Pesquisas

Pequena empresa teve em agosto maior nível de emprego em 47 meses

As pequenas empresas do Estado de São Paulo registraram em agosto o maior número de pessoas ocupadas nos últimos 47 meses. São 5,9 milhões de pessoas trabalhando nos pequenos negócios: criação de 72 mil vagas em relação a julho deste ano (1,2% de variação) e de 297 mil vagas em relação ao mesmo mês do ano passado (+5,3%).

Os dados são dos Indicadores Sebrae-SP – Pesquisa de Conjuntura, levantamento mensal realizado com a colaboração da Fundação Seade. Com amostra de 2,7 mil MPEs representativa do universo dos pequenos negócios do Estado de São Paulo.

A variação positiva indica que as MPEs estão de fato trabalhando num nível superior aos anos anteriores. Ainda que o Dia dos Pais influencie no resultado positivo na comparação com o mês anterior (julho/2005) a alta pode ser um indício de otimismo em relação aos próximos meses.

O índice que mede faturamento real também foi bastante positivo em agosto deste ano. Na comparação de 12 meses (com agosto/2004) a variação foi de + 5,4%. Sobre o mês anterior (julho/2005) a variação foi de + 6,6%.

De acordo com o coordenador da pesquisa, Marco Aurélio Bedê, o número de dias úteis pode explicar em parte o desempenho do faturamento: agosto de 2005 teve dois dias a mais que julho/2005 e um a mais que agosto/2004. “Mas o desempenho se deve também ao aumento real do salário mínimo (de 8,5%) combinado com o controle da inflação (mantida a 5% ªª), a ampliação das opções de crédito e a manutenção das exportações.”

Por setores, o desempenho da indústria não seguiu os outros. Comércio e Serviços tiveram expansão de 7% na comparação de 12 meses (ago/05 com ago/04) e a indústria manteve receita real estável. Comércio e Serviços foram beneficiados pela melhora no salário real do trabalhador, enquanto a indústria ainda está sob impacto dos juros altos. No mês, no entanto, as pequenas da indústria tiveram desempenho melhor, com + 9,3% em relação a julho. Na seqüência, as do comércio (+ 6,7%) e o setor de serviços (4,4%).

Os setores de Comércio e Serviços continuam se beneficiando do crescimento do mercado de trabalho. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em agosto/05, o número de pessoas ocupadas na economia era 2,4% maior que agosto/2004. Isso contribuiu, aliado à inflação em baixa, para o crescimento de 6,2% da massa real dos rendimentos dos trabalhadores. O reajuste do salário mínimo em maio de 2005 e a queda da inflação nos últimos meses também contribuíram para esse resultado. No entanto, com o esgotamento dos efeitos positivos oriundos do mercado de trabalho, a economia tende a crescer num ritmo mais lento, ficando mais evidente o papel de freio exercido pelas taxas de juros.

De acordo com o diretor superintendente do Sebrae-SP, José Luiz Ricca, a melhora recente do salário médio dos brasileiros deve dar novo fôlego às vendas das pequenas empresas, setor muito dependente do mercado interno. No entanto, para o segundo semestre de 2005, a expectativa é desaceleração no ritmo de crescimento. “A manutenção das taxas de juros em um nível muito elevado comprometeu a velocidade do crescimento dos pequenos negócios. O movimento de redução, iniciado no último mês (setembro) só deve ser percebido no próximo ano.”

O Grande ABC – das 4 regiões pesquisadas – teve o melhor desempenho no mês: as pequenas faturaram em agosto/2005 18,1% a mais que em julho deste ano. No mesmo período, o desempenho das outras regiões também foi positivo: São Paulo cresceu 8,5%; Região Metropolitana (7,8%) e Interior (5,2%).

Na comparação de 12 meses, a Região Metropolitana registra o pior desempenho: + 2,7% maior que agosto/2004. Interior e Grande ABC comemoram crescimento de 9% e a Capital, 9,6%.

O universo da pesquisa abrange 1,3 milhão de empresas formais. A participação das pequenas na economia é expressiva: 99% das empresas formais são de pequeno porte e abrigam 67% das pessoas ocupadas no setor privado da economia e representam 28% da receita bruta total.


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