| Usuário
de celular sonha com bateria que dure mais
Dispor de baterias que permitam
dois dias de uso ativo — em modo conversação
— é o sonho de consumidores de 14
entre 15 países, usuários de telefones
móveis, games, aparelhos de MP3 e aplicações
de TV. Essa é a constatação
do estudo Global Tech Insight 2005, realizado
pela inglesa TNS em diversos países, inclusive
o Brasil, entre julho e agosto deste ano.
Para chegar a essa conclusão,
a TNS entrevistou 6.800 pessoas, de 16 a 49 anos,
que possuem telefone celular, PDA ou notebook
e que acessam semanalmente a internet. Foram pesquisadas
regiões metropolitanas de grandes centros
internacionais da Austrália, Brasil, China,
França, Alemanha, Hong Kong, Índia,
Japão, Coréia do Sul, Países
Baixos, Nova Zelândia, Rússia, Suécia,
Reino Unido e Estados Unidos.
No Brasil, único país
pesquisado na América Latina, o levantamento,
feito pela TNS InterScience, apontou uma curiosidade:
53% dos entrevistados identificaram a videoconferência
como o recurso tecnológico mais importante,
comparado à média de 25% nos demais
países pesquisados.
Segundo Renato Trindade, diretor
da TNS InterScience Technology, responsável
pelo módulo brasileiro do estudo, que ouviu
431 usuários, algumas novas tecnologias
e recursos – como localizador (GPS), identificadores
biométricos, 20 Gb de armazenamento, MP3
e câmeras – ainda são pouco
conhecidos e acessíveis à maior
parte da população, razão
pela qual são pouco valorizadas.
“Recursos já bastante
populares em outras nações, como
câmeras no celular, ainda são pouco
difundidos por aqui. Apenas 20% de nossos celulares
possuem essa tecnologia”, explica o diretor
da TNS InterScience. “Estamos atrás
até da Índia, que tem 26% de equipamentos
com o recurso. Já em países como
o Japão, apenas 9% não contam com
esse instrumento”, acrescenta.
Os indicadores obtidos também
elucidam como os aplicativos são utilizados.
O relatório mostra que o uso do MMS (em
inglês, Multimedia Mobile Service, ou Serviço
Móvel Multimídia) está plenamente
disseminado, já que 46% dos entrevistados,
usuários de telefonia móvel, disseram
que enviam imagens e fotos via MMS, enquanto 23%
informaram que remetem clips de vídeo ou
áudio.
O envio de imagens e fotos via
MMS é mais utilizado, em ordem decrescente,
pelos usuários do Japão (80%), França
(68%), Coréia do Sul (66%) e Reino Unido
(65%). Tarifas elevadas, por sua vez, foram o
principal motivo indicado para justificar o não
uso do MMS (46%), enquanto outros 22% apontaram
problemas de qualidade de foto e vídeo
ou de interoperabilidade (15%).
A utilização da
câmera entre os usuários de telefone
celular também prevalece, já que
59% das pessoas que possuem telefone integrado
com câmera fazem uso do sistema ao menos
uma vez por semana. Essa modalidade é empregada
com maior freqüência na França,
Coréia do Sul e Reino Unido. O uso de câmeras
nos PDAs é relativamente menor, informa
Renato Trindade. “Somente 46% dos detentores
desse recurso fazem uso dele pelo menos uma vez
por semana”, revela.
O estudo também enfatiza
as diferenças entre os mercados e mostra
que a telefonia via internet é utilizada
de forma mais ampla, entre os usuários
de notebooks, nos países em desenvolvimento.
No Brasil, Índia e Rússia, 44%,
30% e 22%, respectivamente, dos usuários
de notebooks utilizam o Voice Over Internet Protocol
(VoIP), enquanto em nações desenvolvidas
como Japão e Países Baixos, são
somente 2%.
Com relação à
utilização de tecnologia, o Brasil
aparece no estudo em posições contrastantes,
figurando, em alguns aspectos no topo do ranking
e em outros no último lugar. “Pode
parecer contraditório, mas é totalmente
compreensível”, analisa o diretor
da TNS InterScience. “Ao mesmo tempo em
que em somos os que menos utilizam celulares com
câmeras, com freqüência semanal
de 14% contra 61% da Coréia do Sul, aparecemos
no topo da cadeia mundial na adoção
de telefonia VoIP. Aqui 57% dos usuários
de notebooks declaram utilizar semanalmente o
equipamento. No Japão, esse indicador é
de 7%”, afirma.
“Pode parecer um paradoxo,
mas torna-se plenamente justificável quando
consideramos os custos de telefonia do mercado
nacional”, esclarece Trindade. “O
país tem hoje uma elite de early adopters
de tecnologia buscando a eficiência em custos
e aplicação de soluções
avançadas que caminha ao lado de consumidores
ainda ávidos por features de tecnologia
básicos, já disseminados em outras
partes do mundo”, conclui o diretor da TNS
InterScience.
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