Pesquisas

Empresas pagaram bônus 15% maiores no ano passado

O Hay Group Brasil divulgou em agosto o Estudo de Remuneração de Executivos (ERE), uma pesquisa anual que, no último ano, compreendeu a análise de 2.134 executivos de 160 empresas de vários ramos de atividade, responsáveis por 28% do PIB nacional, 776 mil empregos diretos e faturamento global anual superior a US$ 170 bilhões.

Entretanto, o levantamento não traz apenas números, pois ilustra bem a mudança do papel do executivo neste complicado e concorrido mundo globalizado dos negócios. Não é para menos que, quanto maior o cargo, mais elevados são os ganhos variáveis, que, obviamente, estão diretamente ligados ao bom desempenho do profissional e a seus conseqüentes reflexos diretos no resultado dos negócios.

Além disso, o desenho hierárquico e funcional das corporações internacionais está cada vez mais complexo, o que impacta diretamente na importância do cargo e no valor atribuído a ele pelo mercado. "É comum, por exemplo, um executivo responder diretamente para diretores em outros países, mesmo tendo superiores aqui mesmo no Brasil", explica Jorge Alberto Viani, diretor da Divisão Hay Information Service (HIS), responsável pela pesquisa. Assista entrevista em vídeo sobre como a globalização afeta a remuneração dos executivos:

A análise dos dados mostrou práticas e tendências relevantes nas políticas de remuneração e benefícios praticadas para profissionais a partir do nível de diretoria, além de trazer constatações que chamam bastante atenção no atual mercado executivo. Confira as principais:

- A pesquisa mostrou que o bônus pago no ano passado ficou 15% acima do mesmo índice verificado no período anterior e 10,4% acima do target estabelecido. "Ou seja, na média, a maior parte das empresas superou seu target, o que é algo bastante positivo", avalia o diretor do HIS, Jorge Alberto Viani. Assista entrevista sobre a tendência para o bônus referentes a 2005:

- Na composição do pacote de remuneração, a parcela variável dos cargos de presidência pode chegar até 53%, enquanto no nível de diretoria, esta parcela chega até 28% dos ganhos. Isso evidencia a continuação da tendência de que, quanto mais alto o cargo, maior será a parcela variável dos rendimentos do executivos, enfatiza o gerente de operações do HIS, Adilson Santos. Segundo ele, cada vez mais as corporações estão focadas nos resultados e transferem para seus executivos, em vários níveis, essa pressão por metas maiores.

- Há uma evidente desvinculação da data-base do dissídio dos executivos em relação aos demais funcionários da empresa. "O que se nota é que, até a supervisão, os dissídios seguem os acordos da categoria", diz Viani. "Acima desse nível, o mercado acaba determinando os aumentos anuais", completa.

- No que diz respeito aos benefícios, um dado relevante é o fortalecimento dos chamados pacotes mais oficiais, que englobam assistência médica, carro e previdência, entre outros. Os altos custos crescentes com os benefícios, têm levado as empresas a repensarem os desenhos, incluindo a definição de co-participação e o estabelecimento de limites, como forma a "educação" e controle dos custos. Particularmente no Brasil, o único fator diferente é a blindagem de carros, em ascensão a cada ano como resposta direta aos altos índices de violência.

- Os ICP representam a maior parte da remuneração variável dos quase 2.000 executivos pesquisados. Só a título desse tipo de incentivo, na mediana de mercado os executivos receberam de 4 a 13 salários em 2004.

Dados pesquisados

Durante o trabalho de campo, feito entre abril e junho dw 2005, foram levantados dados referentes aos seguintes itens:
- Salário-base: salário mensal de maio de 2005, anualizado de acordo com o número de contracheques pagos por ano;

- Total em dinheiro: salário-base acrescido dos incentivos de curto prazo (bônus, PLR e prêmios, entre outros), pagos de junho de 2004 a maio de 2005;

- Remuneração direta: total em dinheiro acrescido do valor proveniente da oportunidade de ganho anual propiciada por incentivos de longo prazo (stock options, restricted shares, bônus diferidos e stock purchase, entre outros gêneros de planos);

- Remuneração total: remuneração direta acrescida da valorização do pacote de benefícios oferecido aos executivos.

Amostragem

Participaram deste estudo empresas de diversos setores e portes, assim distribuídos:
- 35 presidentes/CEOs;
- 109 presidentes de empresas subsidiárias (de controle local ou estrangeiro);
- 75 vice-presidentes;
- Mais de 1.900 diretores.

Vale destacar que, profissionais estrangeiros (Impatriados) com administração salarial diferenciada do pessoal local, bem como os proprietários controladores de empresas, não foram considerados nos cálculos de mercado do estudo.

Outro dado importante constatado é o de que 10% dos executivos pesquisados atuavam regionalmente, seja para o Mercosul, seja para a América do Sul, seja para a América Latina.


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