto de 2005 o movimento saltou de 117 para 124 empresas golpistas atuantes, no Centro-Oeste de 28 para 30. Apenas no Norte houve “estabilidade” nos números, foram identificadas 12 empresas em ambos períodos. “Este é um fenômeno crescente na maioria das localidades do país, principalmente naquelas onde há intensa atividade econômica”, diz João Otávio Domingues, diretor da Equifax.

Segundo o Departamento de Pesquisas Especiais da Equifax, o período de maturação do golpe, em geral, tem sido de 40 dias. As empresas golpistas costumam agir com transparência na primeira compra, com pagamento à vista ou em dinheiro. Também aparentam lisura na procedência, não apontam restrições em cadastros comerciais mais simples, sem detalhamento, quando consultados para o fechamento da negociação. O golpe é quase sempre descoberto após a conclusão da negociação, na entrega da mercadoria ou muitas vezes na segunda solicitação de compra pela empresa golpista.

Desde 1974 atuando no Brasil, a empresa possui 28 mil clientes entre companhias multinacionais até pequenas empresas. Registrou faturamento global em 2004 de US$ 1,3 bilhão.


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