Pesquisas

Cai mortalidade de pequenas empresas

O fechamento de micro e pequenas empresas em São Paulo tem, ano após ano, um impacto social importante para a economia do estado. No ano passado, foram encerradas 73 mil empresas, eliminando cerca de 280 mil postos de trabalho - o equivalente a 3,5 estádios do Morumbi lotados.

A perda financeira de R$ 15,6 bilhões entre capital investido e faturamento é equivalente ao valor de 11 milhões de computadores ou quase 70 milhões de cestas básicas por ano. As informações fazem parte da pesquisa 'Sobrevivência e Mortalidade das Empresas Paulistas de 1 a 5 anos', divulgada pelo Sebrae em São Paulo.

A pesquisa mostrou que, apesar do grande impacto social, a taxa de mortalidade dos pequenos negócios com até cinco anos de atividade caiu de 71% para 56% em 2004. Em números absolutos, a redução significa que, em 2000, 91 mil empresas fecharam (no quinto ano de vida), e, em 2004, 73 mil empresas.

Esta é a quarta edição da Pesquisa de Mortalidade, que ouviu 2 mil proprietários e ex-proprietários de empresas paulistas, cujos nomes foram levantados na Junta Comercial.

As principais causas da mortalidade das empresas no Estado, segundo o gerente de Pesquisas do Sebrae no Estado, Marco Aurélio Bedê, estão relacionadas principalmente ao perfil empreendedor e a decisões dos proprietários.

Entre as causas enumeradas na pesquisa estão: características empreendedoras insuficientes, falta de planejamento prévio, deficiência na gestão empresarial, insuficiência de políticas de apoio, baixo crescimento da economia e problemas pessoais dos sócios.

"Muitos destes problemas dependem apenas da capacitação do empresário. Além de ter um espírito empreendedor, ele precisa conhecer fluxo de caixa, gestão de custos, buscas políticas de apoio. Assim como para ler e escrever é necessário treinamento, para ser empresário é preciso capacitação".

A pesquisa revela também a necessidade de diversas ações que podem ajudar na queda da mortalidade. Em relação às questões individuais, a ênfase, segundo Bedê, deve ser dada às empresas nos três primeiros anos de vida. "O levantamento feito pelo Sebrae mostra que houve uma estabilização das empresas a partir do terceiro ano de vida".

A taxa de mortalidade das empresas paulistas no primeiro ano de constituição é de 29%. A taxa cresce 13 pontos percentuais no segundo ano (42%) e 11% no terceiro (53%). No quarto e quinto ano, praticamente a taxa se estabiliza. "É a primeira vez que identificamos este padrão. É um bom indicativo de que as empresas, quando passam do terceiro ano, estão mais fortes, por isso, devemos investir em políticas públicas que ajudem a empresas neste início", diz Bedê.

As políticas a que se refere o economista estão no âmbito da simplificação dos tributos, da desburocratização, da participação em compras governamentais e de políticas de crédito e microcrédito específicas para o setor.

Lei Geral

Para o superintendente do Sebrae em São Paulo, José Luiz Ricca, a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas contempla exatamente a necessidade de investimento no pequeno empresário que está abrindo um negócio. "A Lei Geral está em discussões no Congresso e, praticamente, não tem ninguém contra ela. Há alguns ajustes a serem feitos junto a área fazendária dos Estados, mas nada que não possa ser equacionado na própria Lei".

Ricca afirmou que o segmento faz pelo País uma grande mobilização para ver aprovada ainda este ano a Lei Geral. "Nós não abrimos mão disso". Segundo ele, somente em São Paulo a Frente Empresarial Paulista já conseguiu colher quase 100 mil assinaturas de adesão. "Nós vamos ao Congresso mostrar que o País todo quer a Lei Geral".

Serviço:

Sebrae em São Paulo - Assessoria de Imprensa - (11) 3177-4673


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